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24/10/2014 18:33

Família vai à Justiça por leite especial à criança que não anda nem fala

Lidiane Kober
Victor Eduardo depende do leite, ingerido por sonda, para se alimentar (Foto: Alcides Neto)Victor Eduardo depende do leite, ingerido por sonda, para se alimentar (Foto: Alcides Neto)

A família do pequeno Victor Eduardo, 4 anos, luta na Justiça para conseguir R$ 450 por mês para bancar leite especial ao menino. Por conta de erro médico, ele nasceu com problemas de saúde e, hoje, não anda, não fala, tem idade mental de um bebê e só se alimenta por sonda. O leite é o único que o corpo da criança aceita e, além dele, a família gasta R$ 240 mensais em fraldas e precisa comprar seis tipos de medicação.

“Minha gestação foi normal, mas, o bebê passou do tempo, ficou muito tempo na barriga, nasceu sem respirar e, para piorar a situação, teve três convulsões”, contou a mãe, Lane Capricce, de 26 anos. O resultado, segundo ela, foi a “lesão da maior parte do cérebro”. “Hoje, meu filho não anda, não fala, mal sustenta o pescoço e tem microcefalia (quando o tamanho da cabeça não acompanha o crescimento do corpo)”, completou.

Diante dos problemas, Victor depende de um boton, uma espécie de sonda, instalado na região abdominal, para se alimentar. O leite custa R$ 37 e dura 2,5 dias, conforme a mãe. “Já tentamos dar outros mais baratos, mas o meu filho não se adaptou e vomita todos”, lamentou.

Pelo tamanho, o menino também precisa de fraldas especiais, toma oito medicamentos por dia e suplemento alimentar. “Um pacote (de fralda) custa R$ 40 e dura por cinco dias. Entre os medicamentos, ganhamos do SUS (Sistema Único de Saúde) dois e os demais compramos”, relatou Lane.

Tudo isso, a família paga com a renda de R$ 1,3 mil do pai, o auxiliar administrativo, Edimar Batista de Oliveira, de 29 anos. “Vivemos encostados a beira de ajuda de um e outro e o pior é que não temos perspectiva nenhuma de crescer para poder dar uma qualidade de vida melhor ao nosso filho, estamos de mãos atadas. Isso é muito triste”, disse a mãe.

Por causa de erro médico, menino não anda, nem fala (Foto: Alcides Neto)Por causa de erro médico, menino não anda, nem fala (Foto: Alcides Neto)
Boton foi colocado na região abdominal da criança (Foto: Alcides Neto)Boton foi colocado na região abdominal da criança (Foto: Alcides Neto)

Mesmo diante das dificuldades, segundo ela, a família não conta com nenhum tipo de ajuda do governo. “Não temos nem um vale-abraço”, contou. No início do ano, eles foram à Sesau (Secretaria de Saúde), à Casa de Saúde e à Defensoria Pública atrás de encaminhamentos para requisitar ao Governo Federal ajuda para pagar o leite do menino.

“Mesmo com a presença de laudos médicos e comprovando os gastos, o juiz disse que não está claro que o Victor necessita do leite e o pedido foi negado”, afirmou Lane. Ela recorreu da decisão em junho e, até agora, não obtiveram resposta.

O sonho da família, de acordo com a mãe de Victor, é conseguir do governo apoio financeiro para o marido conseguir ter pelo menos a perspectiva de fazer uma faculdade “para crescer na vida”. “Hoje, o Victor estuda em uma escolinha, lá recebe o atendimento mínimo, mas o certo seria ter mais acesso a fisioterapia, fonoaudiologia para ter melhor qualidade de vida”, ponderou. 



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