Morador de rua vive em calçada ao lado de posto de saúde para seguir tratamento
Com diabete e pressão alta, "Véio" encontrou ali o mínimo para seguir vivendo

Diabetes, pressão alta e problemas com ácido úrico levaram Valdemir Arruda, que acredita ter “70 anos e uns calibrados”, a fixar seus pertences no entorno do posto de saúde do Bairro Tiradentes, em Campo Grande. Conhecido como “Véio”, ele vive em situação de rua há pelo menos duas décadas e diz ter aprendido, com o tempo, onde encontrar o mínimo necessário para sobreviver.
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Um idoso em situação de rua escolheu fixar moradia próximo ao Centro Regional de Saúde Dr. Antônio Pereira, no Bairro Tiradentes, em Campo Grande, devido a problemas de saúde. Conhecido como "Véio", Valdemir Arruda enfrenta diabetes, pressão alta e complicações com ácido úrico. Após perder os pais e enfrentar problemas com drogas, ele vive nas ruas há duas décadas. Atualmente, faz pequenos serviços para comerciantes locais e mantém um "kit de sobrevivência" com medicamentos básicos. Em Campo Grande, segundo o CadÚnico, existem 1.681 pessoas em situação de rua.
“Para quem vive na rua, o importante é saber entrar e sair dos lugares, se relacionar bem com as pessoas em volta. Você faz um servicinho e ganha algo em troca. Às vezes o comerciante nem precisa, mas ajuda por caridade”, conta o idoso em situação de rua. Na manhã desta sexta-feira (2), a cama improvisada estava em uma rua lateral ao CRS (Centro Regional de Saúde) Dr. Antônio Pereira, com vista para a Avenida José Nogueira Vieira.
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De barba feita, roupas limpas e comunicativo, ele alterna a conversa entre experiências de vida, o período em que consumiu drogas, conflitos familiares e reflexões pessoais. Em meio ao relato, explica o motivo de ter se fixado na região da Lagoa Itatiaia.
“Vim para a situação de vulnerabilidade depois da morte dos meus pais. Perdi tudo o que tinha por direito porque era usuário de drogas. Naquela época, experimentei tudo o que existe no submundo. Essa é a minha realidade, e a gente precisa saber jogar para sobreviver”, afirma. Ele garante estar há anos sem consumir entorpecentes.
As condições de vida, no entanto, deixaram marcas. “Tenho pressão alta, ácido úrico descontrolado e preciso acompanhar a diabetes. Fico aqui porque, quando sinto qualquer coisa, já vou ali no posto. Eles me atendem, claro que não é sempre. Os enfermeiros têm os pacientes novos. É jogo de cintura dos dois lados, meu e deles”, relata.
Não é possível confirmar se Valdemir é, de fato, o nome dele. Todos o chamam apenas de Véio, e ele não permitiu acesso ao cartão do SUS. Entre os poucos pertences espalhados pela rua, mostrou o que chama de “kit de sobrevivência”. Dentro da sacola havia pastilhas para dor de cabeça, remédio para controle de diarreia, pasta de dente, descongestionante nasal e algumas moedas.
“Por todo lado tem gente como eu, nessa situação social. Eu estou aqui porque escolhi esse lugar por causa da minha saúde. Quando chove, tem a varanda da moça ali”, diz, apontando para uma loja. “Ela deixa eu ficar, consigo trabalhar e assim vou seguindo até o fim. É a minha liberdade”, conclui.

Véio não é o único tentando sobreviver nas ruas da cidade. Estar perto de um posto de saúde foi a estratégia que ele encontrou. Em Campo Grande, a população em situação de rua soma 1.681 pessoas, conforme dados atualizados do CadÚnico (Cadastro Único).
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