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Capital

Emoção e reconhecimento no adeus a Ricardo Trad: último romântico do júri

Por Aline dos Santos | 01/02/2017 08:33
Ricardo Trad (em pé) atua no caso da morte da miss Campo Grande. (Foto: Reprodução/Marcos Ermínio)
Ricardo Trad (em pé) atua no caso da morte da miss Campo Grande. (Foto: Reprodução/Marcos Ermínio)
Exemplo: José conta que atuação do pai influenciou todos os filhos a optar pelo Direito .(Foto: Marcos Ermínio)
Exemplo: José conta que atuação do pai influenciou todos os filhos a optar pelo Direito .(Foto: Marcos Ermínio)

Saudades, emoção, reconhecimento e uma constatação se espalham pelo velório do advogado Ricardo Trad: morreu o último romântico do júri. A despedida ao criminalista, que morreu ontem (dia 31 de janeiro) aos 74 anos, após um aneurisma na aorta abdominal, acontece numa das salas do Tribunal do Júri de Campo Grande, lugar onde Ricardo Trad fez história e fama.

“Morreu o último romântico do Tribunal do Júri. O Ricardo tinha habilidade de colocar de maneira técnica e emotiva. Era muito interessante ver a sua atuação”, afirma o advogado André Borges.

Um dos casos de repercussão nacional foi a absolvição de um homem denunciado por matar a esposa, miss Campo Grande. Para o resultado, foi decisivo uma carta psicografada por Chico Xavier.

A atuação profissional de Ricardo influenciou os cinco filhos, todos advogados. “Meu pai foi um homem que lutou com todas as forças dele pela família, pelas causas que abraçou e pela vida. Deixa um legado na advocacia e também um legado de amor”, salienta o advogado José Belga Trad.

Ele ainda destaca a dedicação do pai ao trabalho. “Era um advogado que fazia muito mais do que prestar o serviço de advocacia, carregava no colo aqueles que batiam à sua porta com dor”, diz José. Pai e filho atuaram juntos em julgamento, como o caso de um procurador aposentado acusado de matar o sobrinho.

Sobrinho de Ricardo, o advogado Fábio Trad recorda que ele foi vereador de Campo Grande por seis anos, entre 1976 e 1982, e comandou, quando tinha 24 anos, a secretaria estadual de Indústria e Comércio.

Mas, enquanto o irmão Nelson Trad enveredou pela política, Ricardo optou pela advocacia. “É uma perda irreparável para a história do Tribunal do Júri no Brasil”, afirma Fábio, ex-deputado federal e ex-presidente da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil).

Ontem, no Facebook, o prefeito da Capital, Marquinhos Trad (PSD), sobrinho de Ricardo, lamentou a morte.

“Com imensa dor, quero externar meu profundo sentimento, juntamente com minha esposa e filhas, diante do falecimento de meu tio, Ricardo Trad. Homem exemplar que sempre honrou nossa terra. Que Deus o abrace na sua eterna sabedoria”.

Ricardo Trad é velado no Tribunal do Júri, localizado na Rua da Paz, 14. O sepultamento será às 14h no cemitério Parque da Primaveras, na avenida Filinto Müller, 460.

Histórico – Marcado pela utilização de uma carta psicografada pelo médium Chico Xavier, o julgamento de João Marcondes de Deus, acusado de matar, em 1980, a esposa Gleide Dutra de Deus, eleita miss Campo Grande em 1975, atraiu a imprensa nacional e foi acompanhado até por uma equipe de rede de televisão francesa. O primeiro júri foi em 1985 e o acusado absolvido.

A assistência de acusação recorreu e novo julgamento foi realizado em 1990. Os jurados consideraram o crime como homicídio culposo (sem intenção) por imperícia no manuseio da arma de fogo. O crime prescreveu por tempo e a punibilidade foi extinta.

Fábio Trad (de paletó) recebe cumprimento de pêsames. "Perda irreparável). (Foto: Marcos Ermínio)
Fábio Trad (de paletó) recebe cumprimento de pêsames. "Perda irreparável). (Foto: Marcos Ermínio)
Para Borges, Ricardo tinha capacidade técnica e emotiva nos julgamentos. (Foto: Marcos Ermínio)
Para Borges, Ricardo tinha capacidade técnica e emotiva nos julgamentos. (Foto: Marcos Ermínio)
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