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Médica denuncia transfobia e expulsão de plantão em UPA

Caso foi registrado no domingo como possível crime de discriminação por identidade de gênero

Por Gabriel Neris | 13/04/2026 07:26
Médica denuncia transfobia e expulsão de plantão em UPA
Entrada da UPA Coronel Antonino, onde ocorreu denúncia de transfobia (Foto: Arquivo)

Uma médica denunciou ter sido vítima de transfobia e expulsa do plantão enquanto atendia um paciente em estado grave na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Coronel Antonino, em Campo Grande, no domingo. O caso foi registrado como possível crime de discriminação por identidade de gênero.

RESUMO

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Uma médica denunciou ter sofrido transfobia durante plantão na UPA Coronel Antonino, em Campo Grande, no domingo. Segundo o boletim de ocorrência, uma superior hierárquica se recusou a usar pronomes femininos ao se referir à profissional, mesmo após correções. A médica também relatou ter sido expulsa verbalmente do plantão enquanto atendia paciente em estado grave. O caso foi registrado como possível discriminação por identidade de gênero e abuso de autoridade.

De acordo com o boletim de ocorrência, a profissional assumiu o plantão no início da tarde em meio à superlotação e ao fluxo intenso de pacientes graves. Durante o atendimento, relatou dificuldades com a falta de equipamentos adequados, incluindo a falha do único dispositivo de ventilação disponível no momento da intubação de um paciente.

Segundo o registro, o equipamento se desmontou durante o procedimento, obrigando a equipe a improvisar com um ambu pediátrico para manter a oxigenação. Em seguida, houve nova intercorrência com o tubo utilizado, o que exigiu outra intervenção imediata.

Diante da situação, a médica acionou a diretoria técnica para avaliar as condições de trabalho e a falta de materiais. No entanto, o que seria um suporte técnico terminou em conflito.

A profissional afirma que a superior hierárquica passou a se referir a ela no masculino, mesmo após correções sobre o uso de pronomes femininos. A conduta, segundo o relato, foi repetida durante o atendimento, inclusive em meio a um procedimento em um paciente grave.

Ainda conforme o boletim, a médica foi informada verbalmente de que estava expulsa do plantão e proibida de continuar na unidade. A decisão não foi formalizada por escrito, apesar de solicitação da profissional, que alegou não poder deixar o posto sem respaldo legal.

Após o episódio, ela permaneceu até o fim do plantão e, em seguida, registrou a ocorrência. No documento, pede providências por discriminação de gênero e aponta possível abuso de autoridade.

A polícia classificou inicialmente o caso como prática de discriminação por identidade de gênero, com base na legislação vigente. A investigação deve apurar também as circunstâncias do conflito e as condições estruturais da unidade, citadas no relato como fator de risco durante o atendimento.

O Campo Grande News procurou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) e a Prefeitura da Capital, e aguarda retorno.

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