Grupo de pagode de Campo Grande influenciou Raça Negra nos anos 90
Grupo gravou a música Vida Cigana em versão pagode em 1998, antes mesmo de ela ganhar projeção nacional
Entre a década de 1990 e os anos 2000, um grupo de pagode de Campo Grande embalou festas, programas de TV e eventos por todo Mato Grosso do Sul. O ‘Só pra Descontrair’ se tornou importante nome do gênero na região, com músicas autorais, discos gravados e apresentações que atraíam multidões.
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O grupo de pagode "Só pra Descontrair", de Campo Grande, marcou a cena musical de Mato Grosso do Sul entre 1990 e 2000. Com músicas autorais e apresentações que lotavam praças e bares da capital, a banda chegou a gravar uma versão de "Vida Cigana", de Geraldo Espíndola, antes mesmo do grupo Raça Negra. Fundado em 1993, o grupo manteve-se ativo por duas décadas, realizando shows memoráveis, incluindo um Carnaval na Avenida Afonso Pena que reuniu milhares de pessoas. O declínio do pagode e a ascensão do sertanejo universitário na região contribuíram para o fim da banda, que deixou sua marca na história musical do estado.
Uma dessas lembranças voltou à tona em um vídeo publicado no Facebook pela página ‘Rádio Pub Samba 360’. As imagens mostram o grupo se apresentando em um programa de televisão durante o Carnaval do ano 2000, época em que o pagode vivia um de seus momentos mais populares no Estado.
Segundo o vocalista e fundador da banda, Sidney Guerreiro, a formação do grupo foi longa. Ao todo, duas décadas dedicadas ao samba. “Em termos do grupo foram 20 anos. Eu, na música, já somava 25. A gente gravou CDs com músicas inéditas e fez muita coisa autoral”, lembra.
Entre as canções que marcaram a história da banda está “Vida Cigana”, composição do sul-mato-grossense Geraldo Espíndola. O grupo gravou a música em versão pagode em 1998, antes mesmo de ela ganhar projeção nacional com o grupo Raça Negra.
Sidney conta que chegou a entregar o CD do Só pra Descontrair nas mãos de Luís Carlos, vocalista do grupo Raça Negra, quando eles estiveram na Expogrande.
“Eu levei o CD para ele no antigo Hotel Campo Grande e pedi uma força. Depois fiquei feliz porque eles regravaram ‘Vida Cigana’ nos mesmos moldes que a gente tinha feito. Só colocaram um pouco mais de ritmo. Uma produção nossa daqui acabou indo para o Brasil inteiro”, conta.
O Só pra Descontrair nasceu em 1993, após uma mudança de nome. Inicialmente, o grupo se chamava “Só Pra Contrariar”, mas decidiu alterar a identidade depois que a banda mineira Só Pra Contrariar ganhou projeção nacional. “Como já estávamos conhecidos aqui, surgiu o nome Só pra Descontrair. A partir daí foi só sucesso”, diz Sidney.
A formação inicial tinha o próprio Sidney, além de Eduardo e Júnior, acompanhados por uma banda completa com bateria, saxofone, teclado e percussão.
Naquela época, os shows eram frequentes em bares e nas praças da Capital. Um dos pontos marcantes era o tradicional Bar do Zé, no Centro, onde a banda tocava todos os sábados. “Ali o couro comia do meio-dia até umas quatro da tarde. O comércio fechava e o pessoal ia para a calçada assistir. Era um movimento enorme”, recorda.
A Praça Ari Coelho também era palco frequente das apresentações de domingo, quando o Centro de Campo Grande ficava lotado de gente. “Não tinha espaço. Era uma multidão esperando os shows, não só o nosso, mas de várias bandas locais que se apresentavam na Praça”, detalha.
Entre as apresentações mais marcantes da carreira está um Carnaval realizado na região da Avenida Afonso Pena, próximo ao Parque das Nações Indígenas. Sidney lembra que o evento reuniu um público impressionante. “Foi entre 96 e 97, mais ou menos. Tinha milhares de pessoas. Foi o maior público que pegamos aqui no Estado”, relata.
Segundo ele, naquela época, o sucesso era construído de forma bem diferente de hoje. “Não tinha Orkut, Facebook ou Instagram. Era tudo no boca a boca e mesmo assim, a gente tinha um fã-clube com cerca de 450 a 500 meninas que acompanhavam os shows”, revela.
Apesar do sucesso, o grupo acabou. Sidney explica que a queda do movimento do samba e a força do sertanejo universitário na região influenciaram na decisão.
“O movimento do samba deu uma caída. O sertanejo veio muito forte e os empresários passaram a investir mais nele. Aí um foi desanimando, outro precisou trabalhar, e o grupo acabou. Dá saudade, porque a gente fez parte da história do Estado”, comenta.
Mesmo assim, ele acredita que o gênero ainda tem espaço em Mato Grosso do Sul. “Tem muito talento aqui no pagode. Falta investimento e mais espaço para mostrar,” finaliza.
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