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Capital

Em 15 dias, 5 mulheres foram mortas e 3 delas enterradas por assassinos

Filipa, Laís e Elisiane tiveram os corpos descartados em covas clandestinas e outras duas foram assassinadas

Por Anahi Zurutuza | 19/08/2021 18:27
Filipa, Laís e Elisiane foram assassinadas em circunstâncias parecidas, num intervalo de 15 dias. (Fotos: Reprodução das redes sociais)
Filipa, Laís e Elisiane foram assassinadas em circunstâncias parecidas, num intervalo de 15 dias. (Fotos: Reprodução das redes sociais)

Em cenários muito parecidos e num intervalo aterrador de 15 dias, três mulheres foram encontradas mortas e enterradas em Mato Grosso do Sul. Outra coincidência trágica: duas delas, segundo as investigações, foram vítimas dos companheiros. No terceiro crime, que começou a ser desvendado na tarde desta quinta-feira (19), o ex-marido também é o principal suspeito.

Dentre as diferenças, estão os quilômetros de distância que separam um assassinato do outro. O primeiro corpo descoberto, no dia 4 deste mês, em Sonora – a 364 km de Campo Grande –, foi o de Laís de Jesus Cruz. Morta aos 29 anos pelo marido, o personal trainer Pabilo dos Santos Trindade, 35, segundo a apuração policial, ela deixou filha de 9 e um menino de 2 anos.

Para a polícia, Pabilo matou a mulher asfixiada com um golpe mata-leão, depois de dar pancada na cabeça de mulher com objeto que a fez sangrar. O corpo foi escondido em buraco que o personal mandou abrir nos fundos da residência do casal, na Rua Dolores Terezinha Miranda, Bairro Flávio Derzi, com a desculpa que precisava instalar fossa no imóvel.

Já denunciado na Justiça, ele responderá pelos crimes de feminicídio, fraude processual e ocultação de cadáver. Pabilo nega o assassinato.

Buraco onde corpo de Laís de Jesus Cruz foi encontrado. (Foto: Sidney Assis/Arquivo)
Buraco onde corpo de Laís de Jesus Cruz foi encontrado. (Foto: Sidney Assis/Arquivo)

Mal o sul-mato-grossense havia recuperado o fôlego dos detalhes repulsivos de um feminicídio, no dia seguinte, a cerca de 260 km do primeiro, um segundo cadáver feminino foi desenterrado. O corpo de Elisiane da Silva Alves, de 40 anos, foi encontrado em cova rasa, numa fazenda de Chapadão do Sul.

O auxiliar de mecânico José Edilson Ramo da Silva, de 34 anos, companheiro da vítima, foi preso, após confessar o crime para a família e a polícia ser avisada por anônimo. Amigas da vítima registraram o desaparecimento dela, na terça-feira (3), já suspeitando que José Edilson tivesse relação com o sumiço. A investigação levou até ele, que tentou culpar outra pessoa pela morte, mas admitiu ter enterrado o corpo de Elisiane.

Vestígios de sangue foram encontrados na oficina onde José trabalhava e o casal foi visto pela última vez, no dia 1º de agosto, contrariando a versão de que a mulher foi morta por um homem conhecido como "Baianinho" em avenida.

Apesar do carro do mecânico ter sido lavado com ajuda do luminol (substância que reage à presença de sangue e libera luz azulada), a polícia também identificou sangue. O material foi enviado para exame de DNA, que vai comprovar se o fluído é ou não de Elisiane.

Corpo de Elisiane estava enterrado em vala aberta em lavoura, numa fazenda de Chapadão do Sul. (Foto: PCMS/Divulgação)
Corpo de Elisiane estava enterrado em vala aberta em lavoura, numa fazenda de Chapadão do Sul. (Foto: PCMS/Divulgação)

Mais uma - Filipa Moreno Ojeda, 33, estava desaparecida há mais tempo, a aproximadamente 520 km de Chapadão do Sul. Desde maio, a família a procurava e nesta quinta-feira (19), ela foi encontrada.

O corpo foi “descartado”, também em cova rasa, nos fundos da casa localizada na Carmelo Puléo, no Jardim Primor, onde a vítima morava com Emiliano Adulfo Lopes Fernandes. Ele ainda não foi encontrado e é o principal suspeito.

Local onde corpo de Filipa foi encontrado em quintal de casa, em Ponta Porã. (Foto: Divulgação)
Local onde corpo de Filipa foi encontrado em quintal de casa, em Ponta Porã. (Foto: Divulgação)

Estatística – Engana-se quem acha que houve pausa entre os dias 4 e 19. Neste intervalo, pelo menos 200 mulheres foram vítimas de violência doméstica em Mato Grosso do Sul, conforme estatísticas geradas pela Sejusp (Secretaria de Estado de Segurança) com base nos registros de boletins de ocorrência. São 13 denúncias por dia.

Nestes mesmos 15 dias, além de Laís, Elisiane e Filipa, outras duas mulheres foram assassinadas em circunstâncias que enquadram os crimes como feminicídio, uma delas em Campo Grande.

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