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Campo Grande, Terça-feira, 21 de Agosto de 2018

26/12/2016 18:45

Em ritmo de tartaruga, tapa-buracos vira ‘lenda urbana’ nos bairros

Se vias de grande fluxo estão tomadas por buracos, situação em ruas menos movimentadas é ainda pior

Marcus Moura
Na Avenida Eduardo Elias Zahran, uma das vias mais movimentadas da Capital, os buracos representam perigo aos motoristas (Foto: Marcus Moura)Na Avenida Eduardo Elias Zahran, uma das vias mais movimentadas da Capital, os buracos representam perigo aos motoristas (Foto: Marcus Moura)

Em apenas 450 metros, na Rua João Guilhermo Sória Y Banes, no Residencial Oiti, região da saída para Três Lagoas, é possível contar 60 buracos. Típico exemplo da buraqueira que toma conta das ruas da Capital, em vias de grande fluxo e nos bairros, e que vai 'festejar' a chegada do ano novo junto com os campo-grandenses, uma vez que o serviço de tapa-buracos não dá conta do tamanho do problema na cidade.

Se ruas movimentadas da cidade os motoristas sofrem costurando o tráfego para evitar os buracos, em alguns bairros o serviço de tapa-buracos é considerado "lenda urbana".

Na Rua Caxias do Sul, no bairro Coronel Antonino, uma 'piscina' causa vários transtornos aos motoristas e moradores da região. Segundo o pedreiro José Moreira dos Santos, 59, essa é a pior fase da história da cidade."Nunca vi minha cidade tão feia, e não é só o asfalto, se olharmos para a saúde dá vontade de chorar", descreve.

Também no Residencial Oiti, a Rua Ponta Grossa tem 42 buracos em pouco mais de 500 metros. Segundo a dona de casa, Aristéa Miranda, o serviço de tapa buraco nunca passou pela rua. "Eles vão até a Avenida João Arinos, aqui no bairro eles não entram, a gente já até ouviu falar, mas aqui, isso é lenda urbana", descreve ela. Aristéa também reclama da falta de iluminação na rua. "Obra aqui não chega, mas experimenta atrasar o IPTU, eles te acham rapidinho", acrescenta.

O paranaense Adevanil Santana está impressionado com a quantidade de buracos. "Eu nunca vi uma cidade com tantos buracos, não importa o bairro, onde você for, vai encontrar alguns buracos", descreve.

No Carandá Bosque, bairro do prefeito eleito, Marquinhos Trad (PSD), a situação é uma das piores. A quantidade e tamanho dos buracos expõem ao perigo os motoristas que circulam na região. Na Rua Pedro Martins os moradores improvisaram uma sinalização com galhos secos de árvores, a cratera do local tem aproximadamente 30 cm de profundidade. 

O cruzamento das Ruas Estefania e Sagitária é abrigo do maior buraco encontrado pela equipe do Campo Grande News nesta segunda-feira (26), são aproximadamente 40 centímetros de profundidade. Os moradores da região já taparam o buraco com terra, porém toda vez que chove a água leva tudo. Ainda no Carandá Bosque, a Rua Usi Tomi é outra recordista no quesito buraco, ao todo são 46. A via já recebeu o serviço de tapa-buracos, porém os buracos voltaram a aparecer. 

Cansados de esperar providências do poder público, campo-grandenses se uniram em grupos no WhatsApp para trocar informações com fotos sobre os locais que representam maiores risco na cidade. O difícil é encontrar alguma via que não tenha buraco. Avenidas como Mato Grosso, Fábio Zahran que tem grande fluxo de veículos sofrem com a falta de manutenção e quem está na linha de risco é o condutor. 

 Na Rua Estefania, o buraco já foi sinalizado e os moradores afirmam já ter reclamado na prefeitura, porém até o momento nada mudou. (Foto: Marcus Moura) Na Rua Estefania, o buraco já foi sinalizado e os moradores afirmam já ter reclamado na prefeitura, porém até o momento nada mudou. (Foto: Marcus Moura)
Além da cratera de quase 40 cm, é possível contar 14 buracos no cruzamento. (Foto: Marcus Moura) Além da cratera de quase 40 cm, é possível contar 14 buracos no cruzamento. (Foto: Marcus Moura)

Na Rua Centauria, no Bairro Chácara Cachoeira, a cratera aberta no asfalto gera dor de cabeça para os comerciantes da região. Segundo o empresário Ronaldo Borges, que possuí uma academia bem em frente ao buraco, o serviço de tapa-buracos passou pelo local há quase 1 mês.

"Eles vieram, recortaram o asfalto, taparam 40% do buraco maior e foram embora. Eu questionei o porquê deles não terminarem o serviço e eles disseram que não tinham mais material para fazer o serviço e, que, voltariam no outro dia. Estou esperando até agora. Quando chove a rua vira um rio de lama, quando faz muito sol a poeira invade a minha academia. Eu moro em Campo Grande desde 1961, nunca vi a cidade tão abandonada como agora. É muito incompetência do poder executivo", descreve ele.

No local, é possível ver os recortes feito no asfalto para a manutenção da via. (Marcus Moura)No local, é possível ver os recortes feito no asfalto para a manutenção da via. (Marcus Moura)
Os recortes foram feitos, porém a equipe não retornou mais no local. (Foto: Marcus Moura)Os recortes foram feitos, porém a equipe não retornou mais no local. (Foto: Marcus Moura)

A prefeitura municipal informou que está realizando o serviço de tapa-buracos somente com equipe própria, em caráter de emergência. No dia 27 de Setembro, a justiça suspendeu a ordem de serviço nos trabalhos de tapa-buraco por ter encontrado irregularidades nos contratos.

A administração municipal aguarda a manifestação da Justiça para dar ordem de serviço imediatamente, o processo tramita na 2ª vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos de Campo Grande.

A Seintrha não divulgou a lista dos bairros que estão recebendo o serviço da tapa-buraco com equipe própria da prefeitura.

Quanto Custa? - Números da Prefeitura de Campo Grande revelam que, atualmente, o serviço de tapa-buracos na cidade custa ao menos R$ 1,5 milhão por mês. Se colocar tudo na ponta do lápis e considerar que vários buracos tapados há poucos meses ressurgem nas ruas, causando prejuízos aos motoristas, a prática expõe uma deficiência no serviço e o desperdício de verba pública.

Proibição pela Câmara - Em relação à lei promulgada pela Câmara de Vereadores, que proíbe a realização do serviço de tapa buracos durante o dia, em ruas de grande fluxo, a administração municipal entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, por entender que o poder legislativo não pode interferir em assuntos relativos ao poder executivo. Além disso, o serviço noturno aumenta os custos do serviço de tapa-buracos.

Ainda segundo a Prefeitura, a referida lei não leva em conta que o serviço noturno aumenta os custos e que isso não está previsto em nenhum contrato da administração municipal.




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