Sinais silenciosos de que seu pet começou a ficar cego ou surdo
Trombadas, sustos e ausência de resposta a chamados são indícios de problema no bichinho
Seu cachorro começou a trombar nos móveis, evita lugares escuros ou parece ignorar quando você chama? O que muita gente trata como distração, teimosia ou até “coisa da idade” pode ser um sinal de que ele está perdendo a visão ou a audição. Pode parecer simples, mas estar atento a isso pode literalmente salvar a vida do seu animalzinho. Isso porque perceber essas mudanças cedo pode fazer diferença no tratamento e na qualidade de vida do seu pet.
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Cães e gatos podem perder a visão ou audição sem que os tutores percebam. Sinais como trombar em móveis, não responder ao próprio nome e latir mais alto merecem atenção. Testes simples em casa, como soltar algodão ou produzir sons, ajudam a identificar alterações. Segundo o veterinário Antonio Defanti Junior, causas como catarata, glaucoma e otites têm tratamento se detectadas cedo, e animais com limitações podem ter boa qualidade de vida com adaptações no ambiente.
Segundo o médico veterinário Antonio Defanti Junior, mudanças na forma como o animal circula pela casa estão entre os sinais que merecem atenção dos tutores. Animais com dificuldade para enxergar podem começar a bater em móveis e paredes, principalmente em ambientes novos ou depois que objetos mudaram de lugar.
"Um sinal curioso é quando o pet passa a andar com o focinho muito baixo, farejando bastante o chão. Ele pode estar usando o olfato como forma de se orientar.”
Os próprios olhos também podem dar pistas. Aparência opaca ou esbranquiçada, vermelhidão e pupilas muito dilatadas, principalmente quando não diminuem de tamanho diante da luz, são alterações que precisam ser avaliadas.
Antonio alerta que, em casa, alguns testes simples podem ajudar o tutor a perceber se algo mudou. Um deles é o teste do algodão. Para fazer, basta soltar uma pequena bolinha de algodão na frente do animal e observar se ele acompanha a queda com os olhos. Como o algodão cai praticamente sem produzir som, fica mais fácil perceber se a reação ocorreu realmente pela visão.
Outro teste é aproximar rapidamente a mão do olho do animal, sem encostar e sem produzir vento. Se estiver enxergando normalmente, a tendência é que ele pisque ou vire a cabeça.
Também é possível montar um pequeno percurso com obstáculos seguros dentro de casa e observar como o pet passa por eles. Depois, os objetos podem ser mudados de posição. Se o animal começa a hesitar ou trombar quando o ambiente é alterado, isso pode ser um indício de dificuldade visual.
Mas não são só os olhos: os ouvidos também podem atrapalhar a rotina de um cão ou gato que antes era saudável. A perda de audição pode passar despercebida por bastante tempo. Eles conseguem compensar a falta de audição usando outros sentidos, percebendo movimentos, cheiros e vibrações.
Um dos sinais mais comuns é deixar de responder a sons que antes despertavam atenção, como a campainha, o portão abrindo, o saco de ração sendo mexido ou o próprio nome.
O sono também pode parecer muito mais profundo. O animal continua dormindo mesmo diante de barulhos e só acorda quando é tocado. Por isso, pets com perda auditiva podem se assustar muito quando recebem um carinho enquanto dormem ou quando alguém se aproxima por trás.
"Alguns animais com perda de audição passam a latir ou miar mais alto porque deixam de ter a mesma referência do próprio som", explica.
Para observar se a audição do seu pet está comprometida também é preciso fazer o teste. Em casa, o tutor pode esperar o cão ou gato ficar de costas ou distraído e produzir um som, como bater palmas, balançar chaves ou bater duas colheres. É importante evitar bater os pés no chão ou ficar muito perto do animal, porque ele pode perceber a vibração ou o movimento do ar em vez do som.
Outra possibilidade é chamar o pet em tom normal enquanto ele está em outro cômodo e verificar se reage ou vai ao encontro do tutor. Se dois ou mais desses sinais forem percebidos, a orientação é procurar um médico veterinário urgentemente.
"Um animal cego ou surdo pode ter uma excelente qualidade de vida. Com algumas adaptações na rotina e no ambiente, cães e gatos conseguem se adaptar muito bem", pontua o médico veterinário da Clínica Veterinária Bourgelat.
Manter os móveis no mesmo lugar, evitar obstáculos inesperados e utilizar estímulos pelo cheiro e pelo toque são algumas formas de ajudar.
Antonio destaca que algumas causas de perda de visão, como catarata e glaucoma, e de perda auditiva, como infecções e otites severas, podem ter tratamento quando identificadas precocemente.
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