ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
FEVEREIRO, QUINTA  29    CAMPO GRANDE 25º

Capital

Golpistas se passam pelos donos e "vendem" terreno de R$ 300 mil no Itatiaia

Criminosos falsificaram documentos dos proprietários, conseguiram emitir procuração e negociar imóvel

Liana Feitosa | 28/09/2022 06:48
O Jardim Itatiaia é conhecido pela lagoa que existe no bairro. (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
O Jardim Itatiaia é conhecido pela lagoa que existe no bairro. (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Casal que reside em Coronel Sapucaia foi pego de surpresa ao descobrir que um terreno deles localizado no bairro Jardim Itatiaia, em Campo Grande, que custa em torno de R$ 300 mil, havia sido vendido por meio de procuração e sem conhecimento deles. O caso foi registrado na polícia, via boletim de ocorrência, nesta segunda-feira (26).

Na semana passada os proprietários do imóvel, um homem de 58 anos, e a esposa dele, de 62, receberam uma ligação do cartório informando que um casal no estado do Paraná estava se passando por eles com documentos falsos feitos em papel semelhante ao original, RG e certidão de casamento. Os documentos falsos foram usados pelos criminosos daquele estado para fazer uma procuração no Paraná que conferia poderes de venda a um corretor de imóveis aqui em MS.

Modo de agir da quadrilha - De acordo com informações fornecidas às vítimas pelo Cartório de Registro de Imóveis da 1ª Circunscrição de Campo Grande, os criminosos passam em frente ao terreno, levantam informações como nome da rua, quadra e lote e, assim, pesquisam a matrícula do imóvel. Dessa forma e com esses dados, os falsificadores levantam informações dos donos do terreno para poder aplicar o golpe.

De acordo com a filha da vítima, uma empresária de 29 anos, os criminosos também tiveram acesso à versão digital da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) original dos pais dela. Além disso, com documentos falsos em mãos, os fraudadores abriram uma conta em banco em nome da proprietária na cidade de Ivaiporã, interior do Paraná.

“Então até nisso o negócio pareceu legítimo, pois o pagamento foi feito a uma conta em nome da minha mãe”, detalha a empresária. Segundo ela, a venda do terreno foi feita na semana passada “e, ao que tudo consta, foi até paga pelo comprador. Mas como fomos rapidamente ao cartório de registro de imóveis, conseguimos informar a fraude, então os criminosos não vão conseguir fazer a transferência do terreno para o nome do comprador”, completa.

Ou seja, é possível que o “comprador” desse imóvel não terá direito ao imóvel pelo qual pagou, sendo também prejudicado pela venda ilegal. No caso dos verdadeiros proprietários do terreno, o prejuízo poderia se estender a outras situações. “A sorte foi que descobrimos em pouco tempo, pois os fraudadores estavam fazendo procuração para várias pessoas abrirem contas em nome dos meus pais”, completa a filha do casal lesado.

Segurança - De acordo com o notário Elder Gomes Dutra, diretor da Anoreg/MS (Associação dos Notários e Registradores do Estado de Mato Grosso do Sul) e doutor em Direito, tabeliães, escreventes e auxiliares são treinados para identificação e dissolução de fraudes de diversos tipos. “Por isso, todos esses profissionais que atuam em cartórios fazem cursos de documentoscopia para identificar os elementos de segurança dos documentos de identificação, como RG, CNH, que são constantemente objetos de tentativas de falsificação”, afirma.

Ainda segundo Dutra, os cartórios buscam identificar todos os envolvidos através de documentos, fazendo pesquisas em banco de dados e cruzando informações com o objetivo de garantir autenticidade aos negócios e aos documentos.

Dicas - “Alertamos para o risco de se fazer o chamado contrato de gaveta ou contrato particular onde não há intervenção de um tabelião ou de um oficial de registro. Não deixe de consultar um tabelião de sua confiança para a prática de negócios imobiliários. Na compra e venda de imóveis é sempre importante que as partes estejam atentas ao preço de negociação; fiquem alerta a ofertas com valores muito abaixo do mercado, que é um forte indicativo de uma eventual fraude”, detalha o diretor.

“É importante também buscar informações sobre o vendedor, se ele é mesmo o proprietário e conhecer o imóvel e se informar ao máximo sobre o bem que está em negociação. Esses são alguns cuidados que toda pessoa deve ter quando pretende fazer um negócio imobiliário”, finaliza Dutra.

O Campo Grande News tentou falar com o corretor de imóveis que “vendeu” o bem, no entanto, não conseguimos contato. Ele não foi encarregado a negociar o terreno em nome da família que é a verdadeira proprietária do imóvel. Não se sabe se ele foi autorizado a vender o terreno pelo portador da procuração feita com base em documentos falsos no Paraná, ou pelos golpistas que se passavam pelos verdadeiros proprietários do imóvel.

Nos siga no Google Notícias