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Capital

Internada em UPA, sem banho e com covid, professora implora: “salva eu”

Irmã fez corrida por vaga e testemunhou a dura rotina de doente fora do hospital

Por Aline dos Santos | 28/03/2021 15:37
Profesora  mandou mensagem que estava na área vermelha, disse que estava piorando e pediu ajuda.
Profesora mandou mensagem que estava na área vermelha, disse que estava piorando e pediu ajuda.

“Salva eu”. O pedido de socorro de uma professora de 41 anos, que estava há três dias na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Coronel Antonino, chegou ontem à tarde no celular da irmã e levou a uma corrida por leito em hospital que só terminou na madrugada deste domingo (dia 28), com a transferência da paciente para o HR (Hospital Regional) Rosa Pedrossian.

“Pelo menos no hospital é mais tranquilo. Foi um desespero quando recebi a mensagem”, afirma a irmã da professora, que foi testemunha da dura rotina de quem fica na UPA à espera de leito hospitalar.

Nos três dias na unidade de saúde, a paciente foi passando de setor conforme a evolução da doença. Durante o período, tomou um único “banho”, mas de lenço de papel umedecido e com a ajuda de uma cunhada.

“Eles pedem para levarmos alimentos. Nem comida eles têm. Levei sopa e, num dia que ela estava melhor, meu cunhado levou carne assada”, relata, descrevendo uma mais dura situação para quem luta contra a covid fora da rede hospitalar.

Numa ação pedindo ordem judicial para a transferência de outro paciente da UPA Coronel Antonino, a Defensoria Pública informa que o local não foi planejado para internação: sem equipe técnica disponível para oferecer comida, água ou mesmo banho aos pacientes que estão internados.

De acordo com boletim divulgado ontem pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Campo Grande tem 587 pessoas internadas com covid-19, sendo 279 em leito de UTI.

Unidade de Pronto Atendimento na Vila Almeida, em Campo Grande. (Foto: Kisíe Ainoã)
Unidade de Pronto Atendimento na Vila Almeida, em Campo Grande. (Foto: Kisíe Ainoã)

Reação – A prefeitura de Campo Grande informou neste domingo que até o Ministério da Saúde financiar leitos de internação em UPAs,  que vão virar mini-hospitais, o custeio será pago integralmente pelo município. O valor ainda é calculado.

Em outra frente, foi lançado processo seletivo para a contratação de nutricionistas, que ficarão responsáveis pela dieta e acompanhamento dos pacientes nas Unidades de Pronto Atendimento.

“O fornecimento de alimentos a pacientes que eventualmente precisarem ficar internados por mais de 24h já está em processo de viabilização”, informa a prefeitura.

Por dia, a média é de dez pacientes aguardando vaga de UTI nas unidades de urgência e emergência. Em um ano de pandemia, a prefeitura triplicou o número de leitos intensivos: saltando de 116 para 324. As vagas são contratualizadas na rede pública, privada e filantrópica.

“Existe a previsão de abrir mais 10 leitos no hospital El Kadri e, através de um trabalho de remanejamento e estruturação, ativar 44 leitos em duas UPAs. A prefeitura tem tomado todas as medidas para garantir a assistência adequada à população e, neste momento, reforçamos a necessidade da colaboração de todos. É preciso que cada um faça a sua parte para conseguirmos mudar essa situação”, alerta o poder público.

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