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Capital

Desfalque milionário em obra compraria até 3 apartamentos de luxo

Engenheiros e prestadores de serviço são investigados por desvio de R$ 5 milhões em construção de alto padrão

Por Anahi Zurutuza | 03/02/2026 20:50
Desfalque milionário em obra compraria até 3 apartamentos de luxo
Edifício Anthology, que está em construção no Jardim dos Estados (Foto: Divulgação)

O desfalque de R$ 5 milhões em obra luxuosa em Campo Grande investigado pela Polícia Civil compraria até 3 apartamentos da HVM Incorporações, empresa vítima de esquema criminoso envolvendo engenheiros e prestadores de serviços. A construtora de origem campo-grandense é dona de pelo menos 10 empreendimentos na Capital, prontos ou em construção, e anuncia imóveis com valores que variam entre R$ 1,3 milhão e R$ 2,3 milhão em classificados on-line.

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A Polícia Civil investiga um desfalque de R$ 5 milhões em uma obra de luxo em Campo Grande, que poderia comprar até três apartamentos da HVM Incorporações. O esquema criminoso envolve engenheiros e prestadores de serviços, acusados de superfaturamento e furto de materiais. A operação "Abalo Sísmico" cumpriu 11 mandados de busca e prendeu um empresário por posse ilegal de arma. Os suspeitos, incluindo dois engenheiros e três responsáveis por empresas contratadas, podem responder por furto qualificado, estelionato e lavagem de dinheiro. A HVM, que tem quatro empreendimentos no Jardim dos Estados, afirmou que está apurando o caso internamente. As investigações revelaram contratos superfaturados e prejuízos milionários à incorporadora.

Nesta terça-feira (3), a Operação Abalo Sísmico, desencadeada pela Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros), cumpriu 11 mandados de busca em residências e empresas. Seis alvos das investigações também foram comunicados de restrições impostas pela Justiça, como a proibição de se comunicarem entre eles, para que não fossem presos.

Um deles, o empresário Francisco Sobreira Pita Neto, dono de transportadora e empresa de aluguel de maquinário na Capital, foi preso por posse ilegal de arma. O Campo Grande News conseguiu o nome de outro investigado: o engenheiro civil Kembo de Souza Ganem, de 50 anos. Em currículo disponibilizado na internet, ele diz ter 27 anos de experiência em gerenciamento de projetos e para a HVM trabalha como responsável pela área técnica da companhia e na gestão de orçamentos e suprimentos, por exemplo.

De acordo com as investigações, superfaturamento de orçamentos e furtos de material que deram prejuízo milionário à incorporadora aconteceram em canteiro de obras no Jardim dos Estados. A HVM tem quatro empreendimentos no bairro, dois deles em construção e outros dois já terminados.

O edifício Downtown Boutique Studios, que ainda está sendo erguido, terá 22 andares com 220 moradias na modalidade estúdio com tamanhos de 36 a 52 metros quadrados. Já o prédio Anthology está sendo construído com 21 andares e imóveis residenciais de até 167 metros quadrados, além de 29 salas comerciais de até 229 metros quadrados. Um apartamento neste último edifício está anunciado por R$ 2.230.000,00. Ainda no Jardim dos Estados, a empresa ergueu os condomínios Dom e Três Meia Zero.

Desfalque milionário em obra compraria até 3 apartamentos de luxo
Anúncios da HVM em classificados on-line (Foto: Reprodução)

Abalo sísmico – O delegado Pedro Henrique Pillar Cunha afirma que a obra em questão começou há cerca de 1 ano e as investigações há 6 meses, após a descoberta de furtos de diversos insumos. A partir das apurações, desvendou-se então esquema de contratações superfaturadas, “incompatíveis com a realidade”, como por exemplo na análise geológica para a fundação de prédio com cálculos matemáticos adulterados.

“Há indícios de contratos superfaturados, com quantitativos absurdos, e de que tudo isso gerou prejuízo para a incorporadora de R$ 5 milhões”, informou o delegado em coletiva de imprensa.

Os suspeitos – 2 engenheiros, 3 responsáveis por empresas contratadas e 1 almoxarife – devem responder por furto qualificado mediante fraude e abuso de confiança, estelionato, associação criminosa e lavagem de capitais. Na casa de um dos alvos da operação, equipe encontrou R$ 700 mil em espécie.

Dos 11 mandados de busca, 7 foram cumpridos em Campo Grande, 2 em Votorantim (SP), 1 em Campinas (SP) e 1 em Sorocaba (SP).

Outro lado – A reportagem tentou sem sucesso contato com Francisco Sobreira e Kembo de Souza. Não foi possível localizar Francisco nos contatos disponibilizados em CNPJs (Cadastros Nacionais de Pessoa Jurídica) em nome dele. Já Kembo não respondeu mensagem enviada por WhatsApp em celular corporativo divulgado por ele em rede social. O espaço segue aberto para as defesas.

Já a HVM foi procurada por meio da assessoria de imprensa e informou apenas que “está apurando informações internamente”. O Campo Grande News aguarda posicionamento.

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