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Capital

Em carta, Fahd diz ser um idoso doente e "sob perseguição de criminosos”

Fahd Jamil estava foragido desde 18 de junho de 2020, quando foi alvo da operação Omertà

Por Aline dos Santos, Marta Ferreira e Bruna Marques | 19/04/2021 09:49
Momento da chegada de aeronave que trouxe Fahd Jamil para se entregar. (Foto: Henrique Kawaminami)
Momento da chegada de aeronave que trouxe Fahd Jamil para se entregar. (Foto: Henrique Kawaminami)

Foragido desde 18 de junho de 2020, o empresário Fahd Jamil Georges, 79 anos, mmais conhecido como Rei da Fronteira, se entregou hoje (dia 19) à operação Omertà, onde é réu por organização criminosa, tráfico de arma de fogo, obstrução de Justiça e corrupção. Em carta aberta à sociedade, ele destaca ser “bastante divulgado que sempre colaborei para o equilíbrio da segurança da região da fronteira”.

No documento, divulgado pelo advogado de defesa André Borges, Fahd ainda narra ser "idoso, doente e sob perseguição de criminosos". Ele destaca não ter antecedentes criminais, estar aposentado e ser sustentado pelos filhos.

Por isso tudo, pretendendo zelar pelos meus direitos nos processos em curso, tomei a decisão de me apresentar na unidade local do Garras [Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros], em mais uma atitude de consideração pelos poderes públicos em geral”, diz no texto.

No aeroporto Santa Maria, na saída para Três Lagoas, em Campo Grande, onde aguardava o desembarque do foragido, o advogado Gustavo Badaró, que veio de São Paulo para a apresentação, disse que Fahd Jamil, que completa 80 anos em junho, está com a saúde fragilizada  e precisa de tratamento de oxigenoterapia, não disponível no presídio.

“Ele está mais debilitado de saúde, praticamente não saía de casa. Só viajava para São Paulo para fazer acompanhamento e tratamento, o que não pôde fazer nesses últimos meses”, afirma Badaró.

Viatura leva Fahd Jamil, o Rei da Fronteira, no banco traseiro. (Foto: Henrique Kawaminami)
Viatura leva Fahd Jamil, o Rei da Fronteira, no banco traseiro. (Foto: Henrique Kawaminami)

A defesa tenta recurso no STJ (Superior Tribunal de Justiça) para que ele fique em prisão domiciliar.  “Optamos para que ele se apresentasse, isso diminui a suposição de que poderia fugir ou não cumprir decisão judicial. Ele vai fazer 80 anos, tem vários problemas de saúde”, diz o advogado.

A investigação da Omertà aponta que a cidade de Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, é base de organização criminosa que conta com milícia armada de assassinos profissionais.

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) informa que chegou ao grupo durante as investigações contra Jamil Name e Jamil Name Filho, que foram presos na primeira fase da ação, em setembro de 2019, e são acusados de liderar organização criminosa com base em Campo Grande.

Veja a carta na íntegra:

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