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Meio Ambiente

Corte de árvores no São Francisco é "solução radical", reclamam moradores

Por Marcio Breda e Danúbia Burema | 04/02/2011 15:49
Àrvores no bairro São Francisco. Foto: João Garrigó
Àrvores no bairro São Francisco. Foto: João Garrigó
Restos do que foi cortado no São francisco. Foto: João Garrigó
Restos do que foi cortado no São francisco. Foto: João Garrigó

Foram ao todo dez anos de “convivência” nem sempre amistosa entre os moradores da região da Avenida Tamandaré e dezenas de árvores plantadas no entorno da garagem da viação de ônibus São Francisco. Porém, o corte de alguns exemplares nesta sexta (4) pela prefeitura foi considerado pela maioria dos vizinhos como uma atitude radical e desnecessária.

Plantadas com distância inferior a um metro e sem passar por nenhum tipo de poda nos últimos anos, as árvores do gênero Ficus cresceram, superaram os dez metros de altura e formaram um corredor bonito de se ver, mas que causava alguns problemas para quem morava por perto. Alguns galhos, de tão pesados, chegavam ao chão.

De acordo com o aposentado Francisco de Assis Silva, de 66 anos, “muita gente aproveitava a escuridão das árvores e usava o esconderijo como motel ou para usar drogas”. Porém, na opinião dele, os problemas poderiam ser resolvidos com uma solução mais simples: a poda.

“É uma pena. Não era preciso cortar, só podar. Árvore nenhuma se deve cortar. Vai ver o que acontece se a gente cortar uma. Um problemão. Em casa mesmo tem uma Paineira que já está encostando os galhos nos fios, mas não posso fazer nada”, reclama o aposentado.

As árvores são cortadas de forma intercalada. As sobreviventes são podadas. As primeiras oito a cair estavam na Rua João Erovaldo. Já os exemplares na Rua Coronel Severino Marques serão derrubados até amanhã.

Morando há mais de 25 anos na Severino Marques, a pensionista Leonor Valério, de 70 anos, acha um absurdo o corte. “Moro na frente e ninguém me perguntou nada. Todos os outros vizinhos reclamaram a mesma coisa. Está certo que haja a poda, mas o corte estraga tudo. Dá tristeza de ver”, lamenta.

Já a diarista Margarete Ramos, de 39 anos, é uma das poucas vozes de apoio ao corte. Diz que tem dó, mas que é “melhor desse jeito”. “O lugar não parava limpo. Tinha que limpar a frente da casa duas vezes por dia. Além disso, tinha o problema das pessoas usando droga. Era perigoso passar a noite”, explica.

Guia - De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, o Executivo tem total competência para julgar a necessidade de corte de árvores na Capital. Os critérios estão incluídos em um guia de arborização com mais de 50 páginas feito exclusivamente para as necessidades de Campo Grande.

Segundo a prefeitura, o Guia também serve para que os moradores conheçam os direitos - como e quando - para solicitação de corte de árvores. Sempre que um morador faz uma solicitação, a prefeitura faz um levantamento fitossanitário e só corta após comprovada a necessidade.

Muro surge ana paisagem, depois de corte das árvores. Foto; João Garrigó
Muro surge ana paisagem, depois de corte das árvores. Foto; João Garrigó
Moradores lamentam corte de árvores no São Francisco. Foto: João Garrigó
Moradores lamentam corte de árvores no São Francisco. Foto: João Garrigó