ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
MARÇO, SEXTA  20    CAMPO GRANDE 24º

Cidades

TJMS libera novos contratos públicos a empresário envolvido em desvio milionário

Investigação apura crimes de fraude à licitação, peculato, corrupção e organização criminosa em prefeituras

Por Lucia Morel | 03/02/2026 18:13
TJMS libera novos contratos públicos a empresário envolvido em desvio milionário
Servidor do Gaeco durante uma das dezenas de operações realizadas pelo grupo em 2025. (Foto: Paulo Francis)

O empresário Izolito Amador Campagna Júnior, um dos alvos da Operação Malebolge, e sua empresa, a I.A. Campagna Junior & Cia Ltda., estão liberados pela Justiça para firmar novos contratos com o Poder Público, exceto com o município de Rochedo, a 83 km de Campo Grande.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul autorizou o empresário Izolito Amador Campagna Júnior e sua empresa a firmarem novos contratos públicos, exceto com o município de Rochedo. A decisão flexibiliza medidas cautelares impostas anteriormente ao investigado na Operação Malebolge. A investigação, conduzida pelo Gaeco, apura crimes de fraude à licitação, peculato, corrupção e organização criminosa nas prefeituras de Água Clara e Rochedo. O esquema, que envolve servidores públicos, teria direcionado editais para beneficiar empresas específicas em contratos superiores a R$ 10 milhões.

A decisão foi tomada pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que concedeu parcialmente habeas corpus para flexibilizar medidas cautelares impostas anteriormente. O empresário é investigado em operação conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) que apura crimes de fraude à licitação, peculato, corrupção e organização criminosa nas prefeituras de Água Clara e Rochedo.

No pedido, a defesa sustentou que a proibição ampla de contratar com qualquer ente público era desproporcional e poderia inviabilizar definitivamente a atividade empresarial antes de um julgamento final. O argumento central aceito pela Justiça é que os fatos relacionados ao empresário referem-se exclusivamente a Rochedo, não havendo indícios de irregularidades em outras localidades.

O relator do processo, desembargador Fernando Paes de Campos, entendeu que a vedação irrestrita era excessiva para uma medida cautelar provisória. O magistrado destacou que restrições devem observar os princípios da proporcionalidade e que nem mesmo uma eventual sanção penal definitiva impõe, obrigatoriamente, a proibição genérica de contratar com todo o Poder Público.

Com o julgamento, o tribunal fixou a tese de que a medida deve ser restrita aos locais citados na investigação para evitar o risco de falência da empresa. Assim, Izolito permanece proibido de celebrar contratos apenas com a prefeitura de Rochedo, mantendo a liberdade para participar de licitações e prestar serviços em outras cidades e esferas administrativas.

Em outubro do ano passado, Izolito Amador foi absolvido, junto a servidores e outros empresários, em um processo sobre suposto desvio de R$ 13 milhões na Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) entre 2014 e 2015.

Operação – A investigação do Gaeco aponta a existência de uma organização criminosa instalada em Água Clara e Rochedo com núcleos distintos, mas com o mesmo modo de atuação. O grupo utilizava servidores públicos para fraudar o caráter competitivo de licitações, direcionando editais para beneficiar empresas do esquema em contratos que ultrapassam R$ 10 milhões.

A defesa do empresário, feita pelo advogado Tiago Bunning, explicou que na legislação penal vigente, nem mesmo em condenações definitivas há proibição de firmar novos contratos com o Poder Público. "Não é razoável impor uma medida cautelar mais grave que a própria pena", definiu.

Disse ainda que "nosso cliente participa de licitações há mais de 20 anos e jamais foi condenado por qualquer crime. Por isso pedimos uma adequação da medida ao caso, limitando a restrição de novos contratos apenas em relação ao Município onde existem contratos alvos de processo", finalizou.

Matéria editada às 14h12 para acréscimo de resposta da defesa.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.