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Capital

Motoristas de aplicativo reclamam de preconceito após abusos de passageiras

Categoria defende que maioria dos condutores que operam por plataformas on line é honesta

Por Mirian Machado | 14/06/2022 17:15
Comentário de internauta generaliza situações a motoristas por aplicativo. (Redes sociais)
Comentário de internauta generaliza situações a motoristas por aplicativo. (Redes sociais)

Motoristas por aplicativo de Campo Grande lamentam que os abusos sexuais cometidos por Adriano da Silva Vieira, de 38 anos, contra passageiras  trouxeram repercussão negativa para o restante da categoria. Comentários, principalmente nas redes sociais, "massacram" os profissionais de forma geral, segundo Diego Diniz da Silva, de 29 anos.

Trabalhando na área há 6 anos da área, Diego relata que por causa dos crimes cometidos por Adriano, além dos comentários desmerecendo a categoria feitos em redes sociais, ele e colegas têm enfrentado preconceito durante as corridas.

“São vários comentários nas redes sociais e até mesmo nos embarques. Fora que está atrapalhando muito. Até entendo as passageiras mulheres pois perdem confiança em pedir aplicativo e ser homem o motorista. Mas, infelizmente, não tem muito o que fazer. É manter o profissionalismo ”, lamenta.

Diego lembra que os motoristas também correm riscos diários com os passageiros. Lembrou ainda de alguns casos como, por exemplo, quando a motorista Audineth Aguiar dos Santos, 44 anos, foi esfaqueada 15 vezes por um passageiro durante uma corrida, entre outros, como o do Rafael Baron, de 24 anos, assassinado durante o trabalho. “Eu tenho medo, mas infelizmente foi a forma digna que encontrei para levar o sustento para minha família. Estou tomando todos cuidados possível”, disse.

Osmar Daniel Veiga, 28, também utiliza aplicativos como meio de trabalho. Ele explica que a plataforma é segura e que cada uma tem verificações para filtrar os motoristas. Ele por exemplo, que utiliza Uber e 99 Pop, conta que ambas fazem checagem com selfie pra confirmar a identidade do condutor cada fez que os aplicativos são ligados. “O software compara com o banco de dados e na hora mesmo decide se aceita ou não o rosto mostrado”, conta. Ainda segundo ele, as plataformas verificam os antecedentes criminais com os seus dados disponibilizados.

Indignado, Márcio Pires, 42 anos, motorista há 5 anos reclama de algumas situações vividas ultimamente. Ele teve de comprar uma câmera veicular de R$ 200, valor que estava fora de seu orçamento, como precaução. "Difícil um motorista que não tenha passado por alguma coisa, assédio, medo da pessoa querer fazer alguma coisa. Todos sofremos por aqueles sem caráter que usam das funções para fazer mal a alguém, seja motorista ou passageiro", lamenta.

"Somos pais de família. Homens e mulheres honrados. Muitas vezes somos obrigados a levar pessoas que não são as que pediram corrida. Muitas mulheres em nosso meio sofrem assédio todos os dias, falta de respeito. Deixamos de reportar, muitas vezes, porque é burocrático", reclama Márcio.

Em nota, a Classe dos Motoristas de Aplicativo de Campo Grande, uma das associações que representam a categoria, repudiou o crime, mas também as generalizações. “A Classe vem a público por meio desta nota, esclarecer que repudiamos a conduta desse cidadão que se beneficiou da profissão de motorista de aplicativo para cometer vários delitos. Queremos deixar claro que ele não nos representa, e as atitudes ilícitas deste não pode sujar uma classe inteira de pessoas honestas e trabalhadoras", diz trecho da nota.

Crime - O motorista de aplicativo Adriano da Silva Vieira foi preso no dia 9 de junho, depois que tentou estuprar uma jovem na madrugada de domingo (6). A mulher de 28 anos pediu uma corrida na rodoviária da Capital, por volta das 4h30 e foi atacada, mas conseguiu fugir pela janela do carro.

A investigação policial levou autoridades a outra vítima de 27 anos que foi estuprada por Adriano durante corrida pedida pelo aplicativo InDriver, além da mulher de 54 que sofreu abuso quando ele rodava pela 99 Pop.

Expulsão - As plataformas 99 Pop e Uber informaram que baniram Adriano ao tomarem conhecimento dos casos. A InDriver, que foi avisada pela vítima sobre a violência, afirmou que teve conhecimento, pediu para que a vítima procurasse a polícia e informou que iria punir Adriano administrativamente.

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