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Capital

Lixo revirado e jogado na rua é retrato de problema social e descaso no Centro

Com pouca fiscalização, até pedestre não ajuda na limpeza no entorno da praça histórica

Por Silvia Frias e Geniffer Valeriano | 18/05/2024 13:29
Homem é flagrado remexendo lixo em frente à praça: problema social que se soma ao cenário do Centro (Foto: Paulo Francis)
Homem é flagrado remexendo lixo em frente à praça: problema social que se soma ao cenário do Centro (Foto: Paulo Francis)

As lixeiras instaladas no entorno da Praça Ary Coelho parecem invisíveis para muitos pedestres que preferem jogar embalagens, panfletos e sacos plásticos no chão. Mesmo quando lixo está no lugar certo, o problema persiste, com pessoas em situação de rua que reviram os recipientes à procura de comida, problema social que se soma ao cenário da região central.

Em cima de uma das mesas de concreto instaladas na Rua 14 de Julho, na calçada da praça, um saco foi aberto e o conteúdo espalhado: copos, sacos e papelão. Do outro lado da rua, o flagrante do Campo Grande News de homem  que revirava a lixeira. Por perto, nem sinal de fiscalização ou policiamento.

No começo do ano, levantamento com base no Cadastro Único do governo federal revelou que o número de pessoas em situação de rua triplicou em sete anos no Estado. Entre setembro de 2016 e setembro de 2023, conforme o CadÚnico, de 404, aumentou para 1.545 pessoas.

Em uma das mesas na praça, saco foi aberto e lixo espalhado, nesta tarde (Foto: Paulo Francis)
Em uma das mesas na praça, saco foi aberto e lixo espalhado, nesta tarde (Foto: Paulo Francis)

O vendedor ambulante Luiz Pereira, 70 anos, há 4 meses se estabeleceu na Praça Ary Coelho, do lado da grade, na Rua 14 de Julho e diz que muitos catadores de material reciclável abrem os sacos de lixo, mas mantém o local organizado. “Esse da mesa não vi quem fez, mas isso é falta de higiene, não é algo que vejo com frequência”.

A reportagem percorreu o quadrilátero da Praça Ary Coelho, local de manifestações, intervenções artísticas, ponto de trabalho de ambulantes e do constante vai e vem dos usuários dos terminais do transporte coletivo e pedestres. Símbolo histórico da cidade, de 10 mil m², não é incomum encontrar lixo pelo chão.

Quem trabalha para manter o local limpo nem sempre consegue “vencer” quem contribui negativamente para a imagem da região central de Campo Grande.

Caixas são deixadas na frente de loja no comércio (Foto: Paulo Francis)
Caixas são deixadas na frente de loja no comércio (Foto: Paulo Francis)

Há 10 anos trabalhando como coletora, Eva Pinheiro, 50 anos, diz que presencia quando moradores de rua reviram o lixo, mas prefere não falar nada. “Eles são agitados, pode vir para cima da gente”, comentou. Porém, ressalta que o problema não é decorrente somente deles. “A população em geral não ajuda”, diz, citando as lixeiras quebradas na região central.

O colega de trabalho de Eva, Lucivan Maciel, 47 anos, comenta que, diariamente gasta cerca de 100 sacos de lixo durante o período de trabalho, das 7h às 13h20, percorrendo a Rua 14 de Julho, no trecho da Avenida Fernando Corrêa da Costa até a Mato Grosso. Logo cedo, os recipientes são retirados das lixeiras e substituídos, mas somem ao longo do dia, retirados pelos moradores de rua.

Eva trabalha há 10 anos como coletar de lixo; ao fundo, rapaz dorme no banco da praça (Foto: Paulo Francis)
Eva trabalha há 10 anos como coletar de lixo; ao fundo, rapaz dorme no banco da praça (Foto: Paulo Francis)

Luciavan lembra, ainda, que a sujeira na praça e no entorno não é responsabilidade única deles. Além das caixas deixadas na frente das lojas, tem ação dos próprios pedestres. “Teve uma vez que uma moça saiu de uma loja e jogou embalagem de bala no chão; falei para ela jogar no carrinho e ela falou que eu sou pago para limpar a rua”.

No período em que a reportagem esteve na praça, apenas um guarda civil metropolitano circulava na praça.

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