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Capital

Golpista até na prisão, "Nenê Sem Perna" já foi preso por atentado a base da PM

Ailton Rios Heleno foi para a "Supermáxima" após descoberta de elestelionatos cometidos no presídio

Por Marta Ferreira | 30/04/2021 17:16

"Nenê Sem Perna" foi preso em 2012 por atentado à base da PM nas Moreninhas. (Foto: Arquivo Campo Grande News)
"Nenê Sem Perna" foi preso em 2012 por atentado à base da PM nas Moreninhas. (Foto: Arquivo Campo Grande News)

“Nenê Sem Perna” é o apelido do golpista identificado pela Polícia Civil como autor estelionatos a 82 vítimas, ao longo do ano passado, de dentro do presídio em Campo Grande. No registro civil, trata-se de Ailton Rios Heleno, de 33 anos, que têm no “currículo” criminal a participação em atentado à base da PM (Polícia Militar) no Bairro Moreninhas, em 2012, além de passagens por tráfico de drogas e tentativa de homicídio.

A reportagem apurou que ele estava até 11 de novembro do ano passado no IPCG (Instituto Penal de Campo Grande), na saída para Três Lagoas. Nessa data foi transferido para o presídio fechado da Gameleira, a “Supermáxima”, na saída de Sidrolândia, quando o trabalho policial já havia chegado até ele como o criminoso responsável por enganar pessoas usando o celular.

Segundo divulgado pela Polícia Civil, existem 41 boletins de ocorrência sobre o crime no qual “Nenê Sem Perna” se especializou no cárcere. Cada caso tem duas vítimas.

Primeiro, indica a apuração policial, ele simulava interesse em comprar itens vendidos na internet, fazia o anunciante retirar a publicação prometendo pagar pelo produto no mesmo dia, por transferência bancária. Depois, contratava entregadores para pegar item. No final, ninguém recebia.

As vítimas relatam, também, recebimento de ameaças, por meio de fotos com armas enviadas pelo bandido encarcerado e por isso ele conseguia os valores envolvidos.

Quem é – Ailton Rios Heleno tem o apelido já citado porque perdeu uma das pernas, segundo ele ao ser "alvejado". Além disso, cicatrizes atribuídas por ele a uma cirurgia depois de ser baleado aos 18 anos ajudaram na identificação pelas pessoas engadas por ele.

Ouvido ontem pela Polícia Civil, o detento negou ter praticado qualquer crime de estelionato, segundo informaram as autoridades. Confirmou, porém, o acesso a telefones celulares durante o período em que esteve preso no Instituto Penal de Campo Grande.

Admitiu, ainda, a negociação itens de dentro da cela no presídio.

Alegou que intermediou a compra e venda de uma máquina de assar frangos e de uma cama elástica, mas negou ter praticado estelionatos nesses dois casos”, trouxe a nota da Polícia Civil a respeito do caso.

Dois telefones celulares foram apreendidos em poder de Ailton. Ele responde a procedimento aberto pelo sistema prisional, que costuma interferir na concessão de progressão de pena.

 A ficha criminal de “Nenê Sem Perna” tem passagens desde 2007. A de maior impacto foi a participação no episódio em que granada foi jogada no prédio da PM nas Moreninhas, em 2012. Na época, 9 pessoas foram indiciadas, entre elas dois irmãos de Ailton Rios e o cunhado dele.

A informação do período é de que eram integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Movimentação na frente da base da PM nas Moreninhas depois que granada foi jogada no local, em 27 de novembro de 2012. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Movimentação na frente da base da PM nas Moreninhas depois que granada foi jogada no local, em 27 de novembro de 2012. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

E agora? - Responsável pela investigação sobre o golpe com o celular descoberto agora, o delegado Juliano Toledo disse ao Campo Grande News que a unidade está aberta a novas denúncias, que podem ser feitas pela internet. Clique aqui para isso. 

 Segundo Toledo, o dossiê policial será encaminhado para o Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), para finalização do inquérito a ser relatado à Justiça. O crime de estelionato tem pena prevista de 1 a 5 anos de reclusão. Na situação em questão, o golpista deve responder por apenas um fato, mas também por crime continuado, aumentando a possibilidade de pena em até 2 terços.

 Depois da transferência para a “Supermáxima”, não há relatos de novos crimes cometidos, conforme levantado pela reportagem. Lá, as autoridades garantem não haver entrada ilegal de celular.

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