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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

22/10/2011 10:14

Moradores da Vila Margarida estão assustados com fechamento de pelotão da PM

Paula Maciulevicius

Prédio foi desativado devido à precaridade, e comunidade se mobiliza para reativação de unidade construída por moradores do bairro, onde, no mês passado, tentativa de assalto resultou em duas mortes.

Posto fica em prédio cedido pela Associação de Moradores e construído pela comunidade, mais de duas décadas atrás(Foto: João Garrigó)Posto fica em prédio cedido pela Associação de Moradores e construído pela comunidade, mais de duas décadas atrás(Foto: João Garrigó)

Há 15 dias quem passa pelo posto da Polícia Militar da Vila Margarida, na rua Naviraí, vê as portas fechadas, inclusive sem maçaneta. O vidro da janela da fachada parece estar quebrado e até a placa com o nome do 9° Batalhão está com as letras apagadas. O aspecto de abandono coincide com o medo que os moradores estão enfrentando: já estão duas semanas sem Polícia no local.

Os policiais deste pelotão foram deslocados para a base do Parque das Nações Indígenas, em uma transferência que, segundo a corporação, é temporária, diante das condições do prédio, consideradas precária. Para quem via a presença constante da PM, sobrou o receio de ficar à mercê dos assaltantes.

A região, vizinha ao bairro Giocondo Orsi, se transformou em bairro visado pelos criminisos e foi cenário de uma tentativa de assalto que terminou na morte de duas pessoas, na rua Genebra, no último dia 26 de setembro. A lembrança ainda está presente na cabeça dos moradores.

“Esse mês passado aí aconteceu um assalto e um policial à paisana que evitou, mas foi aqui quase em frente à creche. Se com Polícia já tinha, imagina sem?”, diz a babá Lenilda dos Santos Vieira, de 41 anos.

Lenilda trabalha na região há 9 anos e diz ter percebido o posto desativado quando passou a não ver mais viaturas paradas ali. “É ruim, tem comércio, sempre deveria ter policial no posto. Nas ruas até existe um senhor que guarda, mas ele não dá conta. A segurança mesmo vinha do posto”, relata.

A babá estava acompanhada de uma colega, Janete Campos da Silva, que trabalha na região há três anos. Segundo ela o perigo existe também para os que esperam no ponto de ônibus.

A rua do ponto que a Janete fala é a mesma do posto policial desativado, apenas algumas quadras abaixo.

Os pisos são desiguais e mostram o desgaste do tempo. As janelas pintadas são para “segurar” o calor. (Foto: Pedro Peralta)Os pisos são desiguais e mostram o desgaste do tempo. As janelas pintadas são para “segurar” o calor. (Foto: Pedro Peralta)
Vidro quebrado demonstra falta de segurança em posto da PM na Vila Margarida(Foto: João Garrigó)Vidro quebrado demonstra falta de segurança em posto da PM na Vila Margarida(Foto: João Garrigó)

“Teve um dia que uma conhecida estava lá e um motoqueiro abordou ela. Ele não conseguiu levar mas disse que nos outros dias pegava”, diz.

Por conta disso, tanto Janete como Lenilda esperavam o ônibus na rua Genebra. Ainda próximo ao cenário do assalto que terminou em morte, o corretor de imóveis Mário Lúcio Túlio, de 39 anos, pegava as duas filhas na creche.

“Fechou o posto policial? Depois que mataram dois aí? Eu já fui assaltado duas vezes em três anos. Se já era ruim com a Polícia aí, ficou pior. Não se pode ficar na frente de casa, sempre com tudo fechado. A gente fica preso enquanto o bandido está solto”, conta.

Ainda na creche, no bairro Giocondo Orsi, funcionárias não acreditavam na confirmação e questionam o por quê da retirada do posto. “Para onde que foi? Para o Parque? Será que é pela casa do Papai Noel? Porque nem casas tem ali, é só árvore. Aqui que é perigoso, bairro que sempre tem assalto agora fica sem segurança. Em vez de abrir mais, fecha?” indaga a assistente administrativa Sônia Fernandes.

A diretora se assusta mais ainda e conta que a região, que segundo ela tem bocas de fumo, tinha tranquilidade, ou pelo menos aparência, com o posto na ativa. “A gente chamava eles ficam socorrer na hora e sempre cuidavam bem da região. É uma pena. Já tivemos mães que foram assaltadas em plena tarde depois de pegarem os filhos aqui”, exemplifica Nalu Cabral.

Pelos depoimentos dos moradores a impressão que se tem é de que ver a Polícia já dava a sensação de segurança. Para a vizinhança, a atenção dos policiais à região acalmava.

“Eles sempre passavam aqui perguntando se estava tudo bem e que se precisássemos de alguma coisa, era só ligar no pelotão”, comenta a comerciante Irene Moreira Cardoso, de 67 anos.

Adolescente e comerciante vivenciaram assalto nesta semana. “A gente não tinha quem chamar”, diz Irene. (Foto: João Garrigó)Adolescente e comerciante vivenciaram assalto nesta semana. “A gente não tinha quem chamar”, diz Irene. (Foto: João Garrigó)

Uma das proprietárias de uma panificadora da Vila Margarida, ela conta que teve o estabelecimento assaltado há dois meses e se não bastasse, bandidos também entraram na casa da filha nesta semana.

“Antes de ontem pularam o muro e entraram na casa da minha filha. A gente não tinha quem chamar”, fala Irene sobre a insegurança.

Saber que não tem Polícia por perto já tira o sono de quem trabalha e mora ali. “Estamos passando por um momento difícil, é medo em casa, no comércio”, acrescenta.

A neta, Mariana Cardoso Fantinato, de 17 anos, conta que teve que dormir com a irmã na noite do susto. “Eu não conseguia dormir sozinha. Eu vi um deles, a minha irmã viu outro, eles entraram dentro do quintal de casa”, desabafa.

Vai voltar- Enquanto o Campo Grande News percorria o bairro, uma viatura do 9° Batalhão passava realizando rondas. O comandante do pelotão, tenente Cláudio Ferreira Muzili, fez questão de ressaltar que o policiamento continua e até foi intensificado para compensar a transferência do posto, que, segundo ele, é temporária.

“Intensificamos até para proteger o nosso patrimônio que ainda está sob a responsabilidade da Polícia”, diz.

O posto policial tem mais de duas décadas e segundo o comandante já não atendia mais às necessidades da Polícia Militar. O tenente abriu as portas para mostrar a precariedade do local.

“A instalação não suportava mais. Os policiais não tinham as mínimas condições de alojamento. Como eu assumi o comando, sugeri a interdição até resolver o problema”, explica.

O prédio pertence à comunidade da Vila Margarida e foi cedido pelo centro comunitário para servir de base para o policiamento da região. Foram moradores da região que construíram o posto. As adequações na tentativa de atender a demanda transformaram o local em diversos “puxadinhos”.

“Conseguimos três aparelhos de ar-condicionados e não tinha como instalar porque o padrão é monofásico. Não se mexe no piso e no forro há muito tempo”, ressaltou o tenente.

Quanto à interdição a Polícia promete que é temporária até que se resolva a questão. O Campo Grande News pôde constatar que nem cortinas havia na unidade. As janelas eram pintadas de azul, não uma alusão às cores da Polícia Militar do Estado, mas para tentar amenizar a entrada solar.

Os pisos são desiguais e mostram o desgaste do tempo. O banheiro está em condições precárias e segundo relatos quando acionada a descarga, a água saía toda para fora.

“Fazer a reforma e voltar ao local seria um bom presente de Natal para a Polícia e aos moradores também”, comenta o tenente.

No final da tarde desta sexta-feira, em uma reunião com moradores para apontar possíveis soluções de reforma ao local, a Câmara de Vereadores se comprometeu a entregar o prédio reformado ainda este ano.

“Vamos enviar o projeto e na próxima quinta-feira já temos uma reunião de retorno para conversar o que foi decidido com os moradores”, explica o comandante.

“Também queremos voltar para cá, o posto era muito procurado, mas precisamos adequar ou ter um novo espaço”, finaliza.

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à noite e nos finais de semana, proteção apenas de DEUS.
Vale ressaltar, que ambas regiões NECESSITAM de posto policial, quem sabe são os moradores,comerciantes e usuários dos serviços do local. Quanto ao comandante e governo, estão distantes e bem protegidos, enquanto o povo....
É imprescíndivel, a colaboração da nossa querida imprensa nesse momento de reinvindicação.
Pessoal não dessistam lutem.
 
neyde de oliveira em 23/10/2011 12:43:59
qualquer comunicação a população, demonstrando um tremenda falta de respeito p/ c/ povo.
Pagamos tantos impostos e o governo, ainda quer tudo de graça, falta pedir ao povo q paguem os salários dos PMS. Foi solicitado através de um abaixo assinado, reativação do posto(fica quase enfrente ao Bco. do Brasil),mas foi indeferido o pedido. Apenas colocaram o policiamento de moto durante o dia.Quanto à
 
neyde de oliveira em 23/10/2011 12:37:55
posto foi construido pelos moradores,assim como o POSTO POLICIAL da Av: Cel.Antonino, que foi construido e mantido pelos comerciantes na época, devido aos constantes assaltos,roubos,latrocínio e homicídios na região que é cercada de comércio,agências bancárias,residências e consequentemente veículos e motos de fácil comercialização no mundo do CRIME. O posto, foi desativado no governo anterior sem
 
neyde de oliveira em 23/10/2011 12:30:59
Estou ESTARRECIDA, com essa notícia. Mais um Posto Policial em ponto importante, que é desativado.
Concordo com os moradores, realmente aquela região é recheiada de bocas de fumo e consequentemente de VAGABUNDOS. Parece que todos assalto nos bairros das imediações tiveram bandidos presos em bares no local ou próximo.
SEGURANÇA É COISA DE POLÌCIA...mas a realidade esta ficando para trás.
O referid
 
neyde de oliveira em 23/10/2011 12:24:13
Realmente é uma perda para o bairro o desativamento do posto. Trabalho em frente e nos dava a sensação de segurança os policiais por perto. Mas penso que segurança devemos ter mesmo sem policiais por perto. É necessário formar consciências, prevenir ainda é a melhor opção. O policiamento comunitário era uma grande saída, mas parece que ele só serve a alguns bairros.
 
Leize Demétrio da Silva em 22/10/2011 12:39:51
certamente o senhor "lucas figueiredo " não saber como é trabalho da Policia ou é dos "PEBAS" que esta comorando a desativação do posto Policial,...


ALÔ COMUNIDADE VAMOS SE UNIR E REATIVA-LO O MAIS RAPIDO POSSIVEL!!
 
Jheser tobias em 22/10/2011 12:12:46
é acho que o posto policial dessa região só no ano quem vem, por ser um ano de eleições mais ainda tenho duvida que ativem novamente esse posto. aki no aerorancho, tem um e não serve para nada, ja liguei para o 190 e só chegam depois de muito tempo ou nem aparecem, e olha que ja fui até o posto para ver se tem alguem e la estava os policiais, mas nao foram acionado pelo 190, para averiguação.
 
nelson ferreira em 22/10/2011 11:54:09
o COMANDANTE GERAL DA PM deve ouvir a população, o posto de Polícia serve de apoio a comunidade e intimida os bandidos, acho que deveria ter vários pela cidade.
 
MATEUS COSTA em 22/10/2011 11:46:45
sou morador da região e realmente é uma pena, perder um local onde os policiais gostavam de ficar descansando e batendo, bastava passar em frente para todo mundo ver que era uma realidade, tanto que como a reportagem diz, os bandidos metiam bronca mesmo sendo perto do posto policial, porque sabiam que os policiais estavam lá só pra descansar.
 
lucas figueiredo em 22/10/2011 11:44:11
Realmente é uma grande perda para a sociedade, que sempre quer ver a polícia cada vez mais próxima de si...eu particularmente trabalhei nesse Pelotão da Vila Margarida...foi o primeiro local que tirei serviço como PM...mas temos que ver que o local realmente não tinha mais condições de funcionamento. É precário. O Policial além de tudo é um ser humano...a atitude do Tenente foi louvável.
 
Renato Dias Silva em 22/10/2011 06:54:53
pois é. primeiro o desarmamento, agora o recolhimento de policiais e fechamento de postos. Chamar a polícia, ela aparece depois de 48h,.. isso pro vagabundo fugir do flagrante. MOBILIZEM-SE, as redes sociais estão aí, e é o melhor lugar. REDE SOCIAL TEM VOZ.
 
Marcelo Max em 22/10/2011 04:48:35
sim sr Jheser, acompanho sim pela imprensa o trabalho da polícia, semana passada eu vi o que aprontaram em Cassilândia, um pm brigando com a esposa, um outro errando um tiro e acertando o comandante e e o próprio comandante que devia formar e ter o comando de sua equipe vindo a falecer, como se diz a tropa é espelho do comandante, pra mim e para os bandidos e posto não faz diferença
 
lucas figueiredo em 22/10/2011 03:37:05
A verdade é essa. O que muitos não sabem é que faltam viaturas por causa de manutenções simples, como pneus e troca de óleo, faltam equipamentos, papel para impressora, falta até mesmo material de limpeza para os pelotões. Não há interesse na manutenção da policia militar. Não me surpreende o fechamento desse e de outros pelotões que estão em estado critico.
 
Tobias Costa em 22/10/2011 02:29:22
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