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Capital

"Matei e está no poço", disse Cléber ao confessar assassinato de idoso

"Pedreiro Assassino" encara o segundo julgamento, das sete acusações de homicídio que responde

Dayene Paz e Bruna Marques | 16/02/2022 10:19
Cléber durante depoimento de testemunhas no júri. (Foto: Marcos Maluf)
Cléber durante depoimento de testemunhas no júri. (Foto: Marcos Maluf)

Friamente, o pedreiro Cléber de Souza Carvalho confessou seus assassinatos, um por um, de acordo com a polícia. "Matei e está no poço", disse, sobre o amigo Timótio Pontes Roman, 62 anos.

"Percebemos, durante a investigação, que ele estava perdendo o controle. Matou José Leonel em um dia e o Timótio no outro", contou o investigador Cláudio Rossi Júnior, durante  depoimento no julgamento do réu, nesta quarta-feira (16).

O policial, que participou das investigações, respondeu às perguntas do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), advogados de defesa e do juiz Aluízio Pereira dos Santos.

Para explicar como a polícia chegou até o corpo de Timótio Roman, o investigador contou que a equipe da DEH (Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Homicídio) já estava à procura de Cléber, por ser o principal suspeito do desaparecimento de José Leonel.

"Ele matou [José Leonel] e o enterrou no quintal. A partir daí, ele ficou foragido e passamos a fazer buscas. O policial relembrou que a filha e a esposa do réu que indicaram onde o corpo dessa vítima estava enterrado. A família já havia se mudado para a casa da vítima.

Foi a partir deste caso que a DEH identificou o desaparecimento de outras pessoas, moradores da região e que tinham alguma conexão com o pedreiro. "Isso levantou suspeita que ele teria ligação no desaparecimento dessas pessoas também".

O rastro de crimes começou a ser descoberto. "No dia da prisão dele, nós questionamos sobre essas pessoas e ele confessou todos os homicídios. A gente falava o nome e ele falava 'matei, está em tal lugar", discorre Cláudio.

Timótio - As investigações continuaram após a localização do corpo de José Leonel. No dia 7 de maio de 2020, um vizinho sentiu forte cheiro e encontrou Timótio Pontes Roman, de 62 anos, morto, jogado no poço, aos fundos da casa onde morava, na Vila Planalto. "Sem ele [Cléber] saber que o corpo havia sido localizado, fomos questioná-lo a respeito de Timótio, quando então disse: 'matei e está no poço'. Afirmou que matou com golpe de picareta na cabeça", discorre o investigador.

A motivação para matar Roman, conforme apurou a investigação, foi desentendimento por uma divida de R$ 3 mil. O pedreiro também tinha a intenção de morar na casa da vítima. "Ele gostou da casa e estava pretendendo ficar. Durante as diligências, descobrimos que o Cléber havia até alugado a casa do Timótio para outra pessoa", revela. A intenção dele com todas as vítimas, era sempre se apossar de algum bem material, apontou a investigação.

Durante seu depoimento, o investigador foi questionado pela defesa sobre a altura do poço onde Timótio foi encontrado, o que gerou alvoroço no Tribunal do Júri. Ao responder que não se lembrava e que as fotos da perícia mostravam o poço, a defesa contestou, afirmando que a perícia estava prejudicada.

O juiz, Aluízio Pereira dos Santos, também contestou o questionamento. "Quer que a testemunha vire perita agora?". A defesa então pediu que constasse em ata o indeferimento da pergunta. "Quero que conste em ata", salientou. "Já consta", respondeu o juiz.

Entenda - Cléber enfrenta nesta quarta-feira (16), seu segundo julgamento. Desta vez, pela morte de Timótio Pontes, ocorrida em maio de 2020. Conhecido como "pedreiro assassino", Cléber ele responde por sete acusações de homicídio em Campo Grande. No último dia 1º de fevereiro foi condenado pelo homicídio de Roberto Geraldo Clariano, o “Cenoura”.

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