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Campo Grande, Quinta-feira, 25 de Abril de 2019

24/01/2019 14:24

Em disputa por área, famílias são despejadas e casas demolidas

Batalhão de Choque acompanha ação que começou no início desta quinta-feira

Mayara Bueno e Mirian Machado
Casa já com partes derrubadas na área localizada na MS-010. (Foto: Marina Pacheco).Casa já com partes derrubadas na área localizada na MS-010. (Foto: Marina Pacheco).

Moradores da zona rural, às margens da MS-010, saída para Rochedinho, em Campo Grande, sofrem ação de despejo desde o início da manhã desta quinta-feira (dia 24). Ao menos 27 famílias moram na região, que é questionada na Justiça há alguns anos. No começo de 2019, decisão judicial ordenou a retirada delas.

Com máquinas, homens começaram a derrubar as casas por volta das 6 horas de hoje, segundo relatos de Solange Ferreira Silveira, 40 anos, que morava em uma das chácaras com o marido e a filha de 12 anos. Desolada, a mulher conta que desde o dia 14 o oficial de justiça ia ao local para informar sobre a remoção e que o Batalhão de Choque, que executa a ordem, deu até às 18 horas de hoje para que todos deixem a área.

Ainda de acordo com Solange, a família está no local há três anos porque foi contratada pelos então donos, que ela diz não ter contato direto. Mesmo que não tenham investido na casa, os moradores tinham horta de onde retiravam a maioria dos alimentos, além de muitos animais, cuja produção era vendida.

A família diz cuidar do lugar que também tem piscina e salão de festas. A chácara é alugada para eventos e servia de renda  extra ao salário recebido por serem caseiros. À reportagem, a moradora disse que não tem para onde ir e que a irmã cedeu a varanda para que ela possa colocar parte de suas coisas. Além disso, Solange contou que, no momento que soube da remoção, estava indo ao médico para tratar do câncer de útero que enfrenta.

Do Batalhão de Choque, o policial que se identificou apenas como capitão Rocha afirmou que há três semanas existe tentativa de mediação com os moradores. Ele conta que são 35 chácaras, que somam 10 quilômetros. Cada uma das casas erguidas, está sendo demolida pelos homens.

Madeira, telhado e resto de casa derrubada. (Foto: Marina Pacheco).Madeira, telhado e resto de casa derrubada. (Foto: Marina Pacheco).
Carreta com móveis e objetos dos moradores despejados. (Foto: Marina Pacheco).Carreta com móveis e objetos dos moradores despejados. (Foto: Marina Pacheco).
À esquerda, máquina para demolir ao lado da viatura do Batalhão de Choque. (Foto: Marina Pacheco).À esquerda, máquina para demolir ao lado da viatura do Batalhão de Choque. (Foto: Marina Pacheco).

Caso – Um dia depois da reportagem do Campo Grande News, publicada em 13 de janeiro de 2019, sobre a situação das famílias, a Justiça chegou a suspender a ordem de despejo. Contudo, a determinação de reintegração voltou a valer e, por isso, foi cumprida nesta quinta-feira, segundo uma das moradoras que não quis se identificar.

No começo da tarde, ela relatou que as máquinas voltaram ao local para terminar de demolir o restante das residências. No caso dela, um caminhão para levar sua mudança era aguardado.

Na consulta judicial, aparece um processo envolvendo a área desde 2008. Contudo, em documento liberado em 2017, o homem que se apresentou como dono da propriedade rural, que foi dividida em vários lotes, entrou com um pedido de medida liminar.

Ele afirmou que havia, por parte do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), uma manifestação “equivocada” de desapropriação em relação à localização da área e também afirma que, sobre o local, foi aberta “a sucessão e o domínio e a posse da herança foram transferidos aos herdeiros legítimos” antes de tal documento.



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