Guarda diz que passageiro reagiu com chutes antes de tiro de borracha
Resposta não esclareceu de forma específica se disparo dentro de ônibus será apurado
Em resposta à reportagem do Campo Grande News, a GCM (Guarda Civil Metropolitana) afirmou nesta quarta-feira (9) que o passageiro atingido durante abordagem em ônibus no Terminal General Osório chutou e empurrou agentes antes do disparo. Segundo a corporação, o homem se recusou a desembarcar e resistiu à ação durante uma fiscalização contra o comércio ambulante irregular no terminal.
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A versão foi encaminhada pela Sesdes (Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social) horas depois da publicação do vídeo que mostra dois guardas entrando no coletivo da linha de número 080, que liga os terminais General Osório e Aero Rancho. Nas imagens, um dos agentes anuncia a prisão, usa spray de pimenta e, em seguida, dispara contra o passageiro.
Segundo a administração municipal, a confusão começou durante a Operação Terminais, realizada pela Guarda em apoio à Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). A fiscalização tinha como objetivo dar suporte aos servidores responsáveis pelo controle do comércio ambulante irregular nos terminais.
A prefeitura afirma que um homem tentou impedir a fiscalização, resistiu à atuação dos servidores e agrediu fisicamente um deles. A corporação teria entrado na ocorrência para conter a situação e proteger os fiscais e usuários que estavam no local.
Ainda conforme a nota, outro homem, que já estava dentro do ônibus, passou a ofender os guardas. A Sesdes diz que ele desobedeceu às ordens para deixar o veículo e reagiu fisicamente quando os agentes tentaram retirá-lo.
“Mesmo após verbalização e ordem de prisão, o homem continuou resistindo à contenção. Diante da resistência ativa, a equipe realizou o emprego progressivo e proporcional dos meios disponíveis, incluindo instrumentos de menor potencial ofensivo, até conseguir cessar a ação e efetuar a imobilização e o algemamento do abordado”, informou a secretaria.
A Sesdes acrescentou que outros vendedores aproveitaram a confusão para recuperar mercadorias que já haviam sido recolhidas durante a fiscalização e deixaram o terminal. Com a alteração do cenário, a ação contra os ambulantes foi encerrada para evitar novos confrontos, segundo a pasta.
Apesar dos questionamentos feitos pelo Campo Grande News, a resposta não esclareceu de forma específica se o disparo dentro do ônibus será apurado, se a conduta do guarda foi considerada adequada nem se alguma pessoa ficou ferida durante a ocorrência.
Entenda - A versão oficial diverge do relato de uma diarista de 45 anos que acompanhou a ocorrência e encaminhou a gravação para a imprensa. Ela afirmou ao Campo Grande News que o passageiro tentou defender um vendedor que teria sido agredido durante a fiscalização e disse que os guardas entraram no ônibus com o armamento apontado. A testemunha também relatou que o spray de pimenta atingiu outra passageira.
“Entraram no ônibus apontando aquilo para todo mundo, sem se preocupar que ia acertar em alguém. Aí falaram para ele que ele estava preso, jogaram spray de pimenta na cara dele dentro do ônibus, com outras pessoas”, contou.
A diarista também afirmou que uma passageira que estava de vermelho acabou atingida pelo spray. Sobre o disparo, disse ter percebido que o tiro atingiu a camiseta do homem. “Eles deram tiro no rapaz. Não dá para ver direito, mas chegou a rasgar a camiseta dele dentro do coletivo. E se acerta alguém? Dali de onde eu estava, a bala podia ter pegado até em mim”, afirmou.

