Esquema milionário de venda de veículos enganou até policial
Investigação aponta que esquema atingiu desde trabalhadores comuns até servidores públicos e agente federal
Preso preventivamente por suspeita de comandar uma sequência de golpes envolvendo a venda e a intermediação de veículos de alto valor, Higor de Sousa Regis agora passa a ser o centro de uma série de relatos que expõem a dimensão do prejuízo causado às vítimas. Processos judiciais e inquérito policial apontam que o estelionatário faturou mais de R$ 1 milhão em pouco mais de dois meses, atingindo desde trabalhadores comuns até servidores públicos e um policial federal.
RESUMO
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Higor de Sousa Regis foi preso preventivamente em Campo Grande, suspeito de comandar uma série de golpes na venda e intermediação de veículos de luxo. As investigações apontam que ele causou prejuízos milionários a dezenas de vítimas em apenas dois meses. O suspeito abordava proprietários que anunciavam veículos em plataformas digitais, prometendo compradores com cartas de crédito. Após receber os automóveis e procurações, revendia-os a terceiros sem repassar os valores aos donos originais. Os prejuízos individuais variaram de R$ 14 mil a R$ 300 mil, atingindo desde trabalhadores comuns até servidores públicos.
O padrão se repete nos relatos reunidos pela Polícia Civil e pelo Judiciário. Higor se apresentava como proprietário de uma garagem e abordava pessoas que anunciavam veículos em plataformas digitais. Com discurso convincente, afirmava já ter compradores interessados, geralmente amparados por cartas de crédito ou consórcios contemplados. A promessa era de pagamento em poucos dias, desde que o veículo fosse entregue antecipadamente, muitas vezes acompanhado de procuração para transferência.
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Em um dos casos investigados, o valor do negócio ultrapassava R$ 300 mil. A vítima entregou o veículo acreditando que receberia ao menos metade do valor de imediato, o que não ocorreu. O automóvel acabou transferido para terceiros, enquanto o pagamento jamais foi realizado. Em outro episódio, um servidor público federal teve prejuízo de cerca de R$ 97 mil após confiar na mesma promessa de liberação de crédito.
Há registros ainda de golpes que variam de R$ 14 mil até cifras superiores a R$ 140 mil por veículo. Em uma das ações judiciais, o valor ajustado para a venda era de R$ 142 mil. Após a entrega do automóvel, a empresa de Higor assinou uma confissão de dívida de R$ 100 mil, parcelada em duas vezes, mas nenhuma das parcelas foi quitada.
Em outro processo, o acordo previa o pagamento de R$ 134,9 mil, com entrada de 10% e o restante em até 20 dias úteis. O carro, porém, foi revendido no mesmo dia por valor inferior ao combinado, e o dinheiro nunca chegou ao proprietário original.
As vítimas relatam que, após o vencimento dos prazos, o contato com Higor se tornava cada vez mais difícil. Mensagens sem resposta, promessas vagas de que “iria resolver” e sucessivos adiamentos marcaram o desfecho das negociações. Em alguns casos, a descoberta de que o veículo já havia sido transferido para terceiros ocorreu apenas após consultas em sistemas oficiais.

O impacto financeiro foi devastador para parte dos lesados. Um dos processos descreve que a vítima, além de perder mais de R$ 80 mil, passou a acumular dívidas bancárias expressivas, com saldo negativo em conta e cartão de crédito comprometido. A situação levou ao pedido de gratuidade da Justiça, diante da impossibilidade de arcar com custas processuais.
De acordo com a Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários), Higor é investigado por mais de 30 crimes de estelionato em pouco mais de dois meses. Há mais de dez processos em que ele figura como réu, a maioria envolvendo veículos avaliados em valores superiores a R$ 100 mil. O modo de atuação, segundo a polícia, demonstra reiteração criminosa e abuso de confiança das vítimas.
A prisão preventiva foi decretada após o avanço das investigações, que apontam que os veículos eram rapidamente repassados a terceiros, enquanto os valores das vendas não eram repassados aos verdadeiros proprietários. As apurações seguem em andamento para identificar o destino do dinheiro e ampliar a lista de vítimas.
A reportagem tentou encontrar algum advogado que representa o Higor, mas sem sucesso. O espaço encontra-se aberto.
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