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Capital

Movimento em via mudou plano de ocultar corpo de vítima: "joguei no porta-malas"

Julgado hoje, Cléber Carvalho disse que matou a vítima após discussão por terreno invadido, em 2019

Dayene Paz e Bruna Marques | 08/03/2022 12:04
Cleber (de camiseta azul) auxiliou nas escavações. (Foto: Henrique Kawaminami)
Cleber (de camiseta azul) auxiliou nas escavações. (Foto: Henrique Kawaminami)

Depois de matar Claudionor Longo Xavier, de 47 anos, em abril de 2019, em Campo Grande, Cléber afirmou que só não enterrou no local onde ocorreu o crime por conta da movimentação. "Estava passando muita gente e carro perto da Avenida Tamandaré, senão, eu tinha enterrado ele ali mesmo".  Cléber enfrenta seu 4ºjulgamento nesta terça-feira (8).

O pedreiro contou que invadiu terreno próximo da Avenida Tamandaré, e começou uma obra no local. "Eu cerquei, limpei e vinha cuidando dele. Um dia ele [Claudionor] perguntou, eu falei que era uma sobra da área da prefeitura e me apossei dela. Ele disse que também queria, então eu falei que a detrás da minha era igualzinho, mas não tinha acesso à rua", lembra.

Claudionor, segundo depoimento de Cléber, alugou uma máquina e também invadiu a outra parte. "Eu fui levantando dinheiro, comprando tijolo, pedra, areia e mandei fazer um contêiner para deixar lá e ninguém roubar; foi aí que ele foi crescendo os olhos na minha parte".

O pedreiro conta que havia dois terrenos ao lado, onde tinha uma mangueira, então Claudionor teria comentado que não haveria problema com água. "Falei pra ele que ia puxar meu próprio cavalete, porque seria mais uma prova lá na prefeitura", disse, referindo-se ao uso da área.

Cléber está sendo julgado hoje, no Fórum de Campo Grande (Foto: Bruna Marques)
Cléber está sendo julgado hoje, no Fórum de Campo Grande (Foto: Bruna Marques)

Dias depois, Cléber conta que chegou e viu o amigo passando a mangueira clandestinamente. "Estava passando pelo meu quintal para chegar no dele. Eu disse que não queria que mexesse com aquilo que dava caso de polícia. Então peguei e tirei, foi então que a gente teve uma breve discussão".

No entanto, os amigos continuaram conversando normalmente. "Três dias depois quando eu cheguei no terreno, estava ele e o cara da máquina, tentando abrir uma rua no meio do meu terreno. Começou uma discussão ali, então o cara da máquina disse que não ia fazer parte daquilo e quando a gente se resolvesse procurasse ele", lembra.

Cléber ficou no local com Claudionor e continuaram a discussão. "Começou a ficar pesado, eu chamei ele de noiado, de um monte de coisa e ele cuspiu na minha cara. Eu dei um empurrão, ele caiu sentado e pegou uma estaca e veio para o meu lado, então eu saí correndo para o carro", disse para o juiz.

Cléber afirma que não daria tempo de chegar no carro, então também puxou uma estaca e foi para o lado de Claudionor. "Mandei uma paulada no peito e a outra pegou na cabeça e ele tonteou, virou as costas e saiu correndo. Ai eu mandei a estaca rodando, acertou e ele caiu", revela.

O pedreiro disse que havia muito movimento na região e percebeu que tinha saído sangue do nariz de Claudionor. "Ele não respirava, então joguei ele no porta-malas e levei no terreno, onde enterrei no buraco. Mas esse buraco que falam eu não tinha intenção de enterrar ninguém lá, era para plantar um pé de coqueiro para uma dona do terreno", disse, ao confrontar o depoimento do policial militar sobre crime premeditado.

O juiz questionou Cléber sobre o que respondeu para a dona ao ver que o buraco, que serviria para o coqueiro, já estava ocupado. "Eu ia falar que não dava", respondeu. Depois do interrogatório de Cléber, o juiz pediu intervalo e o julgamento segue durante à tarde.

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