Ex-bancário abandonou carreira e conseguiu criar rede comercial na periferia
Ele toca em família uma loja de materiais para construção na Rua da Divisão, que corta bairros populares

Com seus mais de 3 mil metros de extensão, a Rua da Divisão faz jus ao nome sendo uma linha divisora entre bairros de Campo Grande. Entre eles estão o Parati, Guanandi, Centenário e o Aero Rancho, um dos mais populares da Capital.
RESUMO
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O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida impulsionou o crescimento da empresa Cunha Materiais para Construção, fundada há 23 anos por Edval Cunha, ex-bancário. Localizada na Rua da Divisão, em Campo Grande, a loja se destacou pela entrega rápida e pela experiência familiar, que inclui os filhos Linyker e Kimberly, que também empreendem na região. A empresa, que começou em um espaço pequeno, ampliou suas instalações e viu um aumento significativo nas vendas, especialmente durante a pandemia de covid-19. Edval atribui o sucesso ao apoio familiar e à união de experiências, com planos de expansão e investimento em vendas online para o futuro.
No endereço nasceram diversos comércios independentes, franquias e o condomínio Village Parati, que sozinho concentra mais de 2 mil casas. Construído com subsídios do programa federal Minha Casa, Minha Vida, ele foi um dos puxadores do crescimento acelerado da região.
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Assim como outros negócios abertos na rua ao longo de décadas, o Cunha Materiais para Construção se beneficiou desse cenário. É uma empresa tocada pela família do ex-bancário Edval Cunha, de 56 anos.

Tudo começou há 23 anos, numa lojinha simples montada num terreno comprado após o empresário abandonar a área financeira e o emprego em um comércio de ração animal que teve depois. Na época, não havia asfalto e nem o grande condomínio.
A empresa se consolidou em um ano. A esposa, Sandra Alves Cunha, decidiu fechar o salão de beleza que havia montado ao lado e se juntou a Edval.
Para dar certo em pouco tempo, o empreendimento não contou só com sorte. O empresário estreante estava bem informado de que o ramo era bom e contou com o conhecimento de um primo ex-funcionário de outra empresa de materiais de construção. Eles trabalharam juntos desde o início.
“Meu primo sabia tudo sobre os produtos, as marcas e o uso. Isso fez diferença até para o atendimento. Ele sabia explicar bem aos clientes”, conta o empresário. O conjunto acabou fazendo a Cunha sair na frente de outras duas lojas de materiais de construção que a Rua da Divisão já tinha.

Os filhos Linyker e Kimberly eram crianças quando o casal Sandra e Edval uniu-se também nos negócios. Vendo os pais trabalharem, aprenderam desde pequenos sobre tubulações, pisos, parafusos e toda a variedade vendida na loja.
Programa habitacional e pandemia
O que mais impulsionou a empresa foi o programa Minha Casa, Minha Vida, criado em 2009 pelo Governo Federal. “A melhor oportunidade que tivemos para crescer. Hoje dá orgulho de andar e ver as casas construídas com nossa mercadoria”, confirma o fundador.
Sete anos após abrir as portas, a loja foi ampliada e passou a ter 100 m². Os filhos começaram a trabalhar junto aos pais e outros parentes foram contratados para atender à alta demanda.
A pandemia de covid-19 deu um segundo impulso. A mudança de comportamento forçada pelas restrições sanitárias fez com que as pessoas olhassem mais para dentro de casa e investissem em reformas. “Teve mês que as vendas aumentaram em 70%”, completa Edval.

O que fez o Cunha ganhar a preferência de muitos clientes da região foi a entrega rápida. “Enquanto outros demoram até cinco dias, a gente começou a entregar em até 24 horas”, diz Kimberly.
Em mais de duas décadas em atividade, a família diz que não teve tempo ruim. São 14 funcionários contratados atualmente.
Primeiro de múltiplos negócios
Kimberly e Lyniker estão com 30 e 32 anos, respectivamente. Eles continuam dando uma mão no depósito, enquanto também investem nos próprios negócios abertos na Rua da Divisão.
A cafeteria Diga Xis é da filha e o salão de beleza Pronta em 10 é do filho. As empresas ficam na galeria que o pai e a mãe construíram quase na esquina da primeira loja da família.
As empresas da família Cunha seguem se multiplicando. Dois irmãos de Edval também decidiram empreender na rua, montando cada um a sua loja de presentes.
Tudo à família
O ex-bancário se lembra das origens humildes e credita todo sucesso ao apoio da família. Seus avós e pais eram de Minas Gerais, trabalhavam na roça e migraram para Mato Grosso do Sul por uma vida melhor. Uma casa pequena no Bairro Piratininga foi a única segurança que tiveram ao se mudarem para Campo Grande.
A loja Cunha é uma homenagem às raízes que Edval se emociona ao falar. Ele cresceu valorizando as pessoas que o amparam em momentos difíceis.
“Hoje, nós sentamos e discutimos tranquilamente tudo em família. Sempre achei que duas cabeças pensam melhor do que uma. Nossos filhos estão sempre nos puxando com novas ideias e assim funciona muito bem”, ele diz.
Os próximos passos são decididos com cautela, uma qualidade que o filho de mineiros aprendeu a ter trabalhando no banco. Uma das possibilidades é ampliar a loja; outra é investir mais nas vendas online.
Netinha de Sandra e Edval, Ísis tem 7 anos e é promessa para a sucessão. “Ela diz: ‘vou trabalhar no Cunha quando eu crescer’”, conta o casal, animado com a possibilidade.
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