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13/04/2014 13:37

Entrei por amor e não pela dor, diz representante de movimento

Viviane Oliveira
Raquel Ferraro, que está de bolsa preta. Ela é representante no Estado do Movimento Nacional Pelo Fim da Impunidade. (Foto: Cleber Gellio) Raquel Ferraro, que está de bolsa preta. Ela é representante no Estado do Movimento Nacional Pelo Fim da Impunidade. (Foto: Cleber Gellio)
A aposentada Therezinha participa de todas as caminhadas pela paz. (Foto: Cleber Gellio) A aposentada Therezinha participa de todas as caminhadas pela paz. (Foto: Cleber Gellio)

Entrei por amor e não pela dor. A frase é de Raquel Ferraro, representante no Estado do Movimento Nacional Pelo Fim da Impunidade. Ela e mais um grupo de pessoas abraçaram a causa sem ter perdido nenhum familiar ou amigo para a violência. “Todo mundo deveria apoiar o movimento que é do bem”.

Raquel contou que quatro dias antes da morte de Breno e Leonardo criou o movimento. Desde então, ela acompanha todas as famílias que perderam alguém para a criminalidade. “Não queremos deixar histórias tão trágicas cair no esquecimento”, afirma.

O depoimento dela foi nesta manhã (13), durante a “Caminhada para o amor”, realizada pelas Mães da Fronteira em apoio à família do empresário Erlon Peterson Pereira Bernal, 32 anos. Ele foi assassinado brutalmente por um bando especializado em roubo de carros.

A aposentada Therezinha Selem, 74 anos, também não perdeu ninguém, mas foi para a rua apoiar a caminhada. Para ela, que é mãe e avó, não tem nada mais dramático do que uma mãe perder o filho, ainda mais de forma violenta. “A sociedade precisa se unir para dizer que não está satisfeita com a segurança pública”, destaca.

Com um cartaz: Campo Grande clama por justiça, o economista Jordelei Cabral, 50 anos, tem acompanhado a luta dos movimentos pelo fim da impunidade. “Campo Grande clama por justiça. Nós precisamos proteger nossos filhos”, diz, acrescentando que a luta é de toda a sociedade.

A concentração para a caminhada foi na frente da Prefeitura e reuniu várias famílias. De lá, cerca de 500 pessoas, conforme a Polícia Militar, foram até o Parque das Nações Indígenas. Lá, as famílias fizeram um ato público para pedir por justiça, respeito, amor e paz.

Durante ato a bandeira do Brasil foi hasteada. (Foto: Cleber Gellio) Durante ato a bandeira do Brasil foi hasteada. (Foto: Cleber Gellio)
Dois balões foram soltos no céu para simbolizar as pessoas que foram embora, vítimas da violência. (Foto: Cleber Gellio) Dois balões foram soltos no céu para simbolizar as pessoas que foram embora, vítimas da violência. (Foto: Cleber Gellio)

No palanque, as mães de Breno e Leonardo disseram o quanto estavam torcendo para que Erlon fosse encontrado com vida. “Nós esperamos por 12h, a família esperou por cinco dias para receber uma notícia horrorosa”, diz Ângela Fernandes, mãe de Leonardo.

O ato terminou depois que tocou o Hino Nacional. Dois balões foram soltos no céu para simbolizar as pessoas que foram embora, vítimas da violência. “Ao saber da morte de Erlon, nós voltamos naquele dia que acharam os corpos dos nossos filhos e a dor rasgou, novamente, por dentro”, finaliza, Lilian, mãe de Breno.

Movimento - O movimento Mães da Fronteira foi criado pelas mães de Breno e Leonardo, logo após o assassinato dos jovens, em agosto de 2012.

Os meninos foram sequestrados quando saíam do 21 Bar e Lazer, próximo a Rua Ceará. Eles estavam em uma caminhonete Pajero, foram espancados e mortos. O veículo seria levado para a Bolívia.

Caso Erlon - O empresário saiu de casa no início da tarde de terça-feira (1º) deste mês, para mostrar o veículo a um suposto comprador, que tomou conhecimento da venda através de um site de compras na internet. O ponto de encontro entre a vítima e os acusados foi a rotatória da Avenida Interlagos, na saída para São Paulo.

De lá os homens levaram o empresário para o bairro São Jorge da Lagoa, onde ele foi morto no quintal, com um tiro na nuca e enterrado em uma fossa séptica, onde o corpo foi encontrado pela Polícia Civil no domingo (6).




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