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Capital

Infestação da dengue é alta em 53 bairros e epidemia é iminente em 10

Por Edivaldo Bitencourt e Luciana Brazil | 14/11/2013 10:22
Garrafas em residência no Bairro Itamaracá, onde 4,9% dos imóveis têm focos do mosquito transmissor da doença (Foto: Marcos Ermínio)
Garrafas em residência no Bairro Itamaracá, onde 4,9% dos imóveis têm focos do mosquito transmissor da doença (Foto: Marcos Ermínio)

Depois de enfrentar a maior epidemia de dengue da história, com 46 mil casos e 12 mortes, Campo Grande continua com o risco alto de repetir o feito neste verão. O LIRAa (Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti) mostra que 1,8% dos imóveis possuem focos do transmissor da doença, quase o dobro do percentual considerado ideal.

O levantamento mostra que a situação percentual é crítica em 53 bairros, sendo que 43 estão em alerta, com índice acima de 1%, e outros 10 em risco alto, com a taxa de infestação superior a 4%. Ou seja, o risco da epidemia, puxada pelos vírus tipo 4, se repetir é alto em 10 regiões da Capital.

O LIRAa de novembro mostra que a situação é grave nos bairros Rita Vieira, Itamaracá, Vilas Boas, Carlota, TV Morena, Albuquerque e Paulista, nas saídas para São Paulo e Três Lagoas; e Gunandi, Taquarussu e Jacy, na saída para Sidrolândia. Nestes bairros, o índice de infestação varia de 4% a 4,9%, quase cinco vezes acima do nível considerado satisfatório pelo Ministério da Saúde.

Aline pegou a doença três vezes e ainda pode pegar o quarto tipo de vírus (Foto: Marcos Ermínio)
Aline pegou a doença três vezes e ainda pode pegar o quarto tipo de vírus (Foto: Marcos Ermínio)
Lucineide toma os cuidados e teme pelos filhos gêmeos no Itamaracá (Foto: Marcos Ermínio)
Lucineide toma os cuidados e teme pelos filhos gêmeos no Itamaracá (Foto: Marcos Ermínio)

O temor de uma nova epidemia de dengue assustou os moradores das regiões com alto índice de infestação. A dona de casa Raquel Salustiano, 51 anos, moradora do Bairro Rita Vieira 3, onde a infestação atinge 4,9% dos imóveis, teme que a doença atinja a família, principalmente os seis netos.

Já a sua filha, Aline Salustiano, 23, que mora nas Moreninhas, pegou a dengue três vezes. Ela contou que só passou a tomar os cuidados, como evitar focos da doença e limpar o terreno, quando contraiu a dengue pela segunda vez.

Água nas ruas pode ser foco do Aedes aegypti em região com alto índice de infestação na Capital (Foto: Marcos Ermínio)
Água nas ruas pode ser foco do Aedes aegypti em região com alto índice de infestação na Capital (Foto: Marcos Ermínio)
Lixo jogado em terreno baldio pode ajudar na proliferação de doença em bairro da Capital (Foto:Marcos Ermínio)
Lixo jogado em terreno baldio pode ajudar na proliferação de doença em bairro da Capital (Foto:Marcos Ermínio)

No Bairro Itamaracá, onde o índice também é de 4,9%, a dona de casa Lucineide Gomes da Silva, 39, contou que limpa o terreno e destrói os focos da dengue na casa. No entanto, ela teme a doença porque os vizinhos não seguem o exemplo e existe muitos terrenos baldios tomados pelo lixo e mato. Ela teme pelos filhos gêmeos, de 6 anos, que podem contrair a dengue.

O jardineiro João Lopes de Castro, 64, trabalhava em uma casa cheia de entulho e com garrafas para cima, que podem servir de focos do Aedes aegypti. No entanto, ele disse que o local está normal, já que a vistoria da Secretaria Municipal de Saúde não encontrou nenhuma irregularidade.

Conforme o LIRAa, 77,47% dos focos foram encontrados em residências, 13,89% no comércio e 6,1% em terrenos baldios.
A dengue pode matar. Apesar de já ter registrado uma epidemia, Campo Grande pode enfrentar outra, mas do vírus tipo 4.

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