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Capital

Idosa doa imóvel de luxo a pastores, mas Justiça anula “presente”

Os religiosos haviam informado à mulher que transformariam o espaço em abrigo, mas isto nunca ocorreu

Por Maressa Mendonça | 25/03/2020 20:33
Fachado do prédio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Fachado do prédio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (Foto: Arquivo/Campo Grande News)


O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) anulou uma doação de casa de luxo feita por idosa de 80 anos para casal de pastores de Campo Grande. Ela acreditava que o espaço seria transformado em abrigo para pessoas com mais de 60 anos, mas isso nunca ocorreu. Os religiosos, que também adquiriram carro importado com dinheiro da fiel, negam ter agido com má-fé.

Conforme as informações divulgadas pela assessoria de imprensa do TJ, os religiosos se aproximaram da idosa em em 2008 e passaram a frequentar o apartamento dela, se tornando amigos da mulher.

Eles informaram que a vítima sofria de possessão demoníaca e que a ajudariam a se livrar deste mal. Os religiosos disseram ainda que tinham a capacidade de conversar com mortos e repassar os recados do entes queridos da mulher, ideia contrária aos preceitos da religião evangélica.

Dois anos depois do início da amizade, a vítima assinou uma procuração que permitia aos pastores gerir os bens dela, inclusive receber dinheiro e movimentar as contas bancárias dela. Pouco depois, eles assinaram o contrato de compra e venda de casa de luxo no bairro Vila Gomes, em Campo Grande. À época o imóvel foi avaliado em R$ 535 mil.

Ela entendeu que se tratava de doação para que o local fosse transformado em abrigo para idosos, o que nunca ocorreu. Indignada, ela entrou na Justiça em 2012 pedindo anulação dos contratos de compra e venda da casa e também de um carro importado. O nome dela nunca apareceu nestas negociações e tudo foi colocado em nome do casal de religiosos.

Na Justiça, os pastores afirmaram nunca terem se aproveitado da fé da idosa, mas o juiz Paulo Afonso de Oliveira decidiu anular parcialmente os contratos. Segundo ele, o caso se tratava de doação com encargo, ou seja, uma contraproposta. Ela doou o imóvel na esperança da construção de um abrigo. “Por diversas vezes a autora confirmou que adquiriu a casa para os pastores/réus para que lá eles fizessem o trabalho da igreja (cuidar de idosos)”, informou. Com a decisão judicial, os imóveis passaram para o nome da idosa.

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