A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

05/07/2011 17:38

Há dois meses falta de médico penaliza moradores na região das Três Barras

Aline dos Santos

Prefeitura não tem previsão de quando vai resolver problema

Posto está sem médico desde abril. (Foto: João Garrigó)Posto está sem médico desde abril. (Foto: João Garrigó)

A falta de médico no posto de saúde Três Barras penaliza a população. A situação já perdura por dois meses e deixa desassistidos moradores de chácaras e fazendas no entorno da escola agrícola Arnaldo Estevão de Figueiredo, a 25 km do perimetro urbano de Campo Grande.

“Isso ficou muito ruim. Minha mãe passou mal do coração e tive que ligar para o meu irmão vir nos buscar”, reclama Aparecido Camargo Neinet, de 60 anos.

Sem veículo próprio, ele depende de carona para levar a mãe de 87 anos ao médico. “Mas nem sempre dá para o patrão vir buscar”, conta. Quando havia médico no posto, a vida era mais simples.

“Moro aqui pertinho, só virar na primeira porteira”, afirma, lembrando da facilidade que tinha até abril para obter atendimento. Preocupado, Aparecido já pensa na dificuldade de levar a mãe octagenária ao posto de saúde no próximo mês. “Dia 2 vou ter que ir à cidade”, diz.

Josias Daniel Pereira de Jesus, de 44 anos, é um dos que mora perto do posto de saúde, mas distante de atendimento médico. “Várias vezes tive que levar minha filha de 16 anos no posto de sáude das Moreninhas”, relata.

O posto fica a 13 km da unidade de saúde Três Barras. “Quando ela tem problema, nem paro nesse posto para saber se já tem médico, porque é só perda de tempo”, afirma. Nas Moreninhas, a espera é maior. “Lá tem muita gente”, enfatiza Josias,

Mas a unidade básica de Saúde da Família Três Barras também é procurada por pacientes que vem de longe. Gente que mora até a 80 km e aproveita os ônibus que transportam estudantes para receber atendimento médico.

“Tem gente que sai de casa de madrugada, levando lamparina para chegar até onde passa o ônibus”, afirma Francisco Leandro da Silva.

Os ônibus chegam à escola no começo da manhã e só retornam às propriedades rurais no fim da tarde.

“É tudo na base da carona, da solidariedade dos motoristas”, enfatiza Francisco.

Um aviso sobre a falta de médico chegou a ser afixado na entrada da escola, que divide o mesmo terreno com o posto de saúde, mas a folha não resisitiu ao tempo e caiu.

Longa espera - A UBSF Três Barras tem dois dentistas, enfermeiros, dois agentes comunitários e oferece farmácia e vacinas. O local é anexo à escola rural, com cerca de 400 alunos.

No posto, a reportagem foi informada que os enfermeiros mantêm visita às famílias e acompanhamento aos pacientes com doenças como hipertensão e diabetes. Os funcionários também tentam agilizar o encaminhento para as unidades de saúde mais próximas, localizadas nas Moreninhas e Tiradentes. Por dia, a média era de 50 consultas. A unidade funciona das 7h às 16h.

A médica trabalhou no local por 16 anos antes de se aposentar. “A doutora atendia a todos muito bem e deixou saudades. Meu filho ia lá desde que nasceu”, afirma Vanessa Dias da Silva, de 23 anos, que aguarda, ansiosa, pela chegada de um novo médico para acompanhar o crescimento de Luiz Otávio, de 2 anos.

De acordo com a assessoria de imprensa da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), o problema só será resolvido quando for realizado um concurso público para médicos. Portanto, o poder público não dá nem previsão de quando a unidade voltará a ter o atendimento normalizado. Ainda conforme a assessoria, a prefeitura prioriza postos com maior densidade populacional.

Aparecido fica preocupado com a saúde da mãe, de 87 anos. (Foto: João Garrigó)Aparecido fica preocupado com a saúde da mãe, de 87 anos. (Foto: João Garrigó)
Já a mãe de Luiz Otávio espera, ansiosa, pela chegada de um médico ao posto. (Foto: João Garrigó)Já a mãe de Luiz Otávio espera, ansiosa, pela chegada de um médico ao posto. (Foto: João Garrigó)


Quem precisa de médico? o que nós precisamos e de vereadores...
 
Marco Aurélio em 06/07/2011 08:00:15
Senhor Paulo de Tarso, o senhor me desculpe, mas fui injusta, mesmo. Eu generalizei na minha afirmação, quando não deveria. Eu não sou médica, eu sou apenas dona de casa e atualmente não tenho plano de saúde porque meu esposo está desempregado, quem tem ajudado aqui são minhas filhas e umas encomendas de doces e tortas que recebo eventualmente. Eu tive há um ano um câncer no seio e descobri o que é enfrentar o serviço público. Descobri o que é ser atendido por um médico que teve a minha vida nas mãos deles, que me atendeu com muita dificuldade e que me desdenhou durante toda a primeira consulta. O constrangimento foi tanto que pensei em desistir, mas uma grande amiga conseguiu uma consulta pra mim com um oncologista muito humano e decente, que me deu esperanças de continuar minha vida. Bem, aqui estou. Pela sua descrição, vejo que o senhor é idôneo e aparentemente apaixonado pelo que faz. Mas não há como negar que a questão da vocação deveria ser mais forte na escolha profissional dos que hoje são médicos. A minha crítica não foi pro senhor. Agora, quando o senhor fala do seu investimento para ser médico, não seja tão prepotente... Eu sei na pele o que é um médico sem vocação. Além do mais, muitos outros profissionais, de inúmeras áreas, tambem fizeram investimentos e não recebem ganhos compatíveis com o que foi gasto, esse privilégio não é apenas do senhor. Quem me dera um cargo público na prefeitura, quem me dera pelo menos ser sua atendente, para poder pagar minhas contas em dia. O senhor é um homem inteligente, por favor, desconsidere o rancor com o qual respondo o senhor, é apenas porque dói demais em mim ver uma pessoa esclarecida, bem estudada, se render ao corporativismo da classe médico para defender aqueles muitos que estão nesse ofício pelo dinheiro, e não pela vocação de salvar vidas. Eu espero mesmo que o senhor faça a diferença entre eles. Uma excelente tarde e que todos os seus sonhos se realizem.
 
Lina Moreira em 06/07/2011 03:38:12
Quero em primeiro agradecer a jornalista Aline dos Santos por ter atendido o apelo e a necessidade da população daquela região em busca de uma consulta digna de cidadão. Minha mãe moro na região e precisou por varias vezes de um medico e não tinha , devemos cobrar melhorias nessa questão aonde o poder público esqueceu.

 
Luiz Carlos em 06/07/2011 02:55:54
Me senti ofendido pela Sra Lina Moreira. Não sei qual é profissão dessa senhora, se é que tem alguma. Eu sou MÉDICO. Tenho uma faixa salarial não compativel com o investimento que fiz para me formar. Atendo pacientes de todas as faixas etárias, inclusive pediatria. Trabalho em serviço publico. Para militar nessa profissão a vocação é fundamental. Se nossa legislação diz que saúde é direito do cidadão e dever do estado, deveria o estado proporcionar salarios dignos e condições adequadas para o desenvolvimento da mesma, porém, o que vemos é o inverso. Somos obrigados a trabalhar de forma inadequada, muitas vezes com um numero de pacientes muito superior ao recomendado, não permitindo ao profissional dispensar ao paciente o tempo de consulta adequado para uma boa anamnese e um exame físico adequado. Alem de tudo somos obrigados a ler comentarios como o da sra supra citada, que pelo que parece, defendendo a prefeitura como tal, certamente esta pleiteando um carguinho público. Tenho dito!!!!!!!
 
Paulo de Tarso Stein Ribeiro em 06/07/2011 01:00:17
É uma pena que os médicos não optem pela medicina motivados pela vocação, e sim pelo poder econômico gerado pela profissão. FIco triste de saber que os médicos, por exemplo, não se sentem motivados em salvar vidas de crianças (serem pediatras) por que "dá muito trabalho" ou não pague tão bem quanto outras especialidades. Quem sofre com isso somos nós, dependentes do serviço público. E quem paga o pato é a prefeitura, que recebe as críticas pela ausência dos médicos.
 
Lina Moreira em 05/07/2011 06:06:56
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions