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29/06/2015 09:28

Do choro a alegria, as histórias de ser o primeiro bebê de proveta de MS

Aline dos Santos
Orgulhosa, Regina (em pé) mostra fotos de Aline nos aniversários de um e 15 anos. (Foto: Fernando Antunes)Orgulhosa, Regina (em pé) mostra fotos de Aline nos aniversários de um e 15 anos. (Foto: Fernando Antunes)
Aos 21 anos, Aline já acha graça de ostentar o título de primeiro bebê de proveta do Estado. (Foto: Fernando Antunes)Aos 21 anos, Aline já acha graça de ostentar o título de primeiro bebê de proveta do Estado. (Foto: Fernando Antunes)

Se aos cinco anos o fato de “nascer em um tubo” era motivo de choradeira, hoje, quando completa 21 anos, Aline Caldas de Paula Neves já acha graça em ser o “feto farmacêutico”. O certo é que sempre esteve sob holofotes por carregar o título de primeiro bebê de proveta de Mato Grosso do Sul. O status rendeu visita do governador do Estado, notícia no Jornal Nacional e romaria de visitantes, que fizeram fila para ver a criança que à época era milagre da Medicina.

Quando nasceu, em 29 de junho de 1994, na Santa Casa de Campo Grande, foi citada no jornal como o bebê que chorou baixinho e economizou no sorriso. Aos 6 anos, em nova reportagem, já era uma menina “desinibida e peralta”. Aos 15 anos, mais uma vez no noticiário, resumiu que ser um fruto de fertilização in vitro era “normal”.

Aos 21 anos, lhe cai bem a definição de uma moça articulada e aplicada aos estudos. Enquanto cursa Farmácia já sonha com a pós graduação em perícia criminal e mestrado. A vida é contada em recortes de páginas de jornais.

As matérias, ao longo do tempo, auxiliaram na compreensão de que seu nascimento teve uma forcinha da tecnologia. “No prézinho, a professora estava falando de nascimento e eu falei: 'professora, eu nasci de dentro de um tubo'. Mas como só tinha cinco anos, não sabia explicar e comecei a chorar”, conta Aline.

Aliás, a estreia da bebê só não foi mais midiática porque Aline teve pressa. Regina Célia Caldas de Paula Neves, 50 anos, mãe da jovem, lembra que estava tudo preparado para o parto em 4 de julho, que, inclusive, seria gravado, mas a filha chegou antes.

Na hora, a mãe segurou nos braços o desfecho feliz de um desejo que evolveu frustração, choro, esperança, as economias do sonho da casa própria e uma rede de solidariedade. Célia casou em 1992 e no ano seguinte teve uma gravidez tubária e infecção , o resultado é que foram retiradas as duas trompas, canais que ligam o útero aos ovários.

Na ocasião, ouviu do médico uma boa e uma má notícia. A primeira era de que foi socorrida a tempo de maiores complicações. A segunda era de que não poderia ter filho do método tradicional. “Fiquei muito triste, foram quase dois meses assim. Mas o meu marido foi pesquisar. Como não tinha nada a perder, comecei o tratamento”, relata.

Na técnica, a fecundação é feita em laboratório e os embriões transferidos para o útero materno. Para custear o procedimento, o casal investiu o dinheiro guardado para comprar um imóvel e contou com ajuda de médicos e amigos. Os medicamentos vinham dos Estados Unidos, faziam escala em laboratório de São Paulo e só então eram remetidos para Campo Grande.

Regina recebeu seis óvulos e logo na primeira inseminação ficou grávida. “Na época não era evangélica, mas Deus já falava comigo. Não tinha as mínimas condições, o pagamento era em dólar, mas consegui”, recorda. Ao todo, o custo foi de cinco mil dólares.

Hoje, sonha em ver Aline protagonizando um novo ciclo, formando uma família e tendo filhos. “Porque filho é uma benção do Senhor”.

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