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Capital

Radioterapia pode ficar restrita a um hospital público em 2025 na Capital

Atualmente, dois hospitais de Campo Grande oferecem esse tratamento contra o câncer, mas um ficará obsoleto

Por Cassia Modena | 11/03/2024 12:25
Paciente com câncer faz radioterapia no HU da Capital (Foto: Divulgação/Humap)
Paciente com câncer faz radioterapia no HU da Capital (Foto: Divulgação/Humap)

Pessoas que precisarem de tratamento contra o câncer em Campo Grande, devem ficar com somente um local garantido para fazer radioterapia a partir do ano que vem. Esse procedimento consiste em emitir radiação nas células doentes, para destruí-las e evitar que se multipliquem.

Ao que tudo indica, a única opção será o HU, o Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), que é administrado pela Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) e fica dentro da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

O segundo aparelho disponível atualmente está no Hospital de Câncer Alfredo Abrão, controlada por entidade filantrópica. Mas ele está com os dias contados, conforme a unidade informou ao Ministério Público Estadual em outubro do ano passado.

Radioterápico do Hospital de Câncer Alfredo Abrão, que foi fabricado em 2010 e começou a operar em 2018 (Foto: Kisie Ainoã)
Radioterápico do Hospital de Câncer Alfredo Abrão, que foi fabricado em 2010 e começou a operar em 2018 (Foto: Kisie Ainoã)

Aviso da fabricante aponta que o equipamento ficará obsoleto a partir de 1º de maio de 2025 e que upgrade ou manutenção de peças estão descartados. Sendo assim, o Hospital de Câncer espera conseguir recursos do Ministério da Saúde para compra de outro.

Os aparelhos de radioterapia costumam ser caros. O que o Alfredo Abrão precisa está orçado em R$ 9,3 milhões, fora os gastos para instalação, que devem ficar em R$ 1,9 milhão. A substituição vai custar cerca de R$ 11 milhões, no total.

O pedido feito à pasta do Governo Federal foi feito em 2023 e está em fase de análise. A assessoria de imprensa do Hospital de Câncer informou hoje (11) que a instituição está "em consonância com o Município e Governo Estadual" para viabilizar o apoio ministerial.

Obras - As obras do setor de radioterapia do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, na Capital, ficaram paradas durante 10 anos até serem retomadas no final do ano passado com a chegada de recursos federais do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O espaço deverá ser reforço no tratamento contra o câncer na Capital e em todo o Estado.

Funcionários trabalham na obra do setor de radioterapia do Hospital Regional de MS (Foto: Divulgação/Superintendência do Ministério da Saúde)
Funcionários trabalham na obra do setor de radioterapia do Hospital Regional de MS (Foto: Divulgação/Superintendência do Ministério da Saúde)

De acordo com o superintendente do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, Ronaldo Souza Costa, a previsão é que a construção seja finalizada entre julho e agosto deste ano. Serão necessários aproximadamente mais seis meses para instalar dois novos equipamentos de radioterapia disponíveis e treinar funcionários para operá-los.

Quanto ao que cabe à SES (Secretaria Estadual de Saúde) fazer para pacientes serem atendidos lá o quanto antes, como assegurar profissionais de saúde para trabalhar, o secretário Maurício Simões explica que depende da finalização do que é responsabilidade do Ministério da Saúde. "Estamos conciliando o cronograma deles com a operação, mas não podemos fazer nada com muita antecedência", falou, sem mencionar a previsão para o início do atendimento.

Só um lugar - Já que são incertos os cenários no Hospital Alfredo Abrão e no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, o Humap pode ser a única garantia de oferta de radioterapia na Capital em 2025, pelo menos por algum tempo.

Com isso, a fila de pacientes à espera desse procedimento tende a aumentar. A Capital já enfrentou isso em 2017, quando havia só um aparelho disponível.

Estimativa do Inca (Instituto Nacional do Câncer) diz que Campo Grande pode ter 3.310 novos casos de câncer até o próximo ano. A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) diz não ter como estimar a quantidade de pacientes em tratamento hoje na Capital.

Como pacientes do interior se deslocam até o Humap e o Hospital de Câncer para fazer radioterapia, a demanda na Capital não é somente de seus habitantes.

Em entrevista dada ao Campo Grande News na semana passada, a superintendente do Humap, Andrea Lindenberg não falou sobre a possível sobrecarga, mas sinalizou que o aparelho do local terá upgrade para poder atender mais pacientes em menos tempo. "Os recursos já estão garantidos", pontuou.

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