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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

22/06/2016 10:31

Entre índios e autoridades, cacique Enir recebe últimas homenagens

Alberto Dias
Velório da indígena acontece na aldeia urbana que ajudou a fundar. (Foto: Marcos Ermínio) Velório da indígena acontece na aldeia urbana que ajudou a fundar. (Foto: Marcos Ermínio)

No Memorial da Cultura Indígena que ajudou a construir, Enir Terena recebe o adeus de sua comunidade e homenagens, muitas homenagens. Por ali, até a manhã desta quarta-feira (22) passaram ao menos 300 pessoas, desde às 23 horas do dia anterior, quando teve início o velório da primeira cacique mulher do Brasil e fundadora da aldeia urbana Marçal de Souza, em Campo Grande. As 15 coroas de flores que a ladeiam, enviadas por entidades, políticos e autoridades, representam bem a importância de uma mulher que lutou, entre índios e brancos, pela igualdade e união.

Hoje bem cedo, o ex-prefeito Nelson Trad Filho (PDT) compareceu ao velório para o último adeus. Outro amigo era o ex-prefeito e governador André Puccinelli (PMDB), que enviou o filho para representá-lo e disse aos familiares que se chegar a tempo de Brasília irá ao sepultamento. "A relação dos dois era de muita intimidade, de brincar um com o outro, de sonhar junto", afirmou André Puccinelli Júnior, ressaltando que a amizade dela com seu pai se fortaleceu durante os oito anos em que Puccinelli foi prefeito.

Representando a Câmara Municipal, estava Ademar Vieira Junior, o Coringa (PSD), que chegou acompanhado de vários indígenas. "Vai ser difícil um outro líder como ela. Enir se torna agora um símbolo de liderança e resistência", ressaltou o parlamentar. Entre os presentes, uma afirmação parecia unânime: a luta de Enir em reunir os povos indígenas por um ideal comum. Talvez esta missão tenha se cumprido justamente com sua morte ao reunir, em seu velório, os líderes das várias etnias que sempre tentou unir.


Mãe de sete filhos, Enir Bezerra da Silva foi embora cedo, aos 61 anos. Nesta manhã, o clima de despedida trazia à tona histórias de luta e vitória. Para o filho Josiel da Silva, 33 anos, a característica da mãe era a capacidade de transitar no meio político independente de partido. Já a neta Samara Marina Bezerra, de 17 anos, recepcionava as pessoas, demonstrando ter herdado da avó o traquejo com o público. "Minha avó tinha uma vida pública e seu legado é de coragem, garra, perseverança e a luta pela sua gente", disse.

O sepultamento acontece às 16 horas, no cemitério Jardim da Paz, que fica na saída para Sidrolândia.

História - Com sobrenome da etnia que sempre representou, Enir Terena nasceu no dia 8 e março de 1955, na Aldeia Limão Verde, no município de Aquidauana. Veio para Campo Grande e aqui se transformou em uma das maiores lideranças indígenas do Estado. Quando foi eleita cacique, em 2008, declarou que sempre "quebrou protocolos" desde que começou a lutar pela aldeia. Durante muito tempo, trabalhou na "feira das índias", como é conhecido o espaço que comercializa produtos vindos das aldeias, em frente ao Mercadão Municipal.



Enir nos mostrou que podemos sim lutar pelos nossos direitos e conquistá-los de forma pacífica, sem agressões, apenas com diálogo, exemplificando a verdadeira natureza indígena. Que sua luta, sua história, sirva de espelho para as lideranças nos conflitos que acontecem no estado. Se queremos terra, então plantemos; chega de barbaries; chega de mortes em vão. Enir Terena, nos deixou, mas lutou com dignidade por nós, respeitando e sendo respeitada. A comunidade Marçal de Souza te agradece pela sua liderança, vá em paz. Missão cumprida!
 
Guerreiro em 22/06/2016 13:51:48
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