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Capital

MP arquiva investigação contra despachante por suspeita de fraude em caminhão

Perícia realizada em veículo não encontrou adulteração no chassi e motor

Por Clara Farias | 04/11/2026 23:09
MP arquiva investigação contra despachante por suspeita de fraude em caminhão
Caminhões parados em posto de combustível de Campo Grande (Foto: Arquivo)

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul pediu o arquivamento de um inquérito policial que investigava David Cloky Hoffmam Chita e outro homem por suspeitas relacionadas à adulteração de sinais identificadores de um caminhão. A investigação começou após uma vistoria veicular apontar possíveis irregularidades na identificação de um Volvo/FH 460, mas um exame pericial descartou alterações nos números do chassi e do motor.

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul pediu o arquivamento de inquérito que investigava David Cloky Hoffman Chita e outro homem por suspeita de adulteração de sinais identificadores de um caminhão Volvo FH 460. Exame pericial descartou alterações no chassi e no motor, e o MPMS concluiu não haver provas para denúncia. David é réu em ação penal sobre fraudes em vistorias no Detran, apurada na Operação Miríade.

Conforme os autos, a suspeita foi registrada em julho de 2024, depois que a empresa Prime Vistoria Veicular identificou possíveis alterações durante uma inspeção no veículo, de placas CVN-6190. O caso foi encaminhado à Deletran (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Relacionados à Atividade Executiva de Trânsito), que instaurou inquérito para apurar eventual crime de adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

Durante a investigação, foi solicitado um exame metalográfico para verificar a autenticidade dos elementos de identificação do caminhão. O laudo pericial apontou que não havia adulteração nos números do chassi e do motor. Apesar disso, foram identificados sinais de envolvimento anterior do veículo em acidente, ausência de algumas etiquetas de segurança e substituição dos vidros.

Diante do resultado, a Polícia Civil concluiu que não havia elementos para comprovar a ocorrência de crime e considerou que as irregularidades identificadas deveriam ser resolvidas administrativamente junto ao Detran-MS.

Em março de 2025, o Ministério Público chegou a apontar suspeitas de falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistema de informações envolvendo David e Artur Valdir Faustino de Almeida. Na ocasião, o promotor responsável solicitou a juntada dos antecedentes criminais dos investigados para avaliar a possibilidade de oferecimento de acordo de não persecução penal.

Entretanto, ao reavaliar o conjunto de provas, o MPMS concluiu que não havia elementos suficientes para sustentar uma acusação pelos crimes cogitados. Segundo a manifestação, não foi possível identificar qual documento teria recebido informação falsa, quais dados teriam sido inseridos ou alterados indevidamente em sistemas públicos, nem quem teria praticado essas ações.

MP arquiva investigação contra despachante por suspeita de fraude em caminhão
Conclusão do laudo emitido pelo Instituto de Criminalística (Foto: Reprodução/Autos do Processo)

O promotor William Marra Silva Júnior, em substituição legal na 15ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, entendeu que não havia justa causa para o oferecimento de denúncia e pediu o arquivamento do inquérito. A decisão foi assinada em setembro deste ano e comunicada ao investigado em publicação no Diário Oficial do Ministério Público desta quarta-feira (4).

David Cloky Hoffman Chita também é réu em uma ação penal que apura um esquema de fraudes em vistorias e registros de veículos no Detran de Mato Grosso do Sul. Segundo as investigações, ele é apontado como um dos envolvidos na facilitação de procedimentos irregulares, que teriam causado prejuízos milionários. O caso foi alvo da Operação Miríade, deflagrada pela Polícia Civil em 2023, e tramita na 3ª Vara Criminal de Campo Grande.

Em outro episódio, o despachante chegou a ficar cerca de dois anos foragido e foi preso em dezembro do ano passado. Posteriormente, a Justiça concedeu liberdade provisória, mediante uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.

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