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Capital

Enxurrada derruba muro, "fura" parede e invade casas em aldeia urbana

Em Campo Grande choveu 73,2 milímetros de água, o que equivale a quase metade do esperado para todo o mês de 174,20 mm

Por Fernanda Palheta e Clayton Neves | 21/02/2020 14:08
Colchão estendido na varanda da casa de Jonas que teve a casa alagada pela chuva  (Foto: Marcos Maluf)
Colchão estendido na varanda da casa de Jonas que teve a casa alagada pela chuva (Foto: Marcos Maluf)

Pelo menos 12 famílias da Aldeia Água Bonita, na região norte de Campo Grande, foram invadidas pela enxurrada causada pela chuva da tarde desta quinta-feira (20). A força da água que veio de bairros como o Nova Lima, destruiu muro, furou parede e invadiu casas no local.

O dia seguinte da tempestade, que acumulou 73,2 milímetros de água e equivalem a quase metade do esperado para todo o mês, de 174,20mm, foi de limpeza e reparos. Este foi o caso da família do morador Jonas Dias, de 68 anos. Um carrinho ajudava a transportar baldes e utensílios domésticos.

Segundo ele, a água chegou a 60 centímetros de profundidade. "A água ficou acima do vaso do banheiro, parecia um rio bravo. Não deu para salvar nada", conta. Entre o prejuízo estão roupas, armários, colchão e geladeira. Sem condições de permanecer no local, ele decidiu abandonar a casa. "Vou para casa da minha filha", afirma".

Enxurrada destruiu cerca 12 metros do muro (Foto: Marcos Maluf)
Enxurrada destruiu cerca 12 metros do muro (Foto: Marcos Maluf)

O açougueiro, Lourival de Oliveira, de 42 anos, conta que não estava na aldeia quando a chuva começou. "Minha filha me ligou avisando que estava inundando tudo e voltei, quando cheguei a lama já estava em toda a casa", conta. Ele ainda relata que a força da água destruiu cerca 12 metros do muro que fica no fundo da casa.

"Toda vez que chove isso acontece isso, inunda. Mas essa foi a primeira vez que foi uma coisa grave". Além de derrubar o muro da casa, a chuva ainda comprometeu a estrutura da casa de Dorival, que ficou rachada. Como medida paliativa, a família usou madeiras e ferros para dar apoio a parede. " A água subiu cerca de 60 centímetros. A gente fica com muito medo da chuva e dela vir mais forte", conta.

A força da enxurrada chegou a furar a base da parede da casa (Foto: Marcos Maluf)
A força da enxurrada chegou a furar a base da parede da casa (Foto: Marcos Maluf)

Já na casa do servente de pedreiro, Alfredo Correa Chavier, de 45 anos, passou a manhã desta sexta-feira limpando a casa, que também alagou. "Foi um apuro para gente, a água subiu cerca de 60 centímetros". A força da enxurrada chegou a "furar" a base da parede da casa. E para conter a entrada da água, ele colocou duas tabuas na porta.

A família da moradora, Suiani Marques Cândido, de 26 anos, perdeu tudo o que tinha, desde roupas até colchão. "A gente não sabe oq ue fazer, de ontem para hoje tivemos que dormir na cama molhada. Ela ainda conta no ano passado, a filha ficou doente depois de usar roupas que molharam em uma enxurrada.

A cacique Alicinda Ribeiro, conta que das cerca de 60 família moram na parte da Aldeia que foi afetada pela chuva, 12 perderam tudo. "Toda vez que chove é assim. Isso desestrutura as famílias, é uma vergonha", diz. "Aqui os moradores evitam sair de casa quando chove, porque se saem quando voltam a casa esta inundada. A chuva assombra a gente", completa.