Imigrante com filhos chega a MS no mesmo dia em que terremoto atingiu Venezuela
Ela é natural de Caracas e seguirá rumo a Santa Catarina, com os filhos de 22, 11, 8 e 5 anos
RESUMO
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Venezuelanos residentes em Campo Grande acompanham com preocupação os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela, deixando ao menos 164 mortos e 971 feridos. A comunidade local, estimada em 4 mil pessoas na capital e 10 mil no estado, tenta contato com familiares. O vice-presidente da Associação dos Venezuelanos alertou para a precariedade da infraestrutura do país para responder à tragédia.
A venezuelana Mailin del Cármen Rojas Rangel, de 38 anos, desembarcou em Campo Grande na quarta-feira (24), acompanhada dos quatro filhos, justamente no dia em que os terremotos atingiram a Venezuela. No entanto, ela está no Brasil há 1 semana. Agora, a família seguirá viagem para Santa Catarina.
Ela é natural de Caracas e chegou à Capital sul-mato-grossense junto com os filhos de 22, 11, 8 e 5 anos. Apesar do susto provocado pela tragédia, ela conseguiu entrar em contato com os familiares que permaneceram na Venezuela.
“Meus irmãos e minha família estão bem, graças a Deus. Minha mãe está muito nervosa. Ela chora, não para de chorar, chorar, chorar, por tudo o que aconteceu ontem, o terremoto. Por isso me preocupa a minha família”, lamentou. “Eu me comunico com eles. Falo com minha mãe, com meus irmãos”, acrescentou.
O fenômeno deixou ao menos 164 mortos e 971 feridos até o momento. Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira, provocando 20 réplicas nas horas seguintes, conforme informações do governo venezuelano.
O epicentro do tremor principal foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 160 quilômetros de Caracas.
Há 2 meses em Campo Grande, José Daniel Salcedo, de 35 anos, também acompanha com preocupação as notícias vindas do país onde nasceu. Ele vive na Capital com o irmão e a cunhada.
“Eu tenho minha família em Venezuela, estão todos bem. Houve um terremoto ontem à noite, foi muito perigoso. Muitas casas derrubaram. As pessoas nos hospitais também saíram dos hospitais. Estou preocupado.”
Ele mostrou à equipe de reportagem, um vídeo enviado pelo irmão, mostrando a correria durante o terremoto.
Além da preocupação com os efeitos do terremoto, José relata dificuldades enfrentadas pela família.
“Eu estou aqui, buscando uma maneira de mandar algo para meu filho. Consegui um bom emprego para trabalhar para ele”, disse.
Venezuelanos - Em Mato Grosso do Sul, a comunidade venezuelana acompanha com apreensão as notícias que chegam do país de origem. Segundo o vice-presidente da Associação dos Venezuelanos, Linoel Ordoñez, são cerca de 4 mil venezuelanos em Campo Grande e aproximadamente 10 mil em todo o Estado.
“Nós temos uma comunidade de comunicação, mas ninguém tem manifestado se algo aconteceu com seus familiares. Estamos levando mensagem de calma, infelizmente esperar e pedir que nossos familiares não sejam atingidos”, explicou.
Ele também demonstrou preocupação com a capacidade de resposta das autoridades venezuelanas diante da tragédia.
“Agora um evento desse tipo gera ainda mais preocupação, porque o país não tem a capacidade de dar resposta, o nível de resposta lenta do corpo de segurança, corpo de bombeiros, estrutura dos hospitais. Depois do 3 de janeiro, o país ainda está numa situação precária que a gente precisa ir resolvendo aos poucos”, pontuou.
Linoel também relatou que o sistema de alerta da Venezuela não funciona. “É uma estrutura científica e técnica, que trata sobre as questões de vigilância de terremotos e esse sistema não funciona. A gente soube através do sistema geológica dos Estados Unidos, através da internet, fora da Venezuela é mais fácil de acessar as informações”, finalizou.
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