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Capital

Influencer se entrega à polícia e diz que condenação por tráfico é perseguição

Alisson publica vídeo após repercussão de palestra em escola e afirma que a sentença foi revertida

Por Gabi Cenciarelli | 12/03/2026 17:30


RESUMO

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O influenciador digital Alisson Benitez Grance, conhecido como "Du Mato", se entregou à polícia em Campo Grande após condenação a 8 anos e 2 meses por tráfico de drogas. Ele alega inocência e afirma que a condenação se baseia apenas em uma impressão digital encontrada em fita adesiva usada para embalar drogas. Segundo a defesa, o caso gerou três processos distintos, todos baseados na mesma apreensão. Du Mato sustenta que a fita pode ter sido furtada de sua loja em 2021, quando registrou boletim de ocorrência por arrombamento. O influenciador, que realizava palestras em escolas, nega envolvimento com o tráfico e afirma ser vítima de perseguição.


O influenciador digital Alisson Benitez Grance, conhecido nas redes sociais como “Du Mato”, se entregou no fim da tarde desta quinta-feira (12), em Campo Grande. Contra ele havia mandado de prisão definitivo após condenação a 8 anos e 2 meses de prisão por tráfico de drogas.

O advogado Luiz Kevin Barbosa afirmou que a entrega foi organizada para evitar qualquer tipo de abordagem policial inesperada. Segundo ele, Du Mato estava em uma casa no Bairro Pioneiros quando decidiu se apresentar. O defensor foi até o local e pediu apoio de uma equipe policial para que a condução fosse feita com segurança.

“Ele se entregou. Eu chamei a polícia até o local para levá-lo com segurança", disse. Ainda de acordo com o advogado, havia viaturas nas proximidades aguardando a saída do influenciador, o que motivou a articulação para que a apresentação ocorresse de forma organizada.

Influencer se entrega à polícia e diz que condenação por tráfico é perseguição

Horas antes de se apresentar à polícia, ele conversou com exclusividade com o Campo Grande News e afirmou que pretende cumprir a decisão judicial, mas sustenta que a condenação é injusta e diz ser alvo de perseguição desde o início de 2025.

Segundo Du Mato, a investigação que resultou na condenação teria sido construída a partir de uma única prova: uma impressão digital encontrada em uma fita adesiva usada para embalar drogas enviadas pelos Correios.

Ele afirma que a fita pode ter vindo de um lote de materiais furtados de sua loja em 2021.

Na época, o influenciador mantinha um comércio na Rua da Divisão, em Campo Grande. Em dezembro daquele ano, o local foi arrombado e, segundo ele, diversos produtos foram levados, incluindo rolos de fita adesiva.

“Arrombaram meu comércio, furtaram várias fitas adesivas e todo o dinheiro que eu tinha no caixa. No mesmo dia eu registrei boletim de ocorrência”, relatou.

Algum tempo depois, ele afirma ter sido surpreendido com processos criminais relacionados a remessas de drogas enviadas pelos Correios. A ligação com o caso, segundo a investigação, ocorreu após a perícia identificar uma impressão digital dele em uma fita usada na embalagem de maconha.

Du Mato nega qualquer participação no envio das drogas. “Pegaram meu celular e encontraram alguma conversa traficando? Não. Existe alguma prova de que eu cometi crime? Não”, disse.

Três processos do mesmo caso - O advogado dele, Luiz Kevin Barbosa, afirmou que o caso gerou três processos distintos, todos baseados na mesma apreensão de drogas.

Segundo a defesa, as investigações identificaram várias remessas de entorpecentes enviadas pelos Correios e a presença da digital do influenciador em um dos pacotes acabou sendo utilizada para vinculá-lo aos demais.

“A investigação encontrou uma digital dele em um pacote e começaram a usar essa digital para citar ele nos outros processos”, explicou o advogado.

Ainda de acordo com a defesa, Du Mato chegou a ser absolvido em alguns desses processos. Em um deles, decisão recente teria apontado que não havia elementos que comprovassem sequer que ele esteve em agência dos Correios ou teve contato com as drogas apreendidas.

“Não tem nada que comprove que ele sequer chegou perto de uma droga”, afirmou o advogado.

Mandado de prisão - A condenação que resultou no mandado de prisão foi determinada após recurso do Ministério Público, que reformou uma decisão anterior.

Du Mato afirma que não tinha conhecimento da ordem judicial até que o caso passou a circular nas redes sociais. “Eu fiquei sabendo que eu tava foragido no dia do vídeo do vereador. Eu não fui intimado dessa decisão”, disse.

Apesar de contestar a condenação, ele afirmou que não pretende fugir da Justiça.

“Eu não sou contra a Justiça. Eu sou a favor da Justiça. Sem justiça não existe sociedade democrática”, declarou.

Ele também disse ter receio de sofrer abusos durante a prisão. “Eu vim para o interior porque tenho medo dessa perseguição se transformar em algum abuso policial contra mim.”

Horas depois da entrevista, ele se apresentou espontaneamente na Depac Cepol.

Palestras e atuação social - A repercussão do caso começou após a divulgação de que o influenciador participou de uma palestra na Escola Estadual Valdemir Barros da Silva, na Moreninha 1, durante o Dia Internacional da Mulher.

Segundo ele, a atividade faz parte de um projeto voltado a incentivar jovens da periferia a ingressarem na universidade.

“Criamos um projeto chamado ‘Da Quebrada à Universidade’. A gente vai nas escolas públicas explicar como entrar na universidade e quais auxílios existem para os estudantes.”

Na palestra, Du Mato afirma que falou sobre violência contra mulheres e sobre como padrões de masculinidade podem contribuir para a reprodução dessas agressões.

Registro antigo de violência doméstica - Durante a entrevista, o influenciador também comentou um boletim de ocorrência registrado por uma ex-namorada há cerca de 12 anos.

Segundo ele, o caso nunca resultou em processo judicial e agora é usado para prejudicá-lo. “Eu nunca respondi processo por violência doméstica. O que existiu foi um boletim de ocorrência há mais de 12 anos,” afirmou.

Ele diz que procurou a delegacia na época para prestar esclarecimento. Du Mato afirmou ainda que participa de iniciativas voltadas ao combate à violência contra mulheres.

“Eu participo de palestras justamente para discutir essas violências e mostrar que a gente precisa mudar essa realidade.”

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