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Comportamento

Arca faz aniversário, mas você sabe o que está guardado lá dentro?

Arquivo preserva fotos, jornais e documentos de Campo Grande e busca ampliar a aproximação com o público

Por Amanda Santos | 19/08/2026 06:55
Arca faz aniversário, mas você sabe o que está guardado lá dentro?
Hemeroteca do ARCA. A coleção preserva jornais que registram a vida política, social, econômica e cultural de Campo Grande. (Foto: Acervo ARCA)

São fotografias, jornais, mapas, plantas e documentos que ajudam a contar diferentes momentos de Campo Grande. ARCA (Arquivo Histórico de Campo Grande) completa 35 anos de criação oficial nesta quarta-feira (19), mas a história da instituição começou antes, em 1986, quando surgiu o projeto para reunir e preservar documentos que estavam dispersos e ameaçados de perda.

RESUMO

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O Arquivo Histórico de Campo Grande (ARCA) completa 35 anos nesta quarta-feira (19). Criado oficialmente em 1991, o acervo reúne fotografias, mapas, jornais e documentos da Prefeitura e da Câmara Municipal. O gestor Davi Almeida aponta a digitalização e a educação patrimonial como principais desafios. O arquivo funciona de segunda a sexta, das 7h30 às 13h30, na Rua Brasil, 464, no Monte Castelo.

Criado oficialmente em 19 de agosto de 1991, o ARCA reúne hoje documentos da Intendência, da Prefeitura e da Câmara Municipal, além de fotografias, mapas, plantas arquitetônicas, jornais, revistas e livros. O acervo inclui processos de construção, loteamentos, alvarás, habite-se, atas, contratos e outros registros que ajudam a entender como a cidade foi sendo ocupada e transformada ao longo do tempo.

A preocupação acompanha a própria origem do ARCA. O Projeto Arquivo Municipal de Campo Grande, elaborado em 1986 pela Secretaria Municipal da Cultura e do Esporte, já previa localizar, recolher, organizar, preservar e disponibilizar documentos públicos e particulares. Na época, os registros capazes de testemunhar a história da cidade estavam dispersos, extraviados ou ameaçados de desaparecer.

Arca faz aniversário, mas você sabe o que está guardado lá dentro?
Exposição fotográfica e de banners do ARCA na Biblioteca Municipal de Campo Grande. Os painéis apresentam edifícios e paisagens urbanas a partir de imagens históricas. (Foto: apresentação institucional ARCA)

Para o gestor do ARCA, Davi Almeida, um dos maiores desafios é fazer com que a importância desse patrimônio seja reconhecida pela população. Segundo ele, parte dos documentos de valor histórico, probatório e informativo pode se perder justamente pela falta de educação patrimonial e de consciência sobre a necessidade de preservação.

Outra dificuldade está na própria conservação. Jornais e documentos manuscritos, por exemplo, exigem cuidados especiais por causa da fragilidade e da antiguidade dos materiais. A digitalização aparece como uma das principais necessidades para ampliar a proteção e o acesso ao acervo. Para Davi, se houvesse mais recursos, essa seria a prioridade.

“A digitalização propicia a salvaguarda do documento mediante cópia digital, preserva o bem documental de manuseios que, embora necessários, degradam os físicos originais e os expõem a riscos”, explica.

Além de proteger os documentos, a digitalização permitiria que mais pessoas conhecessem o acervo sem precisar ir presencialmente ao arquivo.

Davi também defende investimentos em ferramentas como realidade aumentada, realidade virtual, storytelling patrimonial, mesas interativas e plataformas digitais para aproximar os arquivos de públicos que ainda não têm contato com esse tipo de patrimônio.

É justamente a aproximação com as novas gerações que aparece como outro desafio. Para o gestor, não basta guardar documentos, é preciso criar formas de apresentá-los de maneira compreensível e interessante. O ARCA já promove exposições fotográficas, palestras, visitas escolares, visitas guiadas e projetos de educação patrimonial com escolas e universidades.

Arca faz aniversário, mas você sabe o que está guardado lá dentro?
Sala de Processos, em 2004, na sede da Rua Barão do Rio Branco, nº 1455. A documentação textual permite acompanhar a administração pública e as transformações urbanas. (Foto: Acervo ARCA)

A instituição também tem uma trajetória de levar seu acervo para fora das salas de pesquisa. Entre 1990 e 2011, foram publicadas 15 edições da Revista ARCA, com temas como ferrovia, imigração, ruas, praças, patrimônio, meio ambiente, música, teatro e arquitetura.

 Exposições fotográficas e documentais também fizeram parte dessa tentativa de aproximar os registros históricos da população.

Para Davi, essa aproximação precisa continuar porque o arquivo não guarda apenas o passado. Ele também registra o presente que, no futuro, será história. “Viver é produzir documentos”, afirma, citando desde contratos e fotografias até mensagens de WhatsApp como exemplos de registros que podem ajudar a contar a trajetória de uma sociedade.

A necessidade de preservar esses vestígios fica ainda mais evidente diante das transformações urbanas.

"Um prédio pode ser demolido, uma rua pode ganhar outro uso ou um costume pode desaparecer, mas fotografias, plantas, processos e relatos podem manter parte daquela história. É nesse sentido que o ARCA funciona como uma espécie de testemunha documental das mudanças de Campo Grande", diz.

Atualmente, o arquivo funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h30, na Rua Brasil, nº 464, no bairro Monte Castelo. A sede atual foi definida após uma mudança planejada em 2021, com a proposta de melhorar as condições de guarda, atendimento e organização dos diferentes acervos.

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Sede do Arquivo Histórico de Campo Grande, em 1995, na Rua Cândido Mariano, nº 945. (Foto: Acervo ARCA)


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