Morte de jovem deixa frequentadores em alerta para galhos com risco de cair
Usuários voltaram ao Parque dos Poderes nesta quinta, mas relatam receio e cobram atenção às árvores

Na manhã desta quinta-feira (20), um dia após a morte de Khadyja Gharyb Rocha, de 23 anos, frequentadores do Parque dos Poderes disseram estar mais atentos às árvores e apontaram riscos ao longo da pista. A jovem foi atingida por um galho enquanto andava de patinete pelo local.
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Frequentadores do Parque dos Poderes, em Campo Grande, relataram maior atenção às árvores do local um dia após a morte de Khadyja Gharyb Rocha, de 23 anos, atingida por um galho enquanto andava de patinete. Comerciantes e praticantes de atividades físicas apontaram riscos no percurso e disseram que alguns galhos já preocupavam antes do acidente, ocorrido na quarta-feira (19).
Khadyja estava acompanhada da prima e seguia de patinete pela pista de caminhada da Avenida do Poeta quando foi atingida, na quarta-feira (19). O acidente aconteceu próximo aos quiosques de água de coco e a uma churrascaria.
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Nesta manhã, o local onde a jovem caiu havia sido lavado e o chão ainda estava molhado. Próximo ao ponto de ônibus, a reportagem encontrou dois patinetes e um pedaço de casca de árvore com vestígios de sangue, único resquício visível do acidente. Do outro lado da cerca, havia fragmentos de madeira espalhados pelo chão. No mesmo trecho, outros galhos chamam a atenção por avançarem sobre a pista de caminhada e parte da avenida.

Comerciante e dono de um quiosque de água de coco no parque, Silvio Vegas, de 41 anos, estava nas proximidades quando ocorreu o acidente. Segundo ele, não havia vento no momento da queda e nada indicava que o tronco pudesse ceder. “Foi a primeira vez que aconteceu. Realmente foi uma fatalidade. A menina estava subindo de patinete e, de repente, a árvore cedeu, bateu na cerca e caiu em cima da cabeça dela”, contou.
Silvio afirma que a árvore já havia passado por poda e que parte do tronco permanecia em pé. “Ninguém imaginava”, informou. Depois da morte, porém, ele acredita que os frequentadores ficarão mais atentos e poderão até evitar o trecho. “As pessoas vão ficar um pouco com receio de andar daquele lado do parque. Vão acabar mudando para cá”, disse, apontando para o lado oposto da pista.
Para outros frequentadores, a situação das árvores já despertava preocupação antes do acidente. O advogado Alberto Gaspar, de 63 anos, caminha pelo Parque dos Poderes pelo menos quatro vezes por semana e conta que ouvia estalos ao passar pelo trecho.
“Toda vez que você passava por aqui, escutava os estalos. Isso estava para cair já fazia muito tempo”, afirmou. Segundo ele, galhos caídos são encontrados eventualmente pelo percurso, principalmente após temporais e ventanias.
Alberto também aponta outro galho seco próximo à curva de acesso à Governadoria que, na avaliação dele, precisa ser verificado. “A gente não é técnico, não tem essa experiência. Mas qualquer um dos órgãos competentes que passar por aqui vai detectar vários galhos nessa situação”.
Mesmo mantendo a rotina de caminhada, o advogado conta que passou a escolher o lado da pista que considera mais distante das árvores secas. “A gente sempre procura andar na pista da esquerda, porque mais próximo das árvores dá medo.”

A contadora Alessandra Valejo, de 52 anos, também continuou o exercício nesta quinta-feira, mas admite que o percurso agora é feito com receio. Durante a entrevista, ela apontou árvores e galhos que considera preocupantes e lembrou que o movimento aumenta aos fins de semana.
“De sábado e domingo, esse parque lota. Olha aquela lá na frente, o perigo que está”, disse. Segundo Alessandra, mesmo antes da morte de Khadyja, a aparência de algumas árvores já chamava sua atenção. “Eu não entendo de árvore, não sei se está podre ou não, mas a impressão que dá é que está”.
A advogada Kenia Fontoura, de 48 anos, frequenta o parque às terças, quintas e sábados e disse que ficou em choque com a morte da jovem. Apesar da insegurança, voltou ao local nesta manhã para praticar atividade física. “Ficamos incrédulas. A gente está sempre por aqui praticando nossas atividades e realmente foi muito chocante e triste”, relatou.
Kenia conta que, em dias de vento, costuma evitar o parque e prefere fazer o treino em uma academia. O fato de o acidente ter ocorrido em um dia sem ventania aumentou a preocupação. “A gente fica com medo. Quando está ventando, acaba indo para a academia e fazendo o treino na esteira”, comentou.
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