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Capital

Em audiência sobre morte do "Playboy", choro do pai e rota traçada até os Name

Na 1ª audiência do caso, defesa de réu tentou mostrar caráter temperamental da vítima, Marcel Colombo, morto a tiros em 2018

Por Silvia Frias | 08/02/2021 21:18
Joel Colombo presta depoimento sobre a morte do filho, no Fórum de Campo Grande (Foto/Reprodução)
Joel Colombo presta depoimento sobre a morte do filho, no Fórum de Campo Grande (Foto/Reprodução)

Na primeira audiência sobre a morte de Marcel Costa Hernandes Colombo, conhecido como “Playboy da Mansão”, executado a tiros em outubro de 2018, a Polícia Civil buscou evidenciar a ligação dos acusados de integrar a milícia comanda por Jamil Name e Jamil Name Filho com o crime,  mostrando que ele vigiado pelo grupo, enquanto a defesa do homem conhecido como “Velho” quis demonstrar o caráter explosivo da vítima, que poderia ter outros algozes, além do réu.

Também foi ouvido, mas como informante no processo, o pai de Marcel, o empresário Joel Hernandes Colombo, que disse ter questionado o filho sobre desavença com Jamil Name Filho, o “Jamilzinho”, briga apontada na investigação da Polícia Civil como o motivo da execução. Relata ter ouvido de Marcel a breve explicação que não gostaria de comentar o assunto e que o filho afirmou que preferia mantê-lo “no esquecimento” para “continuar a viver”.

Juiz (acima), advogados e promotores em audiência, por videoconferência (Foto/Reprodução)
Juiz (acima), advogados e promotores em audiência, por videoconferência (Foto/Reprodução)

A audiência foi marcada pela 2ª Vara do Tribunal do Júri. Na sessão, foram  listadas, pelo menos, 14 testemunhas, entre familiares e amigos de Marcel Colombo, além dos delegados que participaram de diversas fases da investigação da Operação Omertà, esta, que apura a atuação da milícia armada, comanda por Jamil Name e Jamil Name Filho. Os dois estão no Presídio Federal de Mossoró (RN).

No início do interrogatório das testemunhas, a tia de Marcel Colombo, Liliana Costa relatou que o sobrinho foi avisado de que estava sendo ameaçado de morte por Jamilzinho. O alerta teria chegado por meio da ex-mulher do empresário, em contato feito com a namorada do “Playboy”. O motivo seria a briga ocorrido dentro de boate, em 2016, por conta de balde de gelo, que tomou proporções por conta de insultos e, possivelmente, uso de álcool. Liliana relata frase de Colombo: “eu não levo desaforo para casa, ele me insultou muito”

O advogado Ércio Quaresma Firpe, que representa Jamil Name Filho, questionou a tia da vítima sobre os “desaforos” e quais outras situações semelhantes Colombo não os teria “levado para casa”. Liliana rebateu dizendo que isso não corresponde ao que estava sendo tratado e, diante da insistência de Firpe, o juiz Aluizio Pereira dos Santos interferiu, dizendo que a vítima não estava sendo julgada.

Por meio das perguntas feitas à testemunha, o advogado falou sobre o lapso temporal de 30 meses, entre a briga na boate a execução, ocorrida no dia 18 de outubro de 2018 e da suposta ameaça, que teria ocorrido quase dois anos depois da briga.

Firpe também quis detalhar o caráter temperamental de Marcel Colombo com a testemunha seguinte, o corretor de imóveis Tiago Santana Gomes, que conheceu o “Playboy da Mansão” em 2015. Em depoimento, disse que eram amigos, saíam juntos, mas que a amizade esfriou depois que o corretor começou a namorar.

Marcel Colombo foi assassinado aos 31 anos, em 2018 (Foto/Reprodução)
Marcel Colombo foi assassinado aos 31 anos, em 2018 (Foto/Reprodução)

O advogado o questionou se Colombo realmente “não levava desaforo para casa”, o que foi confirmado pela testemunha. “Não, não levava”. Novamente, foi interrompido pelo juiz e dessa vez, se justificou. “Quero saber do comportamento do Marcel, em quantas outras pessoas ele deu na cara? em quantas outras pessoas ele bateu?. Isso é importante para o processo, porque estão dizendo que, por conta de uma briga há dois anos e meio para trás meu cliente mandou matar alguém, quero saber quem é a vítima”.

O promotor Douglas Oldegardo disse que entendia a linha da defesa, mas pediu mais objetividade nas perguntas. Questionado novamente, a testemunha disse que nunca esteve presente nas brigas, mas soube que Marcel Colombo “já arranjou confusão com pelo menos seis pessoas”.

Ameaça – Joel Hernandes Colombo foi o próximo a prestar depoimento. Emocionado, lembrou a conversa com o filho, quando perguntou sobre a briga com Jamilzinho, dois anos depois do ocorrido. Disse que falou sobre o assunto pois, somente nesta época, ficou sabendo que a briga teria sido com o empresário e que o filho corria risco de vida. “Fui até ele pedir informações, me disse ‘pai, preciso viver, continuar minha vida, não gostaria de ficar comentando sobre esse assunto, senão, eu não vivo. Por favor, me entenda, me respeita que eu quero manter isso no esquecimento”.

No depoimento dele também foi citada a tentativa de reconciliação, ocorrida quase dois anos depois. O pai recebeu relato de terceiros que Marcel estava no mesmo bar que “Jamilzinho”, foi até ele, pediu desculpas e estendeu a mão. O gesto ficou no ar, enquanto o empresário teria dito apenas “segue a sua vida que eu sigo a minha”.

Execução aconteceu na madrugada de 18 de outubro de 2018, em bar de Campo Grande (Foto/Reprodução)
Execução aconteceu na madrugada de 18 de outubro de 2018, em bar de Campo Grande (Foto/Reprodução)

Investigação – O depoimento chegou à madrugada do crime, com relato de Erick Batista, amigo da vítima desde 2017 e com quem havia iniciado trabalhou havia pouco tempo. Os dois estavam em um bar, em reunião com Thiago do Nascimento Bento.

Batista disse não ter visto o homem que fez os disparos se aproximar. Acreditou que os primeiros estampidos eram fogos, por conta de partida de futebol. “Aí ouvi a sequência de disparos, me joguei no chão. Quando olhei, vi que o Marcel estava desfalecendo; peguei ele pela cabeça, falei para ele não dormir. Outro rapaz falou ‘não tem mais nada para fazer, ele já morreu’”. Em seguida, Batista socorreu o outro amigo, o levou ao banheiro e viuque o rapaz havia sido atingido no joelho.

Busca – A audiência entrou na fase dos depoimentos da investigação. O delegado Tiago Macedo dos Santos falou sobre a quebra do sigilo telemático (telefonia/informática) de três de vários processo da Operação Omertà, apontados como integrantes da milícia: os ex-guardas civis Marcelo Rios e Juanil Miranda Lima e o policial federal Everaldo Monteiro de Assis).

Em relação a Juanil, a investigação identificou 50 pesquisas feitas por ele, no dia 16 de outubro de 2018, sobre Marcel Colombo, além de buscas sobre o endereço da vítima. Depois que a vítima fez check-in no bar, o ex-guarda pesquisou o endereço do local, rotas e fotos do estabelecimento. “Logo depois do crime, o Juanil pesquisou o nome do Marcel, a partir da 0h50 repetidas vezes”, contou, horário posterior à execução.

Marcelo Rios, segundo a investigação, também fez buscas durante a madrugada, após a morte do “Playboy”, até às 7h39, resultado em 68 pesquisas. Sobre Everaldo de Assis, havia citação sobre Marcel Colombo em um email. A investigação apontou, ainda, o bilhete entregue por detento do Presídio Federal de Mossoró que descreve conversas entre os Names, e sobre a arma usada no crime, que teria sido ocultada por Rafael Antunes Vieira, outro réu nas ações da Omertà.

As defesas dos citados interpelaram o delegado, questionando pontos da investigação. No momento mais tenso, Tiago Macedo e advogado Ercio Quaresma Firpe elevaram o tom do interrogatório, com troca de frases mais contundentes, o que levou a intervenção do juiz.

Dos réus citados, apenas Everaldo Maciel pode ser visto no local, acompanhando a audiência com o advogado, o ex-juiz federal Odilon de Oliveira.

Outras duas audiência ainda estão prevista sobre o caso, marcadas para os dias 18 e 23 de fevereiro.

Histórico – A lista de denunciados é formada por Jamil Name, Jamil Name Filho, José Moreira Freires, Juanil Miranda Lima, o ex-guarda municipal Marcelo Rios, o policial federal afastado Everaldo Monteiro de Assis e o também ex-guarda, Rafael Antunes Vieira.

 Jamil Name e o filho são apontados como os mandantes. Enquanto José, Everaldo e Marcelo intermediaram e Juanil foi o executor.

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