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Capital

Homens se unem para pedir direitos iguais e fim da violência contra a mulher

Ação fechou a campanha de 21 dias de ativismo e conscientização masculina sobrem o assunto

Por Natália Olliver e Idaicy Solano | 06/12/2023 12:06
Homens se unem para pedir direitos iguais e fim da violência contra mulheres (Foto: Idaicy Solano)
Homens se unem para pedir direitos iguais e fim da violência contra mulheres (Foto: Idaicy Solano)

Com balões brancos nas mãos, homens se uniram para pedir direitos iguais e fim da violência contra as mulheres na manhã desta quarta-feira (6), em Campo Grande. A ação faz parte da campanha "21 dias de ativismo pelo fim da violência contra o gênero" e fecha o calendário de iniciativas em prol da conscientização dos homens. A caminhada pacífica aconteceu do Paço Municipal até a praça do Rádio Clube, centro da cidade.

A iniciativa teve o apoio da Rede de Atenção à Mulher do Município, composta por Conselhos e Secretarias Municipal e Estadual, Delegacias Especializadas, Centros de Referência de Assistência Social e Poder Judiciário.

O arquiteto Douglas Torres, de 26 anos, participou da ação na manhã desta quarta. O motivo foi pessoal. Uma das mulheres da família precisou de um apoio, pediu medida protetiva contra o ex-companheiro e felizmente não entrou para as estatísticas.

Arquiteto Douglas Torres participou de ação nesta quarta (Foto: Idaicy Solano)
Arquiteto Douglas Torres participou de ação nesta quarta (Foto: Idaicy Solano)

"É importante a gente lutar junto, juntar todos os homens e se unir em prevenção às mulheres. Às vezes nós temos uma vizinha ou a própria colega de trabalho tá sendo violentada e tudo mais e a gente deve notar esses sinais e prevenir que aconteça algo pior.”

Segundo o arquiteto, a intenção dos homens na data é mostrar às mulheres que elas também têm uma rede de apoio masculina. “Que todas tenham conscientização de denunciar. E que os homens também possam ajudar a colocar na cadeia esses outros homens que fazem agressão".

Renato Oliveira, de 47 anos, advogado, também estava no local. Para ele participar do evento é estar ativo no combate.

Renato Oliveira também esteve na ação, na Praça do Rádio Clube (Foto: Idaicy Solano)
Renato Oliveira também esteve na ação, na Praça do Rádio Clube (Foto: Idaicy Solano)

“A violência contra mulher, infelizmente, está dentro da casa de muitas pessoas, ela está ligada diretamente à questão cultural. Hoje, a mulher está ganhando cada vez mais o seu espaço e isso é importante para elas e para nós, como sociedade. E os homens têm que entender que o espaço delas precisa ser conquistado e respeitado.”

A delegada titular da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Elaine Cristina, ressaltou a importância em levar a mensagem de conscientização aos homens, para que eles também lutem com as mulheres contra a violência.

"É uma ação de extrema importância, porque às vezes nós temos vozes apenas para as mulheres. E na verdade o mais importante é levar essa informação pra eles, porque se não tivermos a parceria deles, não teremos o fim dessa violência contra as mulheres.”

Delegada titular da Deam, Elaine Cristina (Foto: Idaicy Solano)
Delegada titular da Deam, Elaine Cristina (Foto: Idaicy Solano)

Segundo ela, a mudança está em educar as crianças para que não se tornem possíveis agressores. “Na verdade, isso vai muito além. Os homens, desde quando são crianças, têm que trazer sim esse conceito de igualdade, respeito, civilidade, passando pela adolescência e fase adulta. É de extrema importância ações cada vez mais intensas voltadas aos homens".

Sem citar números, a prefeita Adriane Lopes ressaltou que a participação masculina na ação deste ano foi superior aos anos anteriores. "Os homens que estão aqui também levantaram a bandeira pela não violência contra as mulheres estão somando a nós para que essa conscientização, para que essa prevenção seja algo constante na nossa Capital".

A representante disse ainda que não baixará a guarda para a violência praticada contra a mulher e que as secretarias continuarão trabalhando para que os indicadores estejam menores.

Gilka Simony em foto publicada nas redes sociais. (Foto: Reprodução/Facebook)
Gilka Simony em foto publicada nas redes sociais. (Foto: Reprodução/Facebook)

Feminicídios - Em Mato Grosso do Sul, até o mês de novembro, o número de feminicídios chegou a 26, 7 deles só na Capital. o caso mais recente é a de Gilka Simony Nunes, de 47 anos, morta com oito facadas na região do pescoço e tórax, no fim da tarde dessa segunda-feira (4), no Bairro Vila Moreninha III. A vítima foi encontrada já sem vida na Rua Sambacuim. O suspeito de praticar o crime foi identificado como Daniel Cardoso. O casal estava em processo de separação e esse teria sido o motivo pelo assassinato de Gilka.

Já o Nudem (Núcleo Institucional de Promoção e Defesa da Mulher) registrou aumento de 12% nas demandas, em relação ao ano anterior.

Foram 4.880 atendimentos em 2023. Destes, 1.089 foram orientação, 976 medidas protetivas e 431 divórcios litigiosos.

Segundo a coordenadora do Nudem, Zeliana Luzia Delarissa Sabala, boa parte dos atendimentos feitos no núcleo ainda deriva da violência doméstica ou familiar. Outros destaques são para brigas pela guarda dos filhos e pelo direito a pensão.

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