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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

16/08/2013 07:00

Família vive no sítio, no meio de megas prédios e a 200 metros da 14

Elverson Cardozo
Julio vive desde criança no sítio e não abandona a propriedade por nada. (Foto: Cleber Gellio)Julio vive desde criança no sítio e não abandona a propriedade por nada. (Foto: Cleber Gellio)
Família vive no sítio, no meio de megas prédios e a 200 metros da 14

Fácil ouvir que Campo Grande é uma Capital com cara de interior. Difícil é encontrar alguém que discorde. É fato. Mas a cidade, que completa 114 anos no próximo dia 26, já não é tão interiorana assim. São 805.397 mil habitantes, segundo a última estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Apesar disso, a “fama”, avalie, faz sentido. Mesmo como crescimento, há quem mantém, ainda hoje, mais de um século depois, um estilo de vida, digamos, mais rústico. Julio Barbosa Lugo é um desses. Ele tem 53 anos e há mais de 35 vive em um sítio, próximo do centro e a 200 metros da Rua 14 de Julho, com a esposa e os dois filhos.

A propriedade fica no São Francisco, de frente a uma rotatória, na avenida Ernesto Geisel, quase esquina com a Euler de Azevedo. A área, que lembra fazenda, gera imenso contraste com os residenciais modernos construídos na região.

Julio cresceu ali, junto com os avós, em uma época onde o mato, as árvores, os bichos e a terra eram as principais – e únicas - atrações. Aprendeu “muita coisa”, como costuma dizer.

Se hoje sabe roçar, capinar e “mexer com essas coisas de fazenda”, foi graças ao estilo de vida que levava. Se hoje gosta de tranquilidade, do contato com a natureza, com as galinhas e cachorros que cria, é por causa disso. Se hoje gosta de comida no fogão à lenha e prefere beber água do poço, também é por conta disso.

Sitiante ainda gosta de cozinhar no fogão à lenha. (Foto: Cleber Gellio)Sitiante ainda gosta de cozinhar no fogão à lenha. (Foto: Cleber Gellio)

Julio não mudou, nem quer mudar, mas viu a região onde mora se transformar lentamente. O asfalto chegou e, com ele, a loucura do trânsito. Apareceram vizinhos, “modernos”, mais barulhentos. Tudo mudou. Mas, da cerca para dentro, pouca coisa foi alterada. O bem-estar, apesar dos anos, continua a ser o mesmo. É por isso que ele não troca o local por nada.

“Para mim é uma maravilha porque, veja bem, estou com 53 anos e, desde guri, usufruo disso aqui, disse. Ele mora em uma área de 1 mil m², cedida pela mãe, que herdou parte dos terrenos dos pais, já falecidos.

Dona Aline Barbosa Lugo, 73 anos, vive nos fundos e conhece a propriedade, de 3,5 hectares, como a palma de suas mãos. Foi criada ali, desde os 4 anos. “Daqui vou sair só para o campo santo, onde ficam os mortos”, disse ela, categórica. “Aqui eu vivi minha infância. Era uma chácara onde convive com meus pais. É um sossego, uma paz e tranquilidade”.

Dona Aline modernizou a casa. Não tem mais velharia,  mas gosta de viver na propriedade que tem o sossego de uma fazenda. (Foto: Cleber Gellio)Dona Aline modernizou a casa. Não tem mais "velharia", mas gosta de viver na propriedade que tem o sossego de uma fazenda. (Foto: Cleber Gellio)

Aline também lembra do passado, da época em que a energia elétrica era um sonho e fogão à gás, uma lenda. “Era lampião e lenha”, resumiu.

As dificuldades passaram e a tecnologia contribuiu. Diferente do filho, a aposentada, hoje viúva, faz questão de aproveitar as “modernidades”. Na casa de 8 peças, só tem móveis novos. Nada de “velharia”.

Não tem tranqueira no imóvel, mas tem ar de tranquilidade. Faz bem para ele contar que, no quintal de casa, possuiu dois pés de jatobás centenários, e que ali, vira e mexe, aparece capivara, “lagarto que come ovo” e até gambá.

Dona Aline também gosta de dizer que, apesar do desenvolvimento, tem uma vizinhança abençoada. É cercada por religiosos. O Tribunal Eclesiástico da Igreja Católica fica ao lado. Nas proximidades também existe uma faculdade de teologia.

A mesma região é residência de freiras franciscanas e padres palotinos. “Não vendo. Penso em deixar para os netos”, respondeu, quando foi questionada sobre uma possível proposta.

Julio a mãe e o pé de jatobá centenário. (Foto: Cleber Gellio)Julio a mãe e o pé de jatobá centenário. (Foto: Cleber Gellio)

Logo que os pais dela morreram, a área foi dividida entre as cinco irmãs. Além de Aline, duas vivem no mesmo local. Uma deles é Maria Crescia, 71 anos, que nem pensa em arredar o pé do sítio no meio da cidade.

Ela até tentou deixar a vida de “chacreira”, mas não conseguiu. Quando o marido morreu, há mais ou menos 20 anos, a mulher se mudou para um residencial, mas ficou só três meses na casa nova. “É muito barulho. Os vizinhos incomodam em cima, do lado, de todo canto. A rapaziada chega no condomínio gritando os colegas. Hoje, acho que o povo está mais educado, mas eu não me adaptei”, contou.

Julio, que faz questão de ser sitiante, nem tentou. Gosta mesmo é do mato. “Aqui tem espaço, verde, animais, frutas. É difícil viver em uma vila com gente na sua frente, do seu lado, com barulho”, concluiu. Na Família dos Barbosa, todo mundo tem um quê de caipira, disse ele. O desenvolvimento é importante, mas faz bem preservar alguns costumes.

Da esquerda para direita: Maria, Aline e Julio. Nenhum pensa em deixar a área. (Foto: Cleber Gellio)Da esquerda para direita: Maria, Aline e Julio. Nenhum pensa em deixar a área. (Foto: Cleber Gellio)



Eu também conheço esse paraiso e faço parte dessa família, vivo fazendo festas lá comendo churrasco, tomando cervejas lugar tranquilo e gostoso com pessoas marivihosas , obrigado tias por nos receberem tão bem !!!!!!
 
Pedro do Amaral em 16/08/2013 19:20:13
´Por manter a área intocada e com árvores nativas de porte, mereciam um baita desconto, quiça isenção de IPTU
 
Suzi da Costa em 16/08/2013 16:28:41
São uns privilegiados em poderem desfrutar desse paraíso. E para corrigir o sr. Guaraci Mendes : "Dona Aline Barbosa Lugo, 73 anos, vive nos fundos e conhece a propriedade, de 3,5 hectares, como a palma de suas mãos." Portanto, está muito claro na matéria: 3,5 hectares e não 3,5 mil hectares como comentou acima.
 
cida guerra em 16/08/2013 16:15:37
Guaraci Mendes.
Onde voçe encontrou 3,5 mil hectares?
Procure ler melhor, para fazer críticas.
 
LUIZ CARLOS em 16/08/2013 13:40:06
Boa tarde..,

Excelente reportagem. Parabéns Campo Grande.., parabéns Campograndenews pela matéria. isso sim é vida.!!!!!
 
Luiz Carlos Fonseca Vieira em 16/08/2013 13:32:05
Faz um quartinho prá mim aí rsrsrsrsrs
 
Sidney Silva em 16/08/2013 12:53:51
Elverson Cardozo, Parabéns pela excelente matéria...Realmente a família Barbosa As Irmãs: Laura, Aline, Maria e Raulina são maravilhosas recebem os amigos com muito carinho, neste paraíso com natureza exuberante. Deus as abençoe dando muita saúde para desfrutar deste lugar lindo!!!
 
Laura Nogueira em 16/08/2013 12:13:30
É com muita felicidade que leio essa reportagem, pois na minha infância ia passear na "chácara" da minha avó, onde passávamos o dia brincando sob as sombras das mangueiras, chupando manga, jabuticaba, coquinho, cana e até comendo jatobá. Ainda hoje tenho o hábito de falar "vamos lá na chácara visitar as tias", e quem não conhece acha que é no meio do mato. Um grande abraço pra Tia Aline, Laura e Maria que ainda preservam esse local com muito amor e nos recebem sempre com um grande sorriso, muito carinho e um bom café para prosear.
 
Taylor Barbosa Mello em 16/08/2013 11:12:22
Ele disse uma realidade,nós da família dos Barbosa temos no sangue o amor pelo campo. A tranquilidade da roça nos faz falta, quem dera ter a mesma sorte dele.
 
Ytamara Martins Barbosa em 16/08/2013 09:35:02
Essa Familia , alem de ter a natureza ao seu lado, Tem uma Luz Divina do Espirito Santo de Deus o tempo todo ao redor deles, Por conhece-los posso assim falar !!!

Um Local Abençoado ,como esse é como a terra santa no meio, da Violencia,Fome,Saude Precaria.

Quem continuem com muita Saúde sendo Guardião desse lugar . E Preservando a Natureza que Deus Criou !
 
Carlos alcantara em 16/08/2013 09:20:55
Também conheço bem este lugar, nasci e vivi até os 33 anos, juntamente com meus primos, tias e minha saudosa avó.
 
Amelio Selles Barbosa Junior em 16/08/2013 08:58:00
"3,5 mil hectares"... excederia os limites do município.
 
Guaraci Mendes em 16/08/2013 08:11:41
Que delicia viver assim nessa tranquilidade faz um bem enorme se eu pudesse também ia optar em morar tranquilamente , junto a natureza. Eles estão certíssimos preservando o sossego e a paz.
 
arlete vieira em 16/08/2013 08:04:59
Conheço muito essa família e sou amigo de muito deles. São realmente abençoados e todos são gente fina. Espero que eles vivam por muito tempo nesse paraíso e que não sejam perturbados por pessoas mesquinhas. Que saudade dos doces, bolos e comidas caseiras saboreadas com amor e carinho. Parabéns ao familiares!
 
Odail Antonio de Almeida em 16/08/2013 08:03:21
conheço muito esse lugar,sou vizinha deles,vivemos quase igual,atualizados,mais,com o jeito roceiro ainda,não deixamos nossa terra por nada.
 
neide maria ribeiro silva em 16/08/2013 07:08:59
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