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Capital

Fugindo do aluguel, invasores loteiam área junto a condomínio abandonado

Com madeira e barbantes, moradores demarcam os lotes que em breve receberão a mais nova favela da cidade

Por Adriano Fernandes | 10/01/2017 17:38
Os invasores improvisam as demarcações com estacas de madeira e barbante. (Foto: Adriano Fernandes)
Os invasores improvisam as demarcações com estacas de madeira e barbante. (Foto: Adriano Fernandes)

Na expectativa de se livrar de vez do aluguel, moradores de bairros da região sul de Campo Grande começaram a demarcar, desde a manhã desta terça-feira (10), uma área na região do Jardim Centro Oeste em Campo Grande. O terreno é ao lado de onde seriam construídos residenciais da construtora Homex.

Organizados, os novos moradores improvisam com madeira, fitas e barbantes a demarcação dos “terrenos 12x30”, que em breve vão receber, segundo estimativas dos próprios invasores, no mínimo 100 famílias.

Aos poucos, os ocupantes dão forma à invasão do terreno que fica ao lado do Loteamento Varandas do Campo, entre o limite do perímetro urbano e o anel viário de Campo Grande, nas proximidades da saída para São Paulo.

“Essa área não tem dono. É ponto para desmanche de carros, usuários, ladrões e então a gente decidiu ocupar. E todo mundo veio para cá porque não aguenta mais pagar aluguel. Porque precisa”, desabafa a atendente Analice de Jesus de 27 anos.

Ela é moradora do Jardim Canguru e conta que a movimentação de todos os outros ocupantes, começou ainda hoje (10). “Cada um foi avisando os outros que também precisam e a gente foi vindo para cá. Agora cada família esta demarcando seu terreno com 12 de largura por 30 de comprimento para em breve começar a construir”, conta.

Quase toda a área de quatro quadras, entre as ruas Franco da Rocha e Catiguá, ao lado do loteamento já esta demarcada pelos moradores que estiveram no local pela manhã. Esta tarde o movimento já era menor.

Cerca de vinte outros moradores desmatavam com cavucates e até serra elétrica o cerrado que toma conta do lugar. O soldador Valdeci Antônio Vieira de 47 anos, era um deles.

“Perdi um dia de trabalho limpando a minha área aqui, mas vai valer a pena, por que de aluguel não dá mais para morar. Vivo com minha esposa e mais dois filhos em uma quitinete por R$ 350,00 aqui no Jardim Colibri, além de já ter cansado de esperar uma moradia digna”, conta o senhor que há 10 anos aguarda ser beneficiado com uma moradia pelo programa Minha Casa, Minha Vida.

Os moradores são em maioria de bairros como Jardim Canguru e Vila Piranitinga. (Foto: Adriano Fernandes)
Os moradores são em maioria de bairros como Jardim Canguru e Vila Piranitinga. (Foto: Adriano Fernandes)
Durante todo o dia a movimentação foi intensa pelo local. (Foto: Adriano Fernandes)
Durante todo o dia a movimentação foi intensa pelo local. (Foto: Adriano Fernandes)

Do mesmo bairro o auxiliar de lava jato Isaac Englis de 21 anos, também vai se mudar para construir um barraco para mulher e os dois filhos pequenos. “Nem que seja de madeira mesmo, o mais ajeitado possível porque a gente não quer fazer daqui uma favela. Só queremos poder construir uma moradia numa área que aparentemente não tem dono”, completa.

Da Vila Piratininga o pedreiro Antonio César Coimbra de 50 anos, vai se mudar para o local com a mulher, a enteada e as duas netas fugindo do compromisso de R$ 800,00 com o aluguel.

“Eu estou há mais de 20 anos esperando uma casa pelo cadastro da prefeitura e nada. Então o jeito é invadir onde esta vazio e que é inaproveitado pelo poder público. Fazer o que ? O jeito é ir se virando com o que sobra de 'migalhas', ocupar o que não é de ninguém, enfrentar quem quiser tirar porque se não der certo da gente constituir moradia aqui, pelo menos a gente tentou”, conclui.

Invasões – A área invadida nos Jardim Centro-Oeste fica ao lado das obras do empreendimento Varandas do Campo, a ser executado pela construtora mexicana Homex, ainda no ano de 2012.

No entanto, a empresa não cumpriu diversos acordos com a Caixa Econômica Federal, declarou falência e “sumiu do mapa” sem entregar boa parte das três mil casas da unidade.

Por consequência, a Caixa assumiu o empreendimento em agosto de 2013 e acionou o seguro da construção de 270 imóveis do loteamento Varandas do Campo, que já haviam sido vendidas por meio do programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal. 

Desde então o empreendimento é de responsabilidade da instituição. O Campo Grande News tentou um posicionamento da instituição, mas até a conclusão da matéria não obteve retorno. 

Já Prefeitura de Campo Grande informou apenas que irá verificar a situação e notificar os invasores.

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