Irmãos Razuk chegam ao fórum para audiência sobre rifas milionárias
Investigados por lavagem de dinheiro, irmãos foram levados ao Fórum sob escolta do Garras
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Os irmãos Eduardo e Rafael Rezende da Silva Razuk compareceram a audiência de custódia no Fórum de Campo Grande nesta quinta-feira (19), após serem presos em operação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul que investiga exploração ilegal de loterias, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Eduardo é apontado como principal alvo e teria movimentado mais de R$ 100 milhões em seis meses com rifas ilegais pela internet.
Eduardo Rezende da Silva Razuk e Rafael Rezende da Silva Razuk chegaram para audiência de custódia no Fórum de Campo Grande às 7h12 da manhã desta quinta-feira (19), em uma viatura do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros). Os irmãos chegaram escoltados por policiais após serem presos na terça-feira, durante operação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul que investiga exploração ilegal de loterias, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
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Nesta manhã, o advogado Thiago Bunning falou com o Campo Grande News e informou que poderá conversar sobre o caso após a audiência de custódia. O processo corre em segredo de Justiça.
Na terça-feira, a reportagem encontrou a defesa dos irmãos na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), onde Eduardo e Rafael estavam custodiados. Na ocasião, o advogado Thiago Bunning negou qualquer irregularidade nas atividades atribuídas aos investigados e afirmou que as operações financeiras e os sorteios promovidos pela dupla são legalizados, documentados e realizados de forma lícita.
Ao jornal, Bunning disse que a equipe jurídica ainda não havia tido acesso integral aos autos e, por isso, aguardava a liberação das informações para saber com precisão quais acusações pesavam contra os clientes. O advogado acompanhou as diligências realizadas pela polícia.
Eduardo é apontado pela investigação como o principal alvo do esquema. Segundo a Polícia Civil, ele promovia rifas pela internet desde 2019, principalmente por meio do Instagram e do YouTube, onde divulgava os sorteios e comercializava as cotas.
A investigação aponta que as rifas eram realizadas sem autorização e apresentadas como sorteios de prêmios. Conforme os delegados responsáveis pelo caso, a legislação permite modalidades específicas de sorteios e promoções, inclusive em determinadas situações com finalidade filantrópica, mas mediante regras e autorização dos órgãos competentes.
Os investigadores afirmam que, a partir de 2025, o grupo passou a buscar mecanismos para dar aparência de legalidade à atividade. A estrutura teria sido ampliada com a participação de pessoas de outros estados, familiares e empresas responsáveis pela intermediação das operações e pela movimentação dos valores.
Segundo a polícia, uma empresa do Rio de Janeiro oferecia soluções relacionadas aos sorteios e teria feito a ligação entre os investigados de Mato Grosso do Sul e uma empresa da Paraíba. A apuração também busca identificar se a estrutura foi utilizada por outros influenciadores e se poderia ter servido para movimentar recursos de outras atividades criminosas, inclusive dinheiro relacionado ao tráfico de drogas e a facções criminosas.
A dimensão financeira do caso chamou a atenção dos investigadores. De acordo com a Polícia Civil, Eduardo movimentou mais de R$ 100 milhões em um período de apenas seis meses. Nas redes sociais, o próprio influenciador afirmava que conseguia faturar cerca de R$ 1,9 milhão por rifa. Os sorteios eram promovidos uma ou duas vezes por semana.
A operação cumpriu 13 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão em diferentes estados. Além de Eduardo e Rafael Razuk, presos em Campo Grande, Cícero Fabiano Melo Silva foi preso em João Pessoa, na Paraíba, e outro investigado foi preso no Rio de Janeiro. Também houve cumprimento de mandado de busca e apreensão em Brasília.
Bens de luxo e patrimônio sob investigação
Durante as diligências, os policiais apreenderam veículos, relógios de luxo, celulares e outros dispositivos eletrônicos que deverão ser analisados no decorrer da investigação. Entre os bens recolhidos está um veículo que, segundo estimativa apresentada pelos investigadores, pode valer entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. Dois relógios de luxo também foram apreendidos.
A Polícia Civil ainda trabalha para dimensionar o patrimônio relacionado ao grupo, identificar todos os participantes e esclarecer de que forma o dinheiro obtido com os sorteios teria sido movimentado e incorporado ao patrimônio dos investigados. A análise dos aparelhos eletrônicos apreendidos também poderá indicar a participação de outras pessoas e levar à ampliação da investigação.
As apurações começaram após denúncias anônimas sobre a realização das rifas e a possível lavagem do dinheiro obtido com os sorteios. Segundo os delegados Ivan Barreira, diretor do Departamento de Polícia Especializada, e Pedro Cunha, a investigação passou a apurar tanto a possível ilegalidade da atividade quanto a rede de pessoas e empresas envolvidas.
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