O sonho de transformar o Pantanal em um imenso arrozal
No início do século passado, já existiam previsões bastante otimistas quanto à capacidade futura do Mato Grosso do Sul ter uma agricultura pujante. Entendiam que a região de Dourados e de Ponta Porã tinha terras planas ou ligeiramente onduladas, “admiravelmente talhadas para o emprego do arado”. Seus campos dispensavam trabalhos de derrubada de árvores e o clima era excelente. Acertaram o diagnóstico. Enxergaram que as vacas dariam lugar aos cereais. Mas erraram as previsões para o Pantanal.
O arrozal no Pantanal.
As previsões eram também otimistas para o plantio de arroz no Pantanal. Seu solo seria “naturalmente irrigado e requerendo insignificante despesa de preparo”, diziam os estudos da época. Ufanistas, completavam: “nenhuma outra região do Brasil teria tanta capacidade de produzir arroz a um custo reduzido”. Essa previsão nunca se concretizou.
O arroz dos Guatós.
A história do arroz no Pantanal precede a chegada dos brancos fugitivos de Poconé. Desde tempos imemoriais, os guatós colhiam arroz selvagem. Era por eles chamado de “machacho”. Esse arroz selvagem caiu em desuso na dieta dos guatós. De item obrigatório no cardápio das aldeias, desapareceu. O arrozal do Pantanal não passou de um sonho. Até pouco tempo, o arroz irrigado da região de Dourados e P.Porã tinha mais importância que o ainda existente no Pantanal. Quem consegue explicar essa estranha tendência?
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