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Capital

Família acredita que morte de homem com mais de 10 facadas foi latrocínio

Parentes contestam versão de facções e dizem que pertences sumiram após crime no Nova Campo Grande

Por Gabi Cenciarelli e Maria Gabriela Arcanjo | 29/08/2025 18:45
Família acredita que morte de homem com mais de 10 facadas foi latrocínio
Velório de Leo, onde familiares se reuniram (Foto: Paulo Francis)

Foi só nesta sexta-feira (29) que a família conseguiu se despedir de Leonardo Henrique da Silva Torres, de 26 anos, assassinado a facadas na Rua 21, Bairro Nova Campo Grande, em Campo Grande. Ele foi morto na madrugada de sábado (23), mas o corpo permaneceu quase uma semana no IML (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) e só agora foi liberado para o velório.

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Homem assassinado em Campo Grande teve corpo liberado para velório após quase uma semana. A família contesta a versão inicial de ligação com facções criminosas e afirma que o crime foi um latrocínio. A vítima, descrita como trabalhadora e vaidosa, foi encontrada sem seus pertences, incluindo dinheiro, celular e joias. A irmã da vítima busca respostas e justiça, questionando quem levou seu irmão para a casa onde ocorreu o crime e quem mais esteve envolvido. A polícia prendeu um casal suspeito, que apresentou versões conflitantes sobre o ocorrido. Enquanto a investigação prossegue, a família pede que o caso seja tratado como latrocínio, considerando a ausência dos pertences da vítima.

A cerimônia foi intimista, mas cercada de amigos e familiares muito emocionados e revoltados. De acordo com a família, Leonardo foi vítima de latrocínio, o roubo seguido de morte, e não de briga de facções, como apontou inicialmente a investigação.

“Seguraram meu filho sete dias no IML. Levaram o dinheiro dele, levaram tudo. Depois de morto ainda pediram PIX para o patrão. Isso foi latrocínio, eu provo para qualquer um. Quero limpar a imagem do meu filho porque ele não era do crime, era trabalhador, ajudava todo mundo e cuidava da família. Meu filho está irreconhecível no caixão”, desabafou o pai, Raphael Müller, em lágrimas.

Família acredita que morte de homem com mais de 10 facadas foi latrocínio
Raphael Müller, pai do homem que foi assassinado (Foto: Paulo Francis)

A irmã, Dayana Silva, também reforçou a versão. Segundo ela, Leonardo estava com tênis original, corrente, relógio, óculos de valor, celular e dinheiro em espécie. “Nada disso foi encontrado. Só em PIX foram mais de R$ 1 mil, em transações de R$ 300, R$ 500. Ele sempre teve o costume de pagar pros amigos, dizia: ‘deixa que eu compro, deixa que eu pago’”, disse.

Dayana contou ainda que esteve na delegacia levando informações novas sobre os passos do irmão antes de sair do trabalho na sexta-feira (22). Com isso, segundo ela, o dia anterior ao crime também vai passar a ser investigado.

O patrão de Leonardo, Lúcio Brandão Leal, também contestou a versão de envolvimento com facções e destacou o perfil trabalhador do rapaz. “O Léo era excepcional. Trabalhava comigo desde os 17 anos, sempre pontual, respeitador, ajudava em tudo. Almoçava na minha casa, convivia com meus filhos, era parte da família. Todo mundo no meio de eventos conhecia e gostava dele. Era comunicativo, fazia amizade em minutos. Esse era o Léo.”

Família acredita que morte de homem com mais de 10 facadas foi latrocínio
Local onde ocorreu o crime, no Nova Campo Grande (Foto: arquivo / Marcos Maluf)

Investigação e prisões - Inicialmente, a suspeita era de que Leonardo tivesse sido morto em razão de briga de facções. Segundo boletim de ocorrência, ele estaria com o casal ingerindo bebida alcoólica quando eles viram uma foto no celular em que ele fazia gesto associado ao Comando Vermelho. A partir daí começaram as agressões, registradas em vídeo.

Horas depois do assassinato, a Polícia Militar localizou Talia Loraine de Oliveira em uma casa a menos de um quilômetro do local. O comparsa, Maikon Aparecido Oliveira Bezerra da Silva, conhecido como “Di Menor”, foi encontrado pelo GOI (Grupo de Operações e Investigações) na casa da irmã, onde já cumpria monitoramento por tornozeleira eletrônica.

No primeiro relato à polícia, Maikon disse que Talia iniciou os golpes e que ele agiu “no embalo”, mas depois se arrependeu. Ele ainda afirmou que a mulher vendia drogas para pagar aluguel, mas em depoimento formal optou pelo silêncio. Já Talia confessou a autoria das facadas, alegando legítima defesa.

Família acredita que morte de homem com mais de 10 facadas foi latrocínio
Talia confessou o crime e alegou legítima defesa (Foto: Reprodução | Facebook)

Os dois foram autuados em flagrante por homicídio qualificado e aguardam audiência de custódia. A mulher tem passagens por vias de fato e furto, enquanto Maikon acumula registros por tráfico, roubo, furto e ameaça.

Enquanto a investigação oficial ainda trabalha com a versão inicial de briga de facções, a família insiste: foi latrocínio, já que nada de Leonardo foi encontrado e até pedidos de dinheiro foram feitos após sua morte.

Família acredita que morte de homem com mais de 10 facadas foi latrocínio
Maikon foi preso na casa da irmã e era monitorado por tornozeleira eletrônica (Foto: Direto das Ruas)

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