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Capital

Morre Rui de Oliveira, o faxineiro que chegou a secretário de Segurança

Dr. Rui, como era conhecido, morreu aos 81 anos após 10 dias internado no Hospital da Unimed

Por Ângela Kempfer | 11/03/2021 09:32
Rui Oliveira foi secretário de Segurança Pública em dois governos de Mato Grosso do Sul. (Foto: Reprodução)
Rui Oliveira foi secretário de Segurança Pública em dois governos de Mato Grosso do Sul. (Foto: Reprodução)

O advogado, delegado aposentado, ex-secretário de Segurança Pública e ex-vereador por Campo Grande, Rui de Oliveira Luiz, faleceu na noite desta quarta-feira (10), na Capital.

Aos 81 anos, ele estava internado há cerca de 10 dias, no Hospital da Unimed. Nos últimos anos, teve quadro de insuficiência cardíaca agravado e recentemente foi diagnosticado com problema pulmonar. "Isso exigiu bastante do coraçãozinho dele", explicou o filho, Dalmo Oliveira.

"Criado no mato", na região de Camapuã, Rui construiu uma história “que dá orgulho”, diz Dalmo. De faxineiro de delegacia, chegou a secretário de Segurança Pública. No currículo "de respeito", o filho lembra que o pai ainda foi corregedor de polícia e um dos fundadores da Associação de Delegados de Mato Grosso do Sul.

Dalmo conta que certo dia o pai foi “cortar lenha em uma igreja” em Campo Grande e um amigo “encaminhou ele. Falou para estudar”. Tempos depois, com 21 anos, Rui arrumou emprego como faxineiro na Delegacia Central, que ainda no antigo Mato Grosso, ficava na 14 de Julho, esquina com a 7 de Setembro.

“Lavou muito banheiro e varreu muito a delegacia”, lembra Dalmo. Até que a vida começou a melhorar. Rui virou guarda civil, se formou em Direito, foi efetivado como escrivão e ganhou o reconhecimento na década de 1980, como secretário de Segurança Pública por duas vezes, nos governos de Marcelo Miranda e Ramez Tebet .

Nos tempos de polícia e secretaria, a vida foi conturbada pela pressão do cargo. "Sofria ameaça de muita gente, a família toda tinha medo", lembra Dalmo. Mesmo assim "era um homem muito alegre, não tinha meias verdades", comenta o filho.

Rui só deixou o governo ao ser eleito vereador, em 1989, como primeiro delegado a chegar à Câmara Municipal.

Casado por 57 anos, os últimos tempos foram entra a casa em Campo Grande e o sítio em Rochedo, sempre ao lado da esposa Ada e fins de tarde junto dos 4 filhos, Dalmo, Rosângela, Rosemary e Regina. Para definir o pai, Dalmo usa uma frase que sempre ouvia dos amigos de Rui. “Um cara de um coração enorme”

A despedida de Rui de Oliveira será a partir das 13h, no Cemitério Parque das Primaveras, e o sepultamento está marcado para às 15h, no mesmo local.

Na manhã desta quinta-feira, Câmara Municipal e OAB emitiram nota de pesar.

O Legislativo lembrou que Rui de Oliveira recebeu a Medalha do Mérito Advocatício em 2011 e a Medalha Legislativa “Delegado de Polícia Civil Aloysio Franco de Oliveira” , em 2019, “em reconhecimento aos relevantes serviços prestados nas áreas jurídicas e da segurança pública”.

Já o presidente da OAB/MS, Mansour Elias Karmouche, lamentou dizendo que Rui “foi um grande advogado militante, de longa data. Deixará uma lacuna inestimável perante a comunidade jurídica sul-mato-grossense”,

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