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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

16/02/2014 08:42

Guerra diária faz Santa Casa referência em "reconstruir" motociclistas

Aline dos Santos
Com mais de 9 mil cirurgias no currículo, dentista conta que há paciente reincidente(Foto: Cleber Gellio)Com mais de 9 mil cirurgias no currículo, dentista conta que há paciente "reincidente"(Foto: Cleber Gellio)

A guerra no trânsito de todos os dias faz com que o ditado “quebrar a cara” seja bem mais do que força de expressão na vida dos motociclistas. Com rostos desfigurados, ossos fraturados e olhos arrancados em acidentes potencializados por álcool e excesso de velocidade o destino de quem precisa ser, literalmente, “reconstruído” é a Santa Casa de Campo Grande, que se tornou referência no Centro-Oeste na especialidade buco-maxilo-facial.

“Dos nossos pacientes, 90% vêm do trânsito e 75% são motociclistas. Os outros 25% são acidentes também de trânsito nos quais uma moto está envolvida. É uma epidemia de acidente”, afirma o cirurgião-dentista Arnóbio Luiz de Lima Nunes, que desde 1984 dá expediente no maior hospital do Estado e conta com nove mil cirurgias no currículo.

A situação é tão grave que choca até mesmo olhos acostumados a ver rostos partidos em inúmeros pedaços. Para o dentista, regras mais duras precisavam ser adotadas para reverter o quadro. Segundo ele, uma alternativa seria cobrar o tratamento de quem se envolve em acidente por dirigir alcoolizado.

Mas, enquanto a vida segue no ritmo de 60 cirurgias por mês, num circo de horrores, os profissionais passam até oito horas em procedimento cirúrgico para salvar o rosto dos pacientes. Fora as fraturas abaixo do pescoço, os feridos chegam com a mandíbula fraturada em vários pontos. Aí, a reconstrução, a exemplo das casas, é sempre de baixo para cima.

O procedimento de reconstrução de mandíbula leva cinco horas, o médico recebe R$ 175 do SUS (Sistema Único de Saúde) e as placas custam R$ 880. Para o processo de recuperação, a mandíbula é imobilizada. Ume verdadeira engenharia, com colocação de fios, é utilizada para que os movimentos sejam mantidos. “É um quebra-cabeça”, explica Arnóbio Luiz.

O tratamento completo leva meses e meses, o que não impede a reincidência. Segundo o cirurgião-dentista, já houve caso de paciente que enfrentou toda a recuperação, mas, passado algum tempo, estava de volta ao hospital por novo acidente.

“A maioria fica, em média, sete dias. Depois mais cinco semanas de tratamento ambulatorial”, explica.
Em 2013, segundo o levantamento do site Estrela do Asfalto, das 106 pessoas que perderam a vida no trânsito de Campo Grande, 58 estavam em motos. Da frota de 472.922 veículos, 23% são motos: 109.122.

Acidentes envolvendo motos viraram epidemia em Campo Grande.Acidentes envolvendo motos viraram "epidemia" em Campo Grande.

Começar de novo - Há quase um ano o cirurgião trabalha para refazer as feições de Jaqueline dos Santos Nascimento, de 21 anos. A paciente deu entrada na Santa Casa no dia 8 de março do ano passado após bater a motocicleta em um caminhão caçamba, próximo à avenida Interlagos.

“Perigosa a moto é. Mas foi minha culpa, saí atrasada de casa e com pressa para chegar no serviço. Nem estava prestando atenção no trânsito”, relata. O saldo foi de múltiplas fraturas. “Quebrei a perna direita, os dois braços e o punho esquerdo . Tive que tirar o baço e um pulmão foi perfurado”, diz.

Depois de 45 dias no CTI (Centro de Terapia Intensiva), ela teve alta da neurologia e ortopedia. Mas o acidente havia levado o frontal, ou seja, a testa. No lugar, estava o zigomático, que passou da bochecha para acima do olho.
No lugar do osso da testa, era preciso colocar uma malha de aço, avaliada em R$ 25 mil.

No SUS, a malha é classificada como órtese para alta complexidade e só é fornecida mediante autorização especial, normalmente negada pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde).

O remédio foi pedir a um fornecedor, que, com pena da jovem, doou a malha. O rosto já voltou a ter testa. Agora, uma nova cirurgia vai corrigir a pálpebra caída. Uma espécie de mola será colocada. “Vou fazer a quarta cirurgia no rosto”, conta a jovem. Se voltaria a conduzir moto, a resposta é sincera. “Eu não sei”, afirma Jaqueline.

Considerado referência para o Centro-Oeste pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia Buco-Maxilo-Facial, a Santa Casa atrai pacientes de longe. “Tem paciente que vem de ônibus de Rondônia, Bolívia, Pedro Juan, divisa de São Paulo, divisa do Paraná”, conta o cirurgião-dentista.

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É a luta diária desses profissionais anônimos abnegados em prol da vida de milhares de pessoas . Parabéns a todos os profissionais da Santa Casa !
Se não fosse a Santa Casa o que seria de nós?
 
Henrique Mayer em 16/02/2014 19:01:25
ATENÇÃO MOTOCICLISTAS: Leiam atentamente essa matéria e reflitam sobre o que está acontecendo! É impossível dirigir um único dia em Campo Grande sem ver diversos "motoqueiros" furando sinal, correndo acima do limite, costurando no meio dos carros sem nem usar a seta. Não adianta ficar culpando os motoristas dos carros ou achar que nunca vai acontecer com um de vocês, sejam prudentes e respeitem as leis do trânsito! Façam um favor a todos os seus amigos e reenviem essa matéria a todos os "motoqueiros" que conhecem, as mídias sociais também podem ser usadas para coisas úteis.
 
Luciano Porto em 16/02/2014 15:23:32
R$175,00 para um profissional reconstruir uma mandibula pago pelo SUS, é o fim de tudo... não vou nem me atrever a comparar o papel deste médico aos sanguessugas de Brasilia., vai faltar espaço para comentários. Ao Sr Dr só resta o nosso muito obrigado, e que Deus lhe abençoe.
 
reinaldo justus em 16/02/2014 12:51:36
Que tal um estudo sobre o assunto em turmas de formações ligada , as áreas humanas.. que são ligadas ou determinam mudanças ao assunto. Estática, e o depoimento me parece suficiente para arrancar projetos novos... ex: imagino que quando sofre um trauma ficam vulnerável, a novos desafios ou seja reflexos alterado em querer superar tal situação.
Sugestão proibir direção em tempo razoável por lei sendo em qualquer situação de envolvimento.É apenas sugestão. Gostaria de ler opiniões diferentes sobre o assunto.
Obrigada .
 
laura A martins em 16/02/2014 11:40:13
Tenho 55 anos e sou motociclista a pouco tempo. Apenas para andar na companhia dos filhos, fazer novos amigos, comprei uma moto. Tenho viajado aqui por perto de Campo Grande, sempre em grupos. Não gosto de pilotar na cidade. Tenho alguns hábitos que parecem ser só meus. Ando devagar, nunca passo dos 50 km/h na cidade. Não confio em semáforo verde. Não ultrapasso pela direita, não faço zigue zague entre os veículos e piloto sempre alerta a situações inesperadas a frente. Até pra estacionar tomo várias precauções. Tenho ciencia de que a moto não para "em pé" e entre eu e o outro, prefiro cuidar de mim e deixar o outro sem razão, ter razões. Estou livre do perigo? Não! Mas, pratico a direção defensiva sempre.O que é um prazer não pode se tornar um sofrimento. Se Vc for incauto, venda sua moto
 
Ivonei Schultz em 16/02/2014 10:48:55
E ainda falam mal da Santa Casa de Campo Grande MS...
 
elisabete martins em 16/02/2014 09:51:54
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