O gordo que persegue obesos. A gordura através do tempo
Trump quer barrar vistos de entrada nos Estados Unidos para os obesos. É difícil entender como um gordo pode perseguir os demais obesos do mundo. Logo em um país onde há mais obesos por metro quadrado que em qualquer outro do mundo. Mas nem sempre os obesos foram mal vistos. Essa história começa no século XVI, mas só terá maior importância no XIX. É nessa época que a visão negativa e o estigma contra pessoas gordas, fenômeno conhecido como gordofobia, começa a se intensificar. Consolidando-se com mais força no século XX.
A corpulência era símbolo da fertilidade.
A denominada Vênus de Willendorf é, talvez, a mais famosa das figuras de mulher, em sua imensa maior parte bem obesas, que foram desenterradas em muitas partes do mundo. Elas expressam a união da ideia de fertilidade com obesidade. Era algo intrinsecamente positivo. Essas figuras pareciam dar uma grande importância e respeito pela fertilidade agrícola em geral e pela fecundidade feminina em concreto. O fato é que, em seu período nômade e na construção das primeiras cidades, os humanos davam grande importância à gordura. O obeso estava longe de ser mal visto, era provável que fosse muito respeitado.
Romanos contra gregos.
A gordura foi convertida em boa candidata na hora de insultar. Em Roma, onde os atletas não eram muito apreciados, ao contrário da Grécia, era comum serem descritos como “estúpidos, avarentos, frívolos e gordos. Para os romanos, os gregos deram “inchados” e adoradores de gordura. Em Roma havia uma desconfiança da prática do luxo exagerado e do caráter afeminado dos gregos. Os romanos desprezavam os homens gordos, mas gostavam muitos das mulheres obesas. O principal motivo era que os gordos eram inadequados para suportarem os rigores da guerra.
Ocidentais versus orientais.
Enquanto havia divisões no mundo ocidental antigo sobre os gordos, no oriental não havia um só preconceito contra eles. Pelo contrário, obeso era sinônimo de riqueza, de fartura, e, acreditem, de bem estar. Persas, chineses e egípcios podiam ser gordos sem merecerem qualquer reparo.
A menstruação e a obesidade.
Na Idade Média, a grande discussão era entre a dicotomia menstruação e obesidade. A mulher era mais gorda que o homem e somente a menstruação e a gravidez “evacuavam“ adequadamente esses excessos. Traduzindo: a mulher gorda medieval só emagrecia durante a menstruação e a gravidez. Entre as mulheres gordas, o fluxo menstrual levava menos tempo. Era uma vantagem. Observem que não havia uma relação direta entre beleza e obesidade, como em outros períodos da humanidade. As mulheres gordas chegavam à menopausa em torno dos 35 anos, enquanto as magras só a atingiam entre os 40-50 anos. Os homens eram vistos como “naturalmente mais secos”. Só aqueles que levavam uma vida sedentária eram obesos. Ou quando atingiam a velhice. A masculinidade dos gordos era colocada em dúvida. Gordura pertencia ao âmbito feminino.
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