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Saúde e Bem-Estar

Contra recomendações, posto de saúde proíbe mãe de amamentar bebê em vacinação

Prática de amamentação durante a aplicação da vacina é recomendada pela Organização Mundial da Saúde

Por Viviane Oliveira | 14/01/2026 08:47
Contra recomendações, posto de saúde proíbe mãe de amamentar bebê em vacinação
Paola Bianca amamenta o filho em outro momento, em registro enviado pela família (Foto: arquivo familiar)

A autônoma Paola Bianca Ibarra de Freitas, de 30 anos, tentou melhorar a coisas para o filho, mas teve o direito negado na rede de saúde de Campo Grande, abrindo debate sobre a amamentação. Chamada mamanalgesia, ela pretendia usar a técnica de amamentar como forma de alívio da dor, durante a vacinação de seu filho, de três meses. Passou por duas unidades de saúde de Campo Grande, na manhã de ontem (13), mas não conseguiu.

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Mãe denuncia negativa de amamentação durante vacinação do filho em duas unidades de saúde de Campo Grande. A autônoma Paola Bianca Ibarra de Freitas tentou realizar a mamanalgesia, técnica recomendada pela OMS e Ministério da Saúde para alívio da dor, durante aplicação da vacina meningocócica em seu bebê de três meses. O Conselho Regional de Enfermagem de MS afirma que profissionais não podem proibir a prática. A Secretaria Municipal de Saúde reconhece a recomendação, mas ressalta que em situações específicas pode ser necessário interromper brevemente a amamentação para garantir a aplicação segura do imunizante.

Segundo Paola, o primeiro atendimento foi na USF (Unidade de Saúde da Família) Mata do Jacinto Doutor Ademar Guedes de Souza, onde o bebê receberia a vacina meningocócica, que protege contra doenças graves como meningite e sepse. Ela afirma que chegou à unidade preparada para amamentar o filho durante a aplicação, prática que ajuda a reduzir a dor, o choro e o estresse do bebê.

“Cheguei preparada para amamentar ele durante a vacina, porque esse é um direito meu”, relatou. No entanto, na sala de vacinação, a profissional pediu que o bebê fosse colocado deitado na maca. Ao dizer que pretendia amamentar durante o procedimento, Paola ouviu que a unidade não realizava esse tipo de prática.

A mãe disse que questionou a negativa, citando que a técnica consta na Caderneta de Saúde da Criança e é recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde. Ainda assim, a amamentação não foi permitida. Diante da situação, ela procurou a gerência da unidade.

Conforme Paola, o gerente desconhecia o termo “mamanalgesia” e pesquisou sobre o tema no momento do atendimento. Embora tenha confirmado que a prática existe e é recomendada, informou que não poderia obrigar a profissional de saúde a permitir a amamentação. “Fica a pergunta: como não pode obrigar, se é um direito garantido?”, questiona a mãe.

Sem condições de pagar por uma vacina particular, Paola procurou outra unidade, dessa vez do Novo Bahia, onde relatou ter enfrentado a mesma situação. “Acabei vacinando meu filho sem poder amamentar. Foi um descaso. Tiraram um direito meu e do meu bebê”, disse. Para ela, muitas mães passam pelo mesmo constrangimento ao ver os filhos sofrerem em um momento que poderia ser mais acolhedor.

Contra recomendações, posto de saúde proíbe mãe de amamentar bebê em vacinação
Prática, inclusive, consta como orientação de cuidado humanizado na Caderneta de Saúde da Criança. (Foto: postagem feita por Paola))

Questionado pela reportagem, o presidente do Coren-MS (Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), Leandro Dias, afirmou que o profissional de enfermagem não pode proibir a amamentação durante a vacinação. “Muito pelo contrário. O profissional deve incentivar essa prática, pois acalma o bebê. Trata-se de uma técnica de analgesia natural, recomendada para conforto e para minimizar a dor do procedimento”, explicou.

Sobre o risco de engasgo, argumento frequentemente citado para a recusa, Leandro esclareceu que a situação está relacionada à técnica inadequada de amamentação, e não à aplicação da vacina. “Por isso é importante que o profissional estimule e oriente a amamentação durante o procedimento. A amamentação é um processo natural que o bebê consegue controlar”, destacou.

Por meio de nota, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública) informou que a mamanalgesia é uma prática recomendada desde 2015 pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pelo Ministério da Saúde, sendo reconhecida como uma estratégia eficaz para a redução da dor durante a administração de vacinas injetáveis em recém-nascidos, bebês e crianças.

"No entanto, em situações específicas, visando à segurança da criança, é necessário garantir o posicionamento adequado na maca para que a dose seja aplicada corretamente na região indicada da perna. Essa medida tem como objetivo assegurar a aplicação segura do imunizante, prevenindo possíveis eventos adversos decorrentes de uma aplicação inadequada", justifica.

Ainda conforme o texto, nesses casos, o vacinador poderá orientar a mãe a interromper brevemente a amamentação no momento da aplicação. Logo após a vacinação, a criança retorna ao colo materno, podendo retomar imediatamente a amamentação, que contribui para o conforto e para a analgesia no período pós-procedimento".

Mamanalgesia

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a amamentação durante a aplicação de vacinas é altamente recomendada tanto para o bebê quanto para a mãe. A sucção reduz a dor do bebê, já que o leite materno contém endorfinas, que ajudam a aliviar a dor e aumentam a eficácia da vacina. Além disso, amamentar também acalma a mãe, diminuindo a ansiedade.

A OMS e o Ministério da Saúde indicam que a amamentação durante a vacinação e após o procedimento proporciona maior conforto e relaxamento para a criança.

"Amamentar durante a vacina é um direito da mãe e não oferece risco à saúde do bebê"m afiram nota técnica da Organização. A amamentação também é recomendada durante o Teste do Pezinho, que é realizado nos primeiros dias de vida.

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