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Capital

Depois de líderes eleitos sairem escoltados, oposição diz que vai à Justiça

Eleição da diretoria municipal da Igreja Assembleia de Deus Missões foi marcada por tumulto e acusações

Por Silvia Frias | 05/03/2021 09:45
Barrados na frente da igreja Assembleia de Deus Missões, ontem à noite (Foto/Divulgação)
Barrados na frente da igreja Assembleia de Deus Missões, ontem à noite (Foto/Divulgação)

A nova diretoria municipal da ADM (Assembleia de Deus Missões) em Campo Grande não teve chance de comemorar o resultado da eleição ontem à noite. Depois de dia de confusão e protestos de centenas de fieis contra o processo, o grupo eleito só conseguiu deixar a sede da igreja escoltado pelo Batalhão de Choque.

A chapa derrotada, que acusa o grupo do Pastor Antônio Dionizio, liderança máxima da ADM, de organizar eleição fraudulenta, diz que irá recorrer à Justiça contra o resultado da pleito.

Desde o ano passado, os integrantes viram a igreja envolvida em escândalo protagonizado pelo pastor Antônio Dionizio,  que teve seu papel de líder questionado após, segundo eles, ele ter relacionamento extraconjugal com ex-funcionária. Um vídeo com uns “tapinhas no bumbum” foi o estopim.

Desde então, a igreja se dividiu e o Pastor Dionizio começou a ter franca oposição. No dia 12 de dezembro de 2020, perdeu a presidência da Convenção Estadual de Ministros da Assembleia de Deus de Mato Grosso Sul. Ontem, corria o risco de deixar a liderança do diretório municipal da ADM, que reúne cerca de 150 congregações (igrejas menores) em Campo Grande.

A eleição municipal estava prevista inicialmente para 28 de janeiro, mas foi adiada depois que opositores do Pastor Dionizio se reuniram em frente da sede da igreja, na Rua Brilhante, querendo entrar para participação no pleito.

Ontem, o processo foi reaberto e, desta vez, os opositores encontraram seguranças em todas as portas da igreja. Por volta das 16h45, os portões foram abertos para que a votação começasse, às 17h.

Vários fieis reclamaram que foram barrados na entrada, coincidentemente, opositores da chapa apoiada pelo Pastor Dionizio.

O pastor Rudi Carlos Quintana, do setor IV (Jardim Campo Nobre), candidato a 1º tesoureirona chapa de oposição, explica que os integrantes receberam pulseiras com cores diferentes (amarela, verde e azul), separados conforme os 20 setores da igreja.

Segundo ele, a pulseira foi dada pelos supervisores desses setores e somente os apoiadores de Dionizio entraram na sede, cerca de 300 pessoas. Mais de 500 ficaram de fora. Ele publicou vários vídeos reclamando da situação com o título "AGO da Vergonha", referindo-se à sigla de Assembleia Geral Ordinária.

Outros barrados se exaltaram e vários também publicaram vídeos nas redes sociais denunciando a situação, mostrando integrantes da igreja que não puderem entrar na sede e até a assessoria jurídica da chapa de oposição a “Renova ADM CG” foi impedida, não conseguindo registrar o grupo encabeçado pelo pastor Carlos Nascimento, dono da loja Betel, para eleição.

A PM (Polícia Militar) foi acionada e os manifestantes pediram ajuda para entrar no local. Os militares disseram que não poderiam intervir. Por volta das 19h a eleição foi realizada por aclamação, ou seja, sem a votação nominal prevista anteriormente. A chapa apoiada por Dionizio foi eleita para mandato 2021.

“Essa é eleição frágil que a Justiça decidirá se é legal”, disse o pastor Rudi Carlos.

Os fieis que não puderam entrar na igreja ficaram ainda durante a noite, por volta das 20h30. Rudi Carlos diz que a maioria já tinha sido dispersada quando a PM voltou à sede da igreja.  Equipes do Choque fecharam parte da rua para que os diretoria eleita pudesse sair do prédio. A debandada geral aconteceu aproximadamente uma hora depois.

O clima de tensão, segundo os opositores, acabou afetando o pastor Miguel Quevedo, tesoureiro da igreja, mas opositor de Dionizio. No começo da tarde, quando já estava na igreja para participar do processo de eleição, passou mal e teve que ser transportado por ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). A informação preliminar é que teria sofrido AVC (Acidente Vascular Cerebral). Ele foi levado para o HU (Hospital Universitário) e não na Santa Casa como foi divulgado ontem. O estado de saúde dele era considerado estável, segundo membros da igreja.

A reportagem tentou contato com o pastor Antônio Dionizio, mas não teve retorno.

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