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Capital

Com porta fechada para "vaga zero", expectativa no HU é corredor enfim vazio

Embora criado para ser hospital-escola, enfrenta há décadas a superlotação e capacidade cirúrgica reduzida

Por Cassia Modena | 06/03/2024 10:05
Residentes atendem pacientes no corredor do pronto socorro, cena que poderá ficar mais rara daqui em diante (Foto: Marcos Maluf)
Residentes atendem pacientes no corredor do pronto socorro, cena que poderá ficar mais rara daqui em diante (Foto: Marcos Maluf)

Corredores intransitáveis, cheios de macas e cadeiras trazidas por acompanhantes de pacientes que agonizam, poderão aos poucos deixar de fazer parte do cenário no pronto socorro do Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedro Pedrossian), o HU de Campo Grande.

Essa é a expectativa agora que o hospital oficialmente deixou de oferecer "vaga zero" pelo SUS (Sistema Único de Saúde), que força a entrada de pacientes correndo risco de morte ou que estão em sofrimento intenso, independentemente da capacidade da instituição atendê-los. A decisão foi tomada após o MPF (Ministério Público Federal) mover ação civil pública tendo esse como um dos pedidos à Justiça. O fechamento das portas para essa modalidade de atendimento é oficial desde esta segunda-feira (4).

Na chefia geral do Humap há pouco mais de um ano, a superintendente Andrea Lindenberg falou com a reportagem sobre isso. Em quase 50 anos de criação do HU, é um dos marcos mais importantes para "reorganizar as peças", ela começa.

Andrea Lindenberg é médica infectologista e superintendente do Hospital Universitário da Capital há pouco mais de 1 ano (Foto: Marcos Maluf) 
Andrea Lindenberg é médica infectologista e superintendente do Hospital Universitário da Capital há pouco mais de 1 ano (Foto: Marcos Maluf)

Andrea explica que, durante décadas, o número de gente atendida ali dentro extrapolou em muito os 210 leitos que o hospital tem nos quartos, e que para funcionar possuem calculados número de profissionais, quantidade de insumos e o gasto total com o tempo de permanência de cada paciente.

O Humap sempre fez parte da rede de urgência e emergência de Campo Grande, segundo a superintendente, mas só passou a receber recurso adicional para atender pacientes por esse canal há cerca de seis anos. Perto dos custos de um hospital, o valor é baixo: R$ 300 mil por mês. Além de ser insuficiente, não foi reajustado durante o período.

"É um recurso insuficiente para quantidade de pacientes que a gente atende nessa rede. É 'engessado' e o contrato para fazer parte da rede de urgência e emergência estava vencido desde o ano passado", ela afirma. Para efeito comparativo, a instituição "custa" R$ 85 milhões por ano, de acordo com dados da diretoria administrativa. Esse valor não considerada a folha de pagamento dos funcionários.

Entrada do pronto socorro com pouca movimentação nesta quarta-feira (Foto: Marcos Maluf)
Entrada do pronto socorro com pouca movimentação nesta quarta-feira (Foto: Marcos Maluf)

A saída da rede retira o depósito da mensalidade, mas abre espaço para uma nova fase. O HU poderá se concentrar mais nas cirurgias eletivas e investir mais nas suas especialidades referências, que são o tratamento do HIV, nefrologia pediátrica e a cirurgia bariátrica, por exemplo, ela destaca.

Hospital-escola - Outra vantagem, e uma das principais na avaliação da superintendente, é o Humap conseguir cumprir melhor sua missão de ser um hospital-escola anexo à UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), como espaço para os residentes de medicina e outras áreas da saúde aprenderem.

"A formação dos residentes e dos acadêmicos estava prejudicada porque a gente tinha um corredor superlotado. Hoje em dia, se você for no nosso corredor, ele ainda tem macas, mas esse quantitativo está diminuindo dia após dia", avalia Andrea. Hoje, existem 24 programas de residência ativos, com 213 residentes atuando até fevereiro deste ano.

Frase na parede da recepção administrativa reforça missão do Humap (Foto: Cassia Modena)
Frase na parede da recepção administrativa reforça missão do Humap (Foto: Cassia Modena)

Ela fala, ainda, sobre os impactos na formação. "Os residentes das residências cirúrgicas, pro exemplo, com os leitos cirúrgicos comprometidos no corredor, ele não consegue fazer a cirurgia e acaba tendo a residência dele comprometida", diz. "É uma cadeia, é como se fosse aí um um jogo de quebra-cabeça, onde uma peça fora do lugar desorganiza todas as outras peças", conclui.

Mais leitos - Continuam recebendo "vaga zero" em Campo Grande a Santa Casa e o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. A mesma ação do MPF que pedia a desabilitação do HU na rede de urgência e emergência, também pede que a prefeitura e o governo estadual ampliem a quantidade de leitos nas outras instituições.

Em janeiro, o TRF 3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) derrubou liminar que obrigava a ampliação.

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